Desenroladas



Varandinha Florinda | Looks

Um fim de tarde rodeadas de gente querida, comidas deliciosas e boa música. Assim foi a Varandinha Florinda, evento que aconteceu semana passada em frente à maison Florinda reunindo food trucks e food bikes, com discotecagem da dupla que vos fala e ainda as novidades da marca. Depois a gente vai contar mais detalhes de como foi esse fim de tarde delícia, mas aqui a gente mostra os looks que escolhemos.

Quisemos prestigiar a marca, escolhendo peças da coleção atual e também outras que já se tornaram xodó. Como o vestido preto da Clara (que já foi escolha para um evento social) que ganhou um toque descolado com o quimono. A estampa com inspirações astrológicas da segunda peça é puro amor! Já eu escolhi um vestido da coleção atual, a “Flor de Mee”, que busquei quebrar o romantismo da estampa botânica com uma proposta mais urbana captada pelo colete jeans e sandálias de plástico.

Look da Clara

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Brinco: Emme | Kimono e vestido: Florinda | Sandália: Melissa

Look da Gabi

__blog-desenroladas-22__blog-desenroladas-25Vestido: Florinda | Colete: Anne | Sandália: Melissa

Maxi Moda 2015 | Marta Rodrigues, da Fábula: “A menina pode usar a cor que ela quiser”

Acreditar nas possibilidades, fugir do óbvio e não deixar a mente adulta “matar” a criatividade inusitada que é tão natural durante a infância. Esses foram alguns dos pontos-chave da palestra de Marta Rodrigues, diretora criativa da Fábula, durante o Maxi Moda 2015. A marca de moda infantil pertence ao grupo Farm e, assim como sua “irmã mais velha”, defende um vestuário que agrega as tendências ao seu DNA – e não o contrário, como tanto vemos por aí. Nesse cerne, está uma moda lúdica que busca se comunicar com o lado mais genuíno de meninas cheias de atitude. Como a própria Marta comentou: “na Fábula não tem espaço para ‘tatibitati’ e ‘adultização’ da criança”. Não por acaso, essa foi a palestra que mais nos inspirou e comoveu. Ao final da apresentação, conversamos com a Marta sobre algumas curiosidades em relação à marca e também sobre empoderamento feminino (sim, é possível trazer essa questão para o universo infantil).

Foto: Site Márcia Travessoni

Foto: Site Márcia Travessoni

 

1. Qual o maior desafio ao criar roupas para crianças?

Acho que é entender a dimensão desse universo tão amplo, tão rico e não fazer menos do que isso. Acho que é realmente estar conectada com essa fonte da criatividade, do extraordinário, sair do senso comum, oferecer uma coisa que realmente a criança se conecte e que fale diretamente com ela. É muito eficaz quando você faz uma coisa que a criança realmente se conecte, que a criança percebe que você se comunicou com ela, mais do que os adultos. Uma surpresa na roupa que aquele olharzinho infantil vai encontrar, a atenção que a criança tem com o detalhe, que fale com ela porque é fora da linguagem do adulto. Essa coisa de você sair um pouco da normalidade é o desafio. É não encaretar na adultice!

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2. De que forma a relação com a roupa é essencial para a criação da identidade da menina?

Ela tá formando a identidade, então é você mostrar pra ela que ela tem liberdade pra se expressar é a melhor forma. Não ter regra: “isso combina com isso”, mas é mostrar que a relação que você tem com a roupa é livre, ampla, com mil possibilidades é a melhor forma de incentivar a construção dessa identidade. Pensar no público como indivíduos ainda em formação e não caixinhas de consumidores. Muita variedade e pouca regra.

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3. Qual a principal mensagem que a Fábula tenta passar para as crianças?

Essa de ser criança. A de que é hora de ser criança, a de não pegar um modelo e reproduzir. de brincar, de aproveitar esse momento que é tão curto. Não esquecer de brincar muito e de questionar os porquês. Essa ideia de que brincar é urgente.

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4. A gente está num momento importante em que se fala muito de empoderamento feminino. De que forma essa discurso faz parte do universo da Fábula?

Eu acho que é não dizendo que rosa é cor de menina. A menina pode usar a cor que ela quiser. Dificilmente o rosa é uma cor que vai vender bem na Fábula, o que pra mim é incrível porque você vai em lojas de roupas para meninas que só tem rosa. Se a gente bota rosa nem é a que vai vender mais. Por esse lado a roupa de menina é a roupa que você quiser. A Fábula passa essa mensagem. É cedo para elas se aprofundarem nesse tema que eu sou super interessada, minha filha está muito conectada nisso e eu sempre fui também, acho isso incrível. Mas tem outras coisas na marca como identidade, como não seguir padrão de beleza. Eu fico assistindo muito animada propagandas como a da Garnier que diz que “em terra de chapinha quem tem cachos é rainha”. Porque isso realmente mostra uma transformação comportamental e cultural, das negras soltarem os cachos e se mostrarem como belas. Na Fábula, a menina sempre deixou os cabelos soltos. O cabelo na Fábula é de criança que brinca e não aquela que foi embonecada para ficar bonita. Bonito na Fábula é aquela cara de que você se divertiu, sua maria chiquinha saiu do lugar. As vezes até a gente fica chocada quando vê que fez o lookbook inteiro com o pé da criança preto, mas é porque a gente se diverte tanto que as vezes a gente esquece disso.

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Bailarinos fora do padrão

Já compartilhei com vocês aqui um pouco da minha história com o ballet. E, nesta história, faz parte uma bailarina totalmente fora do padrão e que os desafiou (e ainda desafia) durante a sua carreira, a Willemara. E também são os padrões que costumam desestimular qualquer um a entrar em um grupo de dança.

O que mais ouço quando falo que voltei ao ballet são comentários em relação a idade, ao corpo, ao tempo, às possibilidades que, na verdade, nada impedem a começar uma nova atividade, a fazer algo por você. Aqui, reuni quatro histórias de bailarinos clássicos que venceram diferentes tipos de preconceito e romperam com os padrões alcançando o reconhecimento pelo esforço, técnica e vontade. Me ajudou muito ao escrever, quem sabe também inspire vocês!

 

Sergei Polunin

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Sergei é o verdadeiro “bad boy” do ballet. Indo na contramão dos padrões, o bailarino ucraniano tem o corpo repleto de tattoos, algo até então totalmente impensável entre as escolas mais tradicionais. E as cicatrizes no peito foram feitas por ele próprio, movido pela estética das marcas na pele. Mas Sergei tornou-se o bailarino principal mais novo da história do Royal Ballet, com apenas 19 anos, posto que largou em 2012, para dançar no Stanislavsky Music Theatre. Com uma imagem tão forte, não é de se espantar ainda que ele tenha virado um queridinho do mundo da moda, sendo fotografado por Gus Van Sant, aparecendo na campanha outono/inverno de 2014 da grife Marc Jacobs e participando de diversos editoriais.

Recentemente, Sergei protagonizou um impressionante vídeo, dirigido por David Lachapele, conduzido pela canção “Take me to church” e mostra o balé clássico visto de um modo até então inusitado. O videoclip original transmitia uma mensagem contra a homofobia, sendo protagonizado por um casal do mesmo sexo e servindo também para alertar as pessoas para ao aumento de ataques contra os homossexuais na Rússia.

 

 

Misty Copeland

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Misty começou no ballet já quebrando paradigmas, uma vez que fez sua primeira aula aos 13 anos (considerado tarde para quem deseja uma carreira profissional na dança). Além disso, o seu corpo atlético e com estatura mais baixa do que bailarinas clássicas a fizeram ter que enfrentar o modelo tradicional. Misty também enfrentou o preconceito por ser negra. E com toda a força fez história no mundo do ballet ao se tornar a primeira bailarina negra a integrar  o corpo de baile do corpo do American Ballet Theatre. Aos 32 anos, Misty foi promovida a uma das primeiras-bailarinas do grupo.  A companhia de dança anunciou esta promoção depois da estreia de Misty como protagonista de “O Lago dos Cisnes” – um dos papéis mais importantes para uma bailarina.

Aos seus 32 anos, a bailarina Misty Copeland tem uma lista impressionante de conquistas pessoais: ela foi considerada pela revista TIME como uma das 100 pessoas mais influentes de 2015, escreveu um best seller contando da sua trajetória, a sua propaganda para Under Armour (vídeo abaixo) já foi visualizada mais de 8 milhões de vezes e o seu alcance no Instagram é de mais de 600 mil pessoas.

 

Precious Adams

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Precious Adams estudou no The Bolshoi Ballet Academy, na Rússia, e ouviu de um professor para deixar a sala por ser negra. Também disseram para ela lavar a pele, para a cor sair. Em uma daquelas belas surpresas da vida, foi uma das vencedoras do Prix de Lausanne, ficou em segundo lugar, conseguiu uma bolsa de estudos e hoje faz parte do corpo de baile do English National Ballet. Talvez esse tenha sido um dos maiores avanços no mundo do ballet em relação ao racismo.

Michaela Deprince

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De todas as histórias, talvez a de Michaela seja a mais impressionante e emocionante. O preconceito que ela teve de enfrentar não foi somente no ballet, mas toda a vida dessa garota foi de luta! Até tentei, mas não dá para resumir a história dela em poucas linhas.

Michaela DePrince nasceu em Serra Leoa em 1995. Os pais dela a batizaram com o nome de Mabinty, mas, depois que os dois morreram na guerra civil do país africano, ela foi enviada a um orfanato onde era conhecida apenas como um número. ‘Eles nos chamavam de um a 27. Um era a criança favorita do orfanato e 27 era a menos favorita’, contou a bailarina à BBC. Michaela era a criança número 27, pois sofre de vitiligo, um problema de saúde no qual partes da pele perdem a pigmentação. Para as ‘titias’ que dirigiam o orfanato, a doença era prova de que um espírito do mal estava na criança.

Um dia, o orfanato recebeu um alerta de que seria bombardeado e as crianças foram levadas para um campo de refugiados. No campo, Michaela ficou sabendo que ela e sua amiga seriam adotadas. Uma mulher americana chamada Elaine DePrince tinha vindo ao campo para adotar a criança número 26, que recebeu o nome de Mia. Mas, quando as responsáveis pelo orfanato disseram que Michaela provavelmente não seria adotada, Elaine resolveu adotá-la também.

Vendo o encanto de Michaela pelo mundo do ballet, Elaine matriculou a menina de cinco anos em uma escola de dança na Filadélfia. No entanto, Michaela continuava tímida, devido ao vitiligo e até se cobria com blusas para esconder o problema. Ao perguntar para a professora se o vitiligo iria prejudicar a carreira, Michaela teve uma boa surpresa. A professora não tinha notado o vitiligo, pois apenas prestava atenção aos passos da aluna.

Agora com 20 anos, Michaela completou recentemente uma turnê com a companhia Dance Theatre do Harlem, onde muitos dos bailarinos são afro-americanos ou mestiços. A bailarina ainda lançou um livro, “hope in a ballet shoe” (traduzido no Brasil como “A Menina que se Chamava N.º 27″), no qual conta a sua história.