Desenroladas



Lush e o combate à violência contra a mulher brasileira

O Brasil ocupa o 5º lugar no ranking de feminicídio, no qual três em cada cinco mulheres sofreram ou sofrem algum tipo de violência. E não, não estamos aqui só falando daquele tipo de violência que deixa marcas visíveis, mas também psicológicas. A LUSH (e todas nós) precisamos falar e – por que não? – lutar contra isso.

A LUSH é uma marca inglesa de cosméticos 100% vegetarianos, sem conservantes, produzidos de forma artesanal e sem realizar testes em animais. A marca está no Brasil desde junho de 2014 e possui um posicionamento ativista perante ao direito dos animais e sustentável em relação a toda a sua linha de produção. Além de tudo isso, a LUSH acaba de lançar a sua primeira campanha em prol do direito das mulheres no Brasil.

Esse é o tema que deu origem à campanha (primeira de muitas), protagonizada pela ONG Artemis, a qual visa a promoção da autonomia feminina e erradicação da violência contra a mulher. O nome dessa campanha é #tambéméviolência e tem como objetivo conscientizar a todos de que violência contra a mulher não é só agressão física, é também a agressão psicológica, moral, patrimonial e sexual. Todas elas, sem exceção, aprisionam e calam milhões de mulheres diariamente.

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A campanha tem início com uma mesa de debates e conta com a presença de Silvia Chakian (Promotora de Justiça e Coordenadora do GEVID do Ministério Público do Estado de São Paulo), Alice Bianchini (Doutora em Direito Penal, Integrante do Conselho Especial da Mulher Advogada da OAB Federal e autora do livro “Lei Maria da Penha”), Raquel Marques (Presidente da ONG Artemis) e Renata Pagliarussi (diretora geral da LUSH no Brasil). O momento também conta com um espaçø para perguntas e respostas, visando uma conversa totalmente colaborativa.

#tambéméviolência acontece no dia 27 de setembro, a partir das 19h, na LUSH Spa Jardins, em São Paulo.

SERVIÇO
LUSH Spa Jardins – Rua da Consolação, 3459 – SP
Confirme sua presença no evento.

Experiência: O que aprendi com o coletor menstrual

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Vamos falar sobre menstruação?

Há alguns meses decidi trocar os absorventes comuns por um coletor menstrual. A diferença já começa na transição do plural para o singular: se antes tinha que comprar aqueles pacotes com vários absorventes, agora um só reservatório de silicone irá me acompanhar por anos. Além da economia financeira, imaginem toda a quantidade de lixo que era gerada a cada ciclo. Pense também na quantidade de mulheres que usam os absorventes diariamente em todo o mundo. É muita, muita, mas muuuita poluição, né?

Apesar de ser um pouco desconfortável no início (como quase todas as adaptações da vida), considero o coletor uma forma muito mais tranquila e higiênica de atravessar esse período. Sempre sofri com as cólicas e o fluxo intenso. A praticidade do coletor me proporcionou vivenciar um cotidiano mais harmônico com o meu corpo e diminuiu bastante a intensidade da cólica. Como nunca me adaptei ao “tampão”, é um alívio poder praticar atividades físicas e nadar no mar, por exemplo, sem me preocupar.

Não sou expert no assunto, claro. Sou apenas uma usuária que têm se beneficiado bastante do produto. Mas conversando com amigas da área de saúde e também com minha ginecologista, fiquei ainda mais segura ao saber que existem diversas pesquisas nessa linha defendendo o uso do coletor. Inclusive, acho que, assim como camisinha, o coletor menstrual deveria ser distribuído gratuitamente em hospitais públicos. Já imaginaram o impacto econômico positivo que essa “pequena” mudança de hábito traria para diversas mulheres?

Porém, não há como negar a grande resistência que muitas manas ainda têm em relação ao coletor. Desde que passei a usar (e propagar os benefícios) do coletor, rolou cada frase preconceituosa que fui obrigada a ouvir, viu? De “isso é uma violência com o seu corpo, ficar colocando esse negócio dentro de você” até “ai que nojo ter que pegar no sangue para tirar esse troço”. Whaaaat?

Vamos lá migas: violência é uma ameaça, intimidação, algo que compromete a integridade física ou psicológica e que é contrária ao desejo de quem a sofre. Pesado, né? Só que essa é a minha escolha, o meu corpo e não existe nada de “violento” em buscar outras formas de cuidar dele. Sim, cuidar. A menstruação é inerente a quase todas as mulheres e precisamos falar sobre ela, nos informar e cuidar de nossos corpos de forma consciente – não apenas seguindo uma imposição/normatização. E… oi? Nojo? O sangue é uma parte tão sua quanto a pele, o cabelo, as unhas. Parou com essa de nojo, blz?

Foi também conversando com minhas amigas que aprendi a respeitar ainda mais as escolhas das mulheres. Algumas estudam “Sagrado Feminino” e jogam o sangue na terra como forma de se reconectar com a natureza. Outras já tentaram usar coletor, mas não se adaptaram. Outras preferem o “tampão”. Outras preferem absorvente. E outras preferem nem menstruar. O massa é poder ser livre para tomar a decisão que melhor se encaixe no seu estilo de vida e nos seus objetivos.

Do micro pro macro, do individual para o social, do interno para o externo. Viram como toda mudança é mola propulsora para diversas outras transformações?

Conversem. Leiam. Pesquisem. Experimentem. Troquem informações. Voltem atrás se quiserem. Não se sintam culpadas. Libertem-se!

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Leia Mulheres: Uma conversa sobre literatura e quadrinhos com Alessandra Jarreta

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Uma boa ideia, uma hashtag e nascia ali uma pequena revolução. Em 2014 a escritora Joanna Walsh propôs o projeto #readwomen2014 (#leiamulheres2014) para instigar a leitura de obras escritas por mulheres. A ideia ganhou o mundo.

A proposta nasceu pela pouca visibilidade que autoras têm no mercado literário, como forma de dar apoio, relevância e aumentar o número de leitores das obras delas. No Brasil, Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques são as gestoras desse projeto que já funciona em diversas cidades – inclusive Fortaleza. Por aqui, quem organiza os encontros – que acontecem na Livraria Cultura – é a Alessandra Jarreta, 27 anos, estudante de Letras. Batemos um papo sobre esse movimento com a Alê e aproveitamos para falar também de um mercado extremamente problemático e misógino: a indústria de histórias em quadrinhos.

1. Quando começou seu interesse por literatura?

Como quase todo mundo comecei a ler através dos gibis da Turma da Mônica, mas passei a amar leituras na terceira série: tinha uma prova sobre a adaptação da Disney do “Príncipe e o Mendigo” e minha mãe me fez ler o original do Mark Twain (e só poderia levantar da mesa quando terminasse)! Fiquei com muita raiva na hora, mas depois que entrei na história nem vi o tempo passar. A partir disso só quis ler cada vez mais.

2. Lembra qual foi o primeiro livro ou HQ que te marcou especialmente?

Na infância com certeza foi a série “Harry Potter”. Já nos quadrinhos foi “Sandman” – minha primeira HQ fora do mundo dos mangás (que eu baixava a passo de tartaruga pelo mirc, rs).

3. Como surgiu a ideia de trazer o Leia Mulheres para Fortaleza?

Conheci os canais literários do YouTube em 2014 e ficava morrendo de inveja das pessoas falando que estavam lendo para o encontro do Leia Mulheres na sua cidade. Pensei “porquê não podemos ter isso em Fortaleza também?” Falei com as organizadoras e pronto, abri uma “filial” por aqui.

Em Fortaleza eu também organizo o Clube do Quadrinho, evento mensal que acontece na livraria Leitura do Shopping Del Paseo e que já está com 3 anos. Aqui também tem o clube da Cia. das Letras na livraria Cultura, o Clube do Escambau (grupo de escritores que ajuda escritores – também na Leitura do Del Paseo) e um bem recente que está acontecendo no Passeio Público, o Leia Clarice, que reúne livros e piquenique para discutir as obras da Clarice Lispector.

4. Qual a periodicidade e o objetivo do projeto?

O Leia Mulheres acontece mensalmente, todo último sábado do mês, na leitura do Del Paseo. O mercado editorial ainda tem muita resistência para escritoras e o público têm um pouco de preconceito na hora de escolher um livro escrito por uma mulher. A ideia é fazer com que as pessoas leiam mais autoras, conversem sobre a obra e discutam questões de gênero – além de debater contexto histórico, política e questões sociais. E também, claro, fazer novas amizades! 🙂

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5. Você sentiu uma boa receptividade do público ao projeto desde o início? Quantas pessoas em média participam das reuniões?

O primeiro encontro sobre o livro “Frankstein” da Mary Shelly foi bem fraco, contando com a presença de apenas quatro pessoas. Não desanimei, aumentei a divulgação e já no nosso segundo encontro (“O sol é para todos”, Harper Lee) não teve lugar suficiente para todos que vieram. A aceitação das pessoas sempre foi muito boa, nunca tive nenhum problema com preconceito. Parece que todo mundo estava atrás de um espaço como esse para conversar abertamente sobre livros e feminismo! A média de pessoas por encontro é 30, mas no lançamento da coletânea de contos da Clarice Lispector, por exemplo, conseguimos encher um auditório com quase 60 pessoas!

6. Quais os últimos três livros escritos por mulheres que você leu e que te marcaram profundamente?

“Vozes de Tchernobil”, da vencedora no Nobel passado Svetlana Alexievich, “As boas mulheres da China”, da Xinran (reli recentemente) e “A redoma de vidro”, da Sylvia Plath. Os dois primeiros são relatos reais da vida e do sofrimento de pessoas que passaram por situações inimagináveis. O último é o único romance de uma das minhas autoras preferidas, que fala muito sobre machismo, depressão e intolerância. Recomendo muito os 3!

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7. Para finalizar, indica pra gente e para nossas leitoras seis quadrinhos com mulheres protagonistas que fogem do estereótipo de gênero (como hipersexualização, por exemplo).

“Fun Home”, Alison Bechdel

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“Entre umas e outras”, Júlia Wertz

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“Vírus tropical”, Power Paola

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“Hoje é o último dia do resto da sua vida”, Ulli Lust

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“Gata Garota,” Fefê Torquato (autora brasileira)

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“Garota Siririca”, da LoveLove6 (brasileira também)

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Saiba mais sobre o projeto Lei Mulheres:

www.leiamulheres.com.br // contato@leiamulheres.com.br