Desenroladas


Florescência: fotógrafa e ilustradora cearenses se unem em projeto sobre a beleza da diversidade

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Somos únicos, porém iguais. A beleza da diversidade é o mote que inspirou a fotógrafa Camilla Albano e a ilustradora e tatuadora Amanda Roosevelt a criarem o “Florescência”. Amigas de longa data, a dupla compartilha muitas afinidades e o olhar sensível sobre a natureza e o corpo é uma delas. Confira nosso bate-papo sobre o projeto e saiba mais sobre essa união criativa que é pura sororidade.

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1. Como surgiu a ideia de unir forças e fazer este projeto?

De uma vontade da gente unir nossa arte e ao mesmo tempo fortalecer a autoestima das pessoas e eternizar o florescer dos corpos, mostrando diversidade. Até agora aconteceram apenas três ensaios, com amigas nossas. Mas a meta é que a gente consiga encontrar homens e mulheres que topem participar com diferentes tipos de corpos, para enaltecer essa linda diversidade e fotografar sem estereótipos de padrões que a sociedade impõe. Estamos à procura dessas pessoas e elas podem entrar em contato comentando em nossos perfis no Instagram: @amandaroosevelt & @camilla_albano

2. O nu artístico de mulheres, a natureza e as artes corporais parecem ser a identidade do projeto. Qual o motivo da escolha desse caminho criativo?

Foi uma escolha bem espontânea, pois tem muito a ver com a gente. Aconteceu em um momento em que a Amanda estava aprofundando o estudo em aquarela botânica, muito inspirada por Margaret Mee e por essa vontade de não só eternizar a natureza, mas fazer parte dela, adentrar nas suas cores.
Além disso, fazemos parte de um grupo do sagrado feminino e estamos em um estudo profundo da nossa essência, da natureza de nossos corpos e da natureza ao redor. Foi a forma que encontramos de materializar o nosso próprio “florescer” dentro da arte.

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3. Onde são feitas as fotos?

Aos arredores de Fortaleza, na natureza.

4. O nome “Florescência” é aberto para vários significados, todos bem fortes e simbólicos. Qual foi o motivo da escolha do nome?

É exatamente como o nome fala. A essência do florescer.
É um processo de entrega que já começa no momento da pintura, onde a pessoa fica nua por algumas horas, calmamente esperando que eu crie, pois toda a ilustração é feita intuitivamente. Usamos aquarela de verdade, feita por camadas. Então a pessoa tem que se concentrar e fazer um grande exercício de liberdade, enquanto o pincel passa em todo o seu corpo, dando novas formas a ele. Sempre falo que: A tela em branco é um corpo livre. Essa minha frase pra mim traduz bastante o espírito do nosso projeto.

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5. Como é o processo criativo?

Amanda: A ilustração é intuitiva, vai fluindo de acordo com a conversa na hora, durante a pintura.

Camilla: As fotos são feitas com músicas que despertam essa conexão e as poses vão aparecendo de acordo com essa dança.

6. Nem todas as pessoas se sentem confortáveis ficando nuas em frente à câmera. Qual a reação inicial das fotografadas? 

Geralmente as que aceitam participar são mais naturalistas. Escolhem participar porque se sentem muito à vontade ou porque gostariam muito de se sentir, então vão trabalhando isso internamente até a hora do ensaio. O processo demora algumas horas, desde a pintura. Então no momento das fotos acaba sendo uma grande imersão onde as pessoas se sentem muito a vontade para estarem sem roupa.

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7. O livro “Mulheres que correm com lobos” fala muito sobre a conexão da mulher com sua natureza primitiva e as fotos do projeto me lembram muito esse livro. É uma referência de alguma forma?

Acaba tendo indiretamente, porque a gente tem essa veia no sagrado feminino e estudamos bastante esse livro. Mas o projeto tem várias interferências, como da escritora Mirella Faur, da ilustradora botânica Margaret Mee, da nossa conexão com a ayahuasca, etc.

8. Por enquanto só vi mulheres no projeto. Está nos planos de vocês ampliar para outros gêneros?

Tem homens no projeto também. É um projeto para o corpo, independente de quem habita nele.

9. Que outros projetos paralelos vocês continuam elaborando?

Camilla: Continuo fotografando mulheres em conexão com a natureza com projetos autorais (“Mulheres da Lua” e “Afeto”) e a Amanda tatua e faz ilustrações (série “Cor de Flor” no momento), também, nesse segmento. Temos sentido um chamado cada vez mais forte pra trazer esse questionamento sobre o corpo e os nossos conhecimentos através dos nossos olhares… na fotografia, no papel e na pele.

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10. O que vocês têm aprendido ao longo do processo criativo com as convidadas do projeto?

É muito especial fazer parte do florescer dessas pessoas. Sempre há uma indecisão, um medo da exposição e de outras pessoas julgarem seus corpos. A pessoa se “auto-encoraja”, faz um exercício interno de Ser/Estar/Sentir o corpo livre para fazer parte daquele momento. E no final é emocionante ver a felicidade dessas pessoas, vendo suas formas através do olhar de outras duas pessoas. As mensagens depois do projeto são muito emocionantes e reconfortantes. Imagina só a energia especial que é você poder recriar aquelas formas através de um olhar poético e aumentar a autoestima daquele ser?

11. As imagens criadas por vocês são carregadas de simbolismos. O que vocês buscam levar para o mundo com o Florescência? O que podemos esperar nos próximos passos do projeto?

Amanda: Eu tenho um estudo intenso sobre simbologias pagãs para criar as ilustrações e tattoos, isso acaba interferindo diretamente no projeto. Acredito muito na força que um símbolo de poder causar na vida e naquele corpo. A troca de energia quando se está tatuando/pintando um corpo é muito forte, é um canal aberto. Até as cores que uso são de acordo com a energia que quero enviar para influenciar no momento e na personalidade de quem estou pintando. Das pessoas que pintei pro projeto sempre escuto que é um momento quase meditativo se conectar a mim e ao pincel enquanto ele geladinho percorre sob seu corpo, trazendo alegria e cor.
A gente pretende fotografar cada vez mais corpos que não são do padrão da sociedade, pra que essas fotografias fortaleçam pessoas, pra que outros também se identifiquem com corpos reais, sejam eles de acordo, ou não, com os padrões.

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