Desenroladas


The Get Down: nascimento do hip hop

É o fim dos anos 1970 em Nova York, em meio às rebeliões pelos direitos da comunidade negra, um novo som nasce nos guetos, ruelas e boates do Bronx. É o hip hop que, além de um novo estilo musical, conta a história dos tantos negros que viveram na época de seu surgimento.
Essa é só uma pincelada, mas esse é o principal mote da nova série da Netflix, The Get Down (e que nós a-ma-mos, diga-se de passagem). Mas The Get Down não é só isso: é moda, muita música além do hip hop, arte, história e empoderamento de minorias.

Nem só de boca de sino viveram os 70s

A década de 1970 é conhecida pelas estampas vivas, bocas de sino e sapatos lustrosos. De um lado, os hippies “flower power” e, do outro, como mostra o seriado, a comunidade negra incorporando novas “tendências”no legado da moda deixado pelo movimento Motown. Quem conhece um pouco de história, sabe que essa época foi um período de transição na moda: os sapatos lustrados deram espaço aos tênis esportivos, os ternos viraram bomber jackets e o moletom passou a ganhar mais espaço nos guarda-roupas das famílias do Bronx.

Atenção para a cultura dos tênis, onde o personagem “Dizzie”, vivido pelo Jaden Smith, sempre fala dos “impecáveis Pumas” do grafiteiro e aprendiz de DJ, Shaolin Fantastic.
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Freestylin

Foi exatamente nessa época que esse estilo passou a ganhar visibilidade e força. Os DJs, que passaram a dispensar as músicas prontas dos vinis e começaram a criar suas próprias mixagens, sempre estavam acompanhados de um “poeta”: alguém que, além de animador da festa, também estava pronto para soltar o verbo, improvisando letras e rimas no ritmo da música. Podemos dizer que esse foi o ponto de partida para o nascimento do Hip Hop.

A série também contextualiza o sucesso da Disco Music, onde a cantora Donna Summer é uma grande referência para as personagens femininas, a transformação da música gospel que passa a inserir elementos do pop e a popularização do estilo punk rock. Além do conceito histórico musical, o roteiro do seriado também explora a concorrência e troca de experiência entre os movimentos, além de mostrar a perspectiva quanto ao consumo da época e a produção independente.

Muito além da música: grafite, poesia e cinema

Quando uma minoria é excluída, ela necessita criar sua própria identidade. E foi assim com o marginalizado grafite, um personagem central para a história do seriado e dos anos 1970. Assim como o hip hop, o estilo artístico aborda a cultura da territorialidade que existe nas esquinas do Bronx, onde ela é conquistada por meio do talento e do respeito.
Outras referências culturais da época também são fortes, como os filmes de artes maciais, de ação e as HQs de super-heróis.
A poesia também é um forte elemento da trama. O seriado é contado pela perspectiva do personagem Ezequiel, interpretado por Justice Smith, um grande poeta, que possui o dom da palavra e descobre como pode usá-la para fazer música, além contar em forma de rap a história de toda uma década.
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O futuro é negro, feminino, gay e livre
A década de 1970 pode ser caracterizada por uma só palavra: diversidade. Além de ser um momento de transição e de grande diversidade artística, também é um período de diversidade étnica e sexual. E o seriado consegue retratar essa pluralidade de forma direta e sem precendentes.
A história se passa na comunidade negra e porto-riquenha na periferia de Nova York, onde a maioria dos seus personagens são negros, latinos, pardos e contam sua história em magníficos black powers. Fora isso, o roteiro também retrata a cultura gay vivida no período: o inícios das baladas gays, dos “Ballrooms” e Vogue Battles, um estilo de dança baseada em poses e muito glamour, popularizada antes mesmo de Madonna.
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Depois de tantos motivos, você precisa de mais algum motivo para ir correndo assistir The Get Down? 😉