Desenroladas


Women of Reggae: projeto feminino que começa hoje no Órbita Bar

Hoje (11), o Órbita Bar cede o espaço para um novo projeto de quinta-feira: Women of Reggae. O objetivo é reunir seletoras de vinil e cantoras da cidade de Fortaleza em um projeto que traga à tona o empoderamento feminino usando ferramentas da música jamaicana e afins – Reggae, ragga, dancehall, Hip Hop, Reggaeton, cumbia.

As idealizadoras do projeto são as cantoras Nayra Costa, Roberta Kaya e Carolina Rebouças e as DJs Priscilla Delgado (She Loves), Betty Silvério (Roots and Culture), Jordana Thiellys (Casa Verde), Manu Star, Indira Marley (Reggae da Diretoria) e Lady Luh.  Priscilla Delgado e Betty Silvério são as residentes do projeto na casa. Especialmente para a noite de estreia, a colecionadora de vinis e DJ Manu Star é a convidada a integrar a festa, com a promessa de muita dança e vibes positivas.

As vozes das três cantoras se encontram no palco para cantar clássicos do reggae e também improvisar com freestyle mesclando o hip hop e os outros estilos. O projeto também traz música autoral, dando visibilidade e independência ao trabalho das artistas.

“O toque diferenciado do projeto foi dessas duas artes, que é o discotecar e o cantar”, conta Nayra. Conversamos com duas das meninas que integram o projeto e o coletivo, Priscilla Delgado e Nayra Costa, para explicar melhor como se deu a criação do Women of Reggae e qual sua importância para a cidade, para a casa Órbita Bar e o público que a frequenta e, principalmente, para as mulheres na busca por representatividade.

 

Como vai funcionar o projeto? Ele também vai incluir música autoral? 

Priscilla: Women of Reggae surgiu como forma de celebrar o dia internacional da mulher há dois anos atrás. Entendemos que o reggae é uma cultura de resistência, então precisávamos empoderar as mulheres que fomentam essa rede e também o público feminino.  As colecionadoras de vinil se uniram e promoveram uma festa nessa data que tanto representa para a luta dos direitos das mulheres, esse encontro deu tão certo que resolvemos a partir disso nos encontrar cada vez mais para tocarmos juntas. Isso foi muito importante tendo em vista que ainda somos minoria nas pickups de Fortaleza comparando com o tanto de DJ  homem que circula na cidade.
Esse ano de 2017 foi importante para o nosso crescimento, estamos com esse formato que vamos apresentar no órbita, que é um experimento com as cantoras, pesquisamos algumas bases digitais e em vinil e elas cantam em cima, o famoso Sound System jamaicano. Nayra Costa em seu trabalho autoral vai trazer para o palco uma interpretação da música “Turn my lights on off” na versão reggae e a Carolina Rebouças com a canção “Mais Valia”. Elas duas e a Roberta Kaya vão apresentar interpretações de músicas consagradas e também farão formatos freestyle.

O evento se chama Women of Reggae, focando em trazer mulheres fazendo reggae e ritmos afins. Porém, isso se fecha para outros estilos futuramente também, como pop e rock? Ou o projeto pretende se estabelecer e eventualmente expandir?

Priscilla: O reggae não pode e não deve se fechar nunca, é um ritmo que inspirou tantos outros. Se formos analisar uma linha do tempo, desde o mento e o ska na década de 1950, para o que transformou o reggae na década de 70, percebemos que a cada década surge uma vertente inspirada ou um jeito novo de tocar inspirada no reggae. Exemplos mais populares que podemos ter no Women of Reggae é a presença forte do Hip Hop, dancehall, reggaeton e raggamuffin. Pretendemos circular pela cidade e fora dela. Recentemente abrimos o show da Tribo de Jah na Maloca Dragão na Praça Verde, um público de massa, muita gente passou a conhecer nosso trabalho, isso criou uma expectativa de querer expandir ainda mais.
Nayra: O que prevalece no coração do nosso coletivo é o Reggae.  Mas amamos todo tipo de musica. O futuro a deus pertence! Não sei se mudaremos de estilo. Queremos expandir mais com certeza, fazer músicas autorais do coletivo. Tivemos a honra de participar do Maloca Dragão esse ano que deu uma visibilidade ótima ao nosso projeto. Queremos participar de mais festivais por aqui e pelo Brasil. Queremos o mundoooo!

Qual é a importância do Women of Reggae para o Órbita Bar, que é tradicional na cidade, para as pessoas que frequentam e para nós, mulheres?

Priscilla: Não só no órbita, a cena musical de Fortaleza a maioria esmagadora é de homens. A forma que encontramos de tentar ser o diferencial em programação na cidade é justamente a nossa capacidade de nos unirmos e organizarmos algo assim. Já nos questionaram porque não chamávamos cantores ou DJs para tocarem no Women of Reggae, pelo nome do projeto nem precisaríamos responder, mas temos bons argumentos, semanalmente temos festas em Fortaleza, ao invés de esperarmos uma oportunidade para tocar nas festas promovidas por eles, onde só eles tocavam, fizemos melhor, criamos nossa identidade, compramos nossos equipamentos, ensaiamos e promovemos nosso encontro.
A importância de alcançar o público que frequenta o órbita já está sendo incrível. Somos frequentadoras das noites da casa, temos muitas amigas que amam as quintas-feiras do órbita e isso nos motivou ainda mais. O público feminino precisa olhar para o palco e se identificar de alguma forma com o que é proposto ali e nada melhor do que ouvir outra mulher passando essas mensagens. Costumamos a falar: “Lugar de mulher é onde ela quiser”, amanhã estaremos nas pickups, no vocal, no bar, produzindo a festa e na pista.

Nayra: A importância acho que em primeiro lugar está na capacidade e conhecimento musical de cada uma de nós. Acho importante o público do Órbita escutar o repertório que as DJs discotecam, que é uma repertório ótimo. E também assistir nossa performance cantando nossas músicas autorais e também outras musicas conhecidas no mundo Reggae. Somos um belo conjunto! E para as mulheres que frequentam, espero que elas gostem, sintam-se representadas e fortalecidas. Estaremos lá fazendo uma apresentação digna de orgulho para elas e para todos que comparecerem! Vai ser lindo!

Women of Reggae no Órbita Bar
11 de maio – quinta-feira
A partir das 21h
Rua Dragão do Mar, 207 – Praia de Iracema
Infos: 3453.1421
Facebook: orbitabar
Nas pickups: She Loves, Betty Silvério e Manu Star
Nos vocais: Nayra Costa, Carolina Rebouças e Roberta Kaya