Desenroladas


5 verdades e 1 mentira sobre “Girl Boss”, nova série da Netflix sobre a criadora da Nasty Gal

Lançada na última sexta-feira (21/04) pela Netflix, Girl Boss foi sem dúvida uma das séries recentes mais aguardadas pelo público fashionista. A narrativa é baseada no livro homônimo de Sophia Amoruso, criadora da varejista online Nasty Gal, e conta a trajetória nada ortodoxa de como Sophia (Britt Robertson) uma ex-garota punk alcançou a posição de empresária milionária da indústria da moda. Até aí parece uma estória altamente inspiradora de como sair do lixo ao luxo, né? Porém, não. Nós maratonamos  o seriado no fim-de-semana para contar a vocês o que achamos na lista de 5 verdades e 1 mentira.

1. A série é baseada em fatos reais de uma mulher empreendedora

Ainda que seja uma obra de ficção com interpretações livres (como aparece no início de todos os episódios), dá uma vontade extra de torcer pela protagonista pois sabemos que aquela vitória foi/é real. Ela não se formou em nenhuma faculdade, mal tinha dinheiro pra se sustentar e não sabia quase nada sobre negócios, mas teve uma ideia, percebeu um nicho pouco explorado no mercado, seguiu sua intuição e conseguiu criar uma loja online que hoje é referência no mercado. Palmas pro empreendedorismo feminino! Mas esse é o máximo de empatia que dá pra ter com ela porque…

2. Sophia é insuportável e tem ética duvidosa

Manas, que menina chata! A imaturidade e a crise existencial pela qual a personagem está passando não são justificativas para ser uma babaca com todos ao seu redor. Eu disse TO-DOS, inclusive as poucas pessoas que a amam e dão todo apoio. Como o roteiro é bem pobre, a personagem não chega nem a ser aquele tipo de vilã que amamos odiar, sabe?

 

Vi inclusive alguns comentários na Internet bem negativos e extremistas em relação a isso, com uma galera falando que ela não é uma boa representação feminina no mundo dos negócios. Como feminista que transita no mercado empresarial, discordo. Acho na real que a Sophia não é uma boa representação de ser humano, independente do gênero. Mas ninguém chegou a querer fazer boicote do filme “A Rede Social” porque o Mark Zuckerberg é um pilantra, certo? E do filme “Steve Jobs” porque o próprio foi conhecido por ser um líder carrasco que roubava as ideias dos outros pra si? Ou ainda do filme “Piratas da Informática” porque o Bill Gates não representa uma imagem ética de homem de negócios? Não. Então sem duplo padrão de gênero, blz?

3. Produção e figurino incríveis

Visualmente o seriado é maravilhoso e a gente não esperava menos de uma produção da Netflix. O figurino é incrível, cheio de informação de moda e itens que são desejos instantâneos. Podem aguardar muitos editoriais de moda inspirados no peculiar olhar de Sophia para a moda vintage.

4. A trilha sonora é um amor a parte

Escolhidas com maestria, as canções trazem muitas bandas com vocal feminino (yey! \o/) e hits atemporais. Assistiu e ficou com vontade de correr pro Shazam pra identificar os sons? Não precisa. A gente fez uma playlist no Spotify especialmente com as músicas do seriado pra você. 😉

5. Tem participação do RuPaul <3

Um outro ponto positivo do seriado é a diversidade do casting. Seguindo a linha atual de contemplar minorias sociais (étnicas ou por orientação sexual) para evitar avalanche de textão nas redes sociais, Girl Boss traz personagens que já saem um pouco do padrão white people only dos seriados norte-americanos. Eu disse, um pouco. Não, não é suficiente. Mas já é um avanço. Dentro desse casting que busca a diversidade, RuPaul, a drag queen mais midiática de todos os tempos, interpreta (desmontado!) o vizinho de Sophia. Cada aparição dele rendia muitos gritinhos do lado de cá. Fãs de RuPaul’s Drag Race entenderão.

 

6. A série é sobre empoderamento feminino #NOT

Chega a ser antiética toda essa roupagem girl power adotada pelo marketing de Girl Boss, tanto no seriado quanto no livro. Mas da Sophia, é mesmo de se esperar qualquer coisa em troca de lucro. A personagem principal é uma mulher? Sim. Em alguns pontos do seriado falam da misoginia no mundo dos negócios? Sim. Mas é tudo tratado de forma tããão rasa e tão pontual (na verdade, só tem um episódio que falam sobre isso de forma mais específica) que chega a ser desonesto falar que o seriado trata de empoderamento feminino, entendem? Sophia tem todo o seu mérito de ter conquistado seu espaço no mercado de trabalho, mas ela não fez isso sozinha (embora ela ache em 99% do tempo que sim) e com certeza não o fez da forma mais justa para os envolvidos. Em todos os episódios a série só reforça aquele estereótipo cansadíssimo de que para ser bem sucedido nos negócios você não pode ter escrúpulos. *rolling eyes* Além disso, a sororidade entre as mulheres é quase zero e até mesmo com sua melhor amiga Sophia é um poço de insensibilidade.

Resumindo: babaquice não é sinônimo de nenhum gênero, portanto não faz sentido algum esse marketing de empoderamento feminino atrelado à série. O que é uma pena. Porque não há como discordar que o mundo das produções audiovisuais precisa, de fato, contar mais estórias de mulheres – especialmente das que são brilhantes sem precisar passar por cima de tudo e de todos para conquistar seus objetivos.

Já diria Beyoncé:

Entende a diferença, Sophia? 😉

Visita à tribo indígena Jenipapo-Kanindé

Esta é Mãe Pequena, da tribo JenipapoKanindé (residente no município de Aquiraz/CE), a primeira mulher cacique do Brasil. Tive a oportunidade de conhecer este ser forte e um pouco dos seus costumes numa visita ao Museu Jenipapo-Kanindé, em fevereiro deste ano. Como pioneira na história do nosso país enquanto liderança indígena, era de se esperar que ela fosse bastante reconhecida, certo? Porém, seu nome e sua trajetória são ocultos para uma boa parte da população. Poderia citar uma longa lista de motivos para este fato, mas a verdade é simples: os povos indígenas brasileiros, infelizmente, permanecem invisíveis para o grande público.

Inicialmente escravizados pelos portugueses e espanhóis após a “descoberta do Brasil”, os índios foram dizimados ao ponto de restarem poucas comunidades destes que eram os habitantes originais do nosso país. Dos cinco milhões que aqui habitavam, hoje só restam 460 mil de acordo com a Funai (Fundação Nacional do Índio). Como eles estão hoje? Segregados em suas comunidades, afastados dos grandes centros urbanos (onde existe mais oportunidade de emprego) e lutando de formas precárias para ter a posse legal de suas terras, dentre tantas outras questões.

Território

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Narrativas de mulheres fortes são destaque na Bienal Internacional do Livro do Ceará

Começa hoje a XII Bienal do Internacional do Livro do Ceará sob o tema “Cada pessoa, um livro; o mundo, a biblioteca”, em alusão a infinitas possibilidades: a diversidade de expressões, a multiplicidade de vozes; incontáveis itinerários narrativos a proporcionar conexões transculturais, encontros de mundos, diálogos no espaço presencial e virtual, fazendo uma grande homenagem ao acervo literário universal, à cultura e à identidade brasileira como patrimônio da humanidade.

O evento segue até o dia 23 de abril no Centro de Eventos do Ceará e, dentro dessa variedade de assuntos, um dos grandes focos é a programação comandada por mulheres fortes. Dentre as escritoras, destacam-se Paulina Chiziane (a primeira moçambicana a publicar um romance), Kiusam de Oliveira (escritora, bailarina e contadora de histórias que escreve livros infantis sobre cultura negra) e Conceição Evaristo (doutora em literatura comparada que só conseguiu terminar os estudos aos 25 anos, conciliando com o trabalho de empregada doméstica).

Diante de tantas histórias inspiradoras, fizemos um recorte da programação da Bienal com foco no trabalho dessas mulheres:

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