Desenroladas


Liberdade tem idade?

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Esses dias estava conversando com uma amiga sobre a importância da Madonna para as mulheres dentro da cultura pop. Como pioneira a tratar de alguns assuntos tidos como tabu na mídia de massa, ela “obrigou” muita gente a refletir sobre esses temas e inspirou uma série de outras pessoas (não só mulheres) a pensar: “ei, é ok ser como eu sou. Sou livre”. Mantendo-se na ativa aos 57 anos, ela continua falando, por exemplo, de sexo – algo que muita gente julga desnecessário para uma “mulher da idade dela”. Oi? Quando atingimos uma certa idade, deixamos de ser produtivos, consumidores, desejados e termos direito à liberdade? Que idade é essa?

Nosso planetinha tem costumes mais diversos do que sonha nossa vã filosofia. Com realidades tão distintas e a globalização, é notório que a luta pela liberdade é urgente, questão de sobrevivência, e cada caso merece seu devido respeito. Daí a importância de usar veículos de massa, seja através do jornalismo, do marketing ou da publicidade, para falar de aceitação e empoderamento. É preciso chamar atenção do público para essas causas e manter a discussão viva.

Dentro da tendência ageless (o Ponto Eletrônico tem um post massa sobre “a morte da idade”, leia aqui.), a Avon preparou o Manifesto Renew Pró Idade, no qual fala: “pró idade é eliminar preconceitos e enxergar que as pessoas não tem data de vencimento”.

Lindo, né? Mais bonito ainda é ver que de fato essa tendência vem ganhando peso fora de campanhas de moda e beleza.

O Garbage lançou essa semana um clipe novo. Nele, Shirley Manson (com seus 49 anos) está, como sempre, uma verdadeira diva do rock, com cabelos cor-de-rosa e mini vestido preto.

Curti a música e o visual dela, mas infelizmente isso me fez lembrar de um episódio no qual eu e outras colegas de trabalho sofremos preconceito por termos cabelos coloridos e tatuagens. Fomos chamadas de “roqueirinhas doidinhas” durante uma reunião, como se o visual fosse sinônimo de adolescente rebelde e algo negativo para a empresa. No caso, a empresa é de moda. Pasmem.

Até hoje não entendemos. Até hoje não nos importamos. E continuamos mudando os cabelos e fazendo tatuagens de acordo com nossas vontades.

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Já conhecido por apostar em fórmulas fora do padrão para suas séries e conquistar grande sucesso de público, o Netflix produz um dos seriados que mais curto ultimamente: Grace & Frankie. Estrelado por Jane Fonda, Lily Tomlin, Sam Waterston e Martin Sheen, o casting brilhante está na casa dos 70 anos. O foco da trama é a desconstrução de duas relações heteroafetivas que dão lugar a uma relação homoafetiva, por parte deles, e uma grande amizade, por parte delas. Claro, sexo, amor e aceitação estão em pauta, tratado da maneira como deve ser sempre: naturalmente.

Grace-and-Frankie

Ainda no Netflix, existem dois filmes imperdíveis para a reflexão sobre a tendência “ageless” e a quebra de estereótipos sobre como uma mulher “de certa idade” deve agir ou se vestir. São eles:

Advanced Style (2014)

Iris (2014)

Se você está na faixa dos 20 ou 30 (eu tô saindo de uma e chegando na outra, rs), com certeza já percebeu que às vezes demora um tempo para nos aceitarmos como somos. Então, nessa busca por ser exatamente o que se é, tomara que a gente consiga aceitar mais a nós mesmos e aos outros. Espero que esse exercício nunca saia de moda.