Desenroladas


Lançamento da coleção “Voir Pelo Mundo” na Ppposters

11147114_936894589683302_1193934681045099561_o

Esses dias conversei com a Rafa sobre como todas as relações bonitas e duradouras são baseadas não só em amor, mas em muita admiração. Esse pensamento também casa super bem com amizades criativas, que migram da sintonia da vida para o campo profissional. E se tem uma dupla que tanto eu como a Gabi somos fãs e parceiros, são os fundadores da Voir Image: Rafa Eleutério e Igor Dantas. Ela, fotógrafa e ele, designer e ilustrador. O casal se uniu não só pelo sentimento mútuo, mas pela curiosidade por outras culturas e o desejo de ganhar o mundo através da arte.

Foi também numa conversa informal que surgiu a ideia da Voir assinar uma coleção de ilustrações (algumas digitais, outras handmade) para a Ppposters que ganhou o nome de “Voir Pelo Mundo”. Em dois formatos, os pôsters trazem memórias de diversos cantos do globo, como Estados Unidos, França e Chile. As obras foram lançadas ontem, num evento carregado de energia boa, com food trucks, gente querida e muita música! E sabem quem ficou a cargo da trilha sonora? Eu e a Gabi! Fizemos uma viagem musical por diversos continentes e também contamos com a trilha do Yuri Stein – que adoramos!

Dá só uma olhada no que rolou por lá e corre pra Ppposters pra garantir sua obra da “Voir Pelo Mundo”!

12030550_936893809683380_8633895819240676268_o 11802663_936898903016204_6634832932200808612_o 12017448_936896196349808_1292479224223549794_o 12045259_936898696349558_9154681231362351334_o 12031374_936895543016540_9094432290124193656_o 12032864_936895709683190_1109994488699433725_o 11999550_936895476349880_1739373530017671050_o 12045683_936897023016392_4488832759161980283_o

www.ppposters.com – 85 3055.7771
Rua Silva Paulet, 1853, loja 5 • Fortaleza – CE

 

Edisca e o espetáculo “Religare”

“Uma reconexão com o divino, à reativação dos estados de elevação e purificação do espírito, à recomposição de uma unidade perdida entre matéria e símbolo, razão e sensibilidade, superfície e essência.” Isso é “Religare“, tema do novo espetáculo da Edisca.

religare15

Como tudo isso pode ser traduzido em dança? A Escola de Dança e Integração Social para Criança e Adolescente sabe muito bem conduzir à reflexão, ao encantamento bem como ao incômodo de mexer em feridas com suas apresentações de ballet contemporâneo. Como de costume, os temas de cada temporada também não parecem nascer à toa. Em tempos de intolerância (dentre elas, a religiosa), ver diferentes manifestações de espiritualidade e interpretações do sagrado ganharem o palco em forma de coreografia também constroem questionamentos sobre como estamos conduzindo nossa história que se relaciona com o que é considerado divino.

religare23

Lembro quando era criança e assisti ao espetáculo Jangurussu. Apaixonada por ballet, achei que assistiria a mais um espetáculo de dança. Mas o que aconteceu naquele palco foi muito maior. Fiquei em um estado de êxtase ao ver aqueles bailarinos em maio a tambores enormes, reprodução de lixo e repassando a dor e sofrimento em meio a movimentos lindos de dança. Não saí a mesma. Conheci a história do jangurussu, o trabalho do Edisca e quem de fato eram aqueles bailarinos, que ali não faziam apenas uma representação, mas refletiam a própria realidade. Transformou a criança que eu era. E nunca mais saiu da minha memória.

religare22

Em Religare, mais alguns momentos para refletir, como no ato em que é representada a chacina no Carandiru, ou ainda quando você se reconhece como parte da grande cidade indiferente. É também inspiração quando se assiste a anjos, santos e alegorias com seus códigos ritualísticos que muitas vezes se misturam com a dança. Com diz a própria instituição, “a etnicidade e a diversidade cultural abrindo passagem para a percepção sensível do mundo, para o universo paralelo da imaginação. Imaginação que é política quando capaz de instituir novos sentidos para a vida à revelia do visível, da ordem estabelecida, do que parece imutável, natural, impossível de mudar”.

Espetáculo Religare – Edisca

Local: Teatro do Shopping Via Sul
Endereço: Av. Washington Soares, 4335.
Data: 04 a 06 e 11 a 13 de setembro de 2015
Horários: Às sextas-feiras às 21h, sábados às 18h e 21h, e domingos às 18h e 20h
Duração: 45 minutos
Classificação indicativa: Livre
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) R$ 20,00 (meia).
Horário da Bilheteria 13h às 22h – de terça a domingo.
Bilheteria Via Sul: (85) 3048-1262

Sobre a Edisca

Escola de Dança e Integração Social para Criança e Adolescente (Edisca) é uma organização formativa em Arte que tem o objetivo de promover o desenvolvimento humano de crianças e adolescentes em circunstância de fragilidade social por meio de uma proposta educacional fundamentada na criatividade, inovação e diversidade.

 

 

 

Bailarinos fora do padrão

Já compartilhei com vocês aqui um pouco da minha história com o ballet. E, nesta história, faz parte uma bailarina totalmente fora do padrão e que os desafiou (e ainda desafia) durante a sua carreira, a Willemara. E também são os padrões que costumam desestimular qualquer um a entrar em um grupo de dança.

O que mais ouço quando falo que voltei ao ballet são comentários em relação a idade, ao corpo, ao tempo, às possibilidades que, na verdade, nada impedem a começar uma nova atividade, a fazer algo por você. Aqui, reuni quatro histórias de bailarinos clássicos que venceram diferentes tipos de preconceito e romperam com os padrões alcançando o reconhecimento pelo esforço, técnica e vontade. Me ajudou muito ao escrever, quem sabe também inspire vocês!

 

Sergei Polunin

Sergei-Polunin-09

Sergei é o verdadeiro “bad boy” do ballet. Indo na contramão dos padrões, o bailarino ucraniano tem o corpo repleto de tattoos, algo até então totalmente impensável entre as escolas mais tradicionais. E as cicatrizes no peito foram feitas por ele próprio, movido pela estética das marcas na pele. Mas Sergei tornou-se o bailarino principal mais novo da história do Royal Ballet, com apenas 19 anos, posto que largou em 2012, para dançar no Stanislavsky Music Theatre. Com uma imagem tão forte, não é de se espantar ainda que ele tenha virado um queridinho do mundo da moda, sendo fotografado por Gus Van Sant, aparecendo na campanha outono/inverno de 2014 da grife Marc Jacobs e participando de diversos editoriais.

Recentemente, Sergei protagonizou um impressionante vídeo, dirigido por David Lachapele, conduzido pela canção “Take me to church” e mostra o balé clássico visto de um modo até então inusitado. O videoclip original transmitia uma mensagem contra a homofobia, sendo protagonizado por um casal do mesmo sexo e servindo também para alertar as pessoas para ao aumento de ataques contra os homossexuais na Rússia.

 

 

Misty Copeland

76fbff9c24b3167a17518aabe534a0bb

 

Misty começou no ballet já quebrando paradigmas, uma vez que fez sua primeira aula aos 13 anos (considerado tarde para quem deseja uma carreira profissional na dança). Além disso, o seu corpo atlético e com estatura mais baixa do que bailarinas clássicas a fizeram ter que enfrentar o modelo tradicional. Misty também enfrentou o preconceito por ser negra. E com toda a força fez história no mundo do ballet ao se tornar a primeira bailarina negra a integrar  o corpo de baile do corpo do American Ballet Theatre. Aos 32 anos, Misty foi promovida a uma das primeiras-bailarinas do grupo.  A companhia de dança anunciou esta promoção depois da estreia de Misty como protagonista de “O Lago dos Cisnes” – um dos papéis mais importantes para uma bailarina.

Aos seus 32 anos, a bailarina Misty Copeland tem uma lista impressionante de conquistas pessoais: ela foi considerada pela revista TIME como uma das 100 pessoas mais influentes de 2015, escreveu um best seller contando da sua trajetória, a sua propaganda para Under Armour (vídeo abaixo) já foi visualizada mais de 8 milhões de vezes e o seu alcance no Instagram é de mais de 600 mil pessoas.

 

Precious Adams

cccc7a5f563840e1b6d6bfa5e3c0d580

Precious Adams estudou no The Bolshoi Ballet Academy, na Rússia, e ouviu de um professor para deixar a sala por ser negra. Também disseram para ela lavar a pele, para a cor sair. Em uma daquelas belas surpresas da vida, foi uma das vencedoras do Prix de Lausanne, ficou em segundo lugar, conseguiu uma bolsa de estudos e hoje faz parte do corpo de baile do English National Ballet. Talvez esse tenha sido um dos maiores avanços no mundo do ballet em relação ao racismo.

Michaela Deprince

6859f4c539bced64830a679532a0c1e2

De todas as histórias, talvez a de Michaela seja a mais impressionante e emocionante. O preconceito que ela teve de enfrentar não foi somente no ballet, mas toda a vida dessa garota foi de luta! Até tentei, mas não dá para resumir a história dela em poucas linhas.

Michaela DePrince nasceu em Serra Leoa em 1995. Os pais dela a batizaram com o nome de Mabinty, mas, depois que os dois morreram na guerra civil do país africano, ela foi enviada a um orfanato onde era conhecida apenas como um número. ‘Eles nos chamavam de um a 27. Um era a criança favorita do orfanato e 27 era a menos favorita’, contou a bailarina à BBC. Michaela era a criança número 27, pois sofre de vitiligo, um problema de saúde no qual partes da pele perdem a pigmentação. Para as ‘titias’ que dirigiam o orfanato, a doença era prova de que um espírito do mal estava na criança.

Um dia, o orfanato recebeu um alerta de que seria bombardeado e as crianças foram levadas para um campo de refugiados. No campo, Michaela ficou sabendo que ela e sua amiga seriam adotadas. Uma mulher americana chamada Elaine DePrince tinha vindo ao campo para adotar a criança número 26, que recebeu o nome de Mia. Mas, quando as responsáveis pelo orfanato disseram que Michaela provavelmente não seria adotada, Elaine resolveu adotá-la também.

Vendo o encanto de Michaela pelo mundo do ballet, Elaine matriculou a menina de cinco anos em uma escola de dança na Filadélfia. No entanto, Michaela continuava tímida, devido ao vitiligo e até se cobria com blusas para esconder o problema. Ao perguntar para a professora se o vitiligo iria prejudicar a carreira, Michaela teve uma boa surpresa. A professora não tinha notado o vitiligo, pois apenas prestava atenção aos passos da aluna.

Agora com 20 anos, Michaela completou recentemente uma turnê com a companhia Dance Theatre do Harlem, onde muitos dos bailarinos são afro-americanos ou mestiços. A bailarina ainda lançou um livro, “hope in a ballet shoe” (traduzido no Brasil como “A Menina que se Chamava N.º 27”), no qual conta a sua história.