Desenroladas


2017 e uma nova Globeleza

Eu não achei que viveria para ver a Globeleza ser reinventada e ressignificada. Mas que bom que vivi e estou vendo!

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É o seguinte: a vinheta da Globo  para o Carnaval trouxe, durante 30 anos, uma mulher negra, nua e sambando. A chamada “Globeleza” durante todos esses anos era apresentada como representação da mulher brasileira, cheia de “gingado” e “sensualidade”. Tudo errado desde sempre! Mas quem imaginou que chegaríamos ao tempo em que essa mulher seria apresentada de uma outra maneira?

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Curso jornalismo de moda com Camila Yahn: como foi

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Existem investimentos que sempre vale a pena considerar fazer: viagens e conhecimento. Foi ciente disso que, há alguns dias, resolvi investir em um curso de “Jornalismo de Moda” promovido pelo Instituto Rio Moda, no Rio de Janeiro. O nome da palestrante era Camila Yahn, editora de duas plataformas de conteúdo que adoro e consumo, o portal FFW e a revista FFW Mag. Eu tinha onde ficar, contei ali os trocados, me inscrevi e parti para a cidade maravilhosa.

Apesar da ansiedade em conhecer a editora, sabia que estava investindo também em uma “refresh” na mente profissional mais do que em novidades dentro do que já vivi como jornalista cobrindo moda. Além, claro, de uns dias exercitando a “carioquisse”. O contato com a Camila, eu imaginava, seria o super trunfo do curso. E de fato foi!

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Camila tem uma história muito bacana dentro do jornalismo de moda. Formada em artes cênicas, tornou-se amiga de Erika Palomino nas noites eletrônicas paulistanas e, aos 25 anos, foi trabalhar ao lado dela na coluna da Folha. Foi ao lado de Erika que Camila aprendeu muito sobre coberturas e, principalmente, sobre identidade na escrita e crítica de moda. Hoje, aos 41, edita o portal e a revista sempre com um olhar múltiplo para a moda e atento aos movimentos comportamentais contemporâneos.

Durante as aulas, Camila passeou pela sua trajetória, pela história das publicações de moda, pelas possibilidades dentro de uma cobertura de moda, pelos assuntos que a moda costuma abranger, pelas referências que é preciso pesquisar e, finalmente, pela crítica de moda. Um conteúdo super bacana mas que, no entanto, acrescenta muito mais a um iniciante no mercado (como de fato era formada a maioria dos alunos). Os olhos deles brilhavam e notava abrir bastante a cabeça deles para todas as possibilidades dentro do jornalismo de moda.

Para mim, valeu o contato com a Camila e a possibilidade de uma troca tão próxima com alguém como ela. Ao final, escrevi uma crítica de um desfile do Ronaldo Fraga (que postarei aqui) e pude partilhar do meu texto com ela. Saí orgulhosa do trabalho e feliz com os elogios da editora.

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Porém, mesmo com toda a carga positiva de quem ministrou o curso, senti que o investimento foi muito alto para o que foi ofertado. Acostumada a cursos de moda em Fortaleza como o Maxi Moda, a Limonar e até o recém-criado curso da Voir Image, fui pega de surpresa com uma estrutura bem precária do local selecionado para o workshop. Cadeiras ultra-desconfortáveis e sem braço de apoio, ambiente barulhento (estava, inclusive, em obras no primeiro dia), lanche fraco, zero material gráfico (zero mesmo, nem um mísero bloco de papel) e sem certificado ao final do curso. Valorizo meu suado dinheirinho e sei como pequenos detalhes podem fazer a diferença na hora de conquistar um público.

Sendo assim, caso escolha fazer algum curso pelo Instituto Rio Moda, acredito valer a pena colocar na balança se, de fato, o que será ofertado de conteúdo irá compensar a ausência de estrutura. No meu caso, valeu pela troca com a Camila. Em outros, repensaria o investimento.

Fotos: Paola Azevedo para Instituto Rio Moda

Maxi Moda 2016: seja a mudança

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Mais uma edição do Maxi Moda e mais uma chuva de informação. Participamos novamente do ciclo de palestras sobre negócios de moda e buscamos absorver o máximo de conhecimento dos convidados, que nessa edição trouxe muitas experiências pessoais e histórias inspiradoras de carreira. Seja pela veia empreendedora ou pelo reconhecimento por grandes marcas, os palestrastes mostraram que o mercado de moda ainda tem muito a ser explorado e segue sua regra máxima: a mudança move o mundo.

VITORINO CAMPOS: a regra é não ter regra

Maxi Moda 2016 (4)Não pegamos a palestra completa de Vitorino Campos, mas assistimos a parte do debate entre ele e Raphael Costa, da Livo Eyewear. Mesmo apenas no bate-papo, Vitorino conseguiu inspirar em respostas com conteúdo e boas ideias, mostrando que o trabalho com moda, assim como qualquer outro, não se faz sozinho.

“O que é o luxo? O luxo caminha por várias plataformas, não é somente a matéria prima, é também a ideia depositada naquele processo. A ideia também é um luxo”.
“Soluções para a pirataria também é buscar deixar o trabalho ainda mais artesanal.”
“A comunicação interna de uma marca deve ser muito próxima entre o marketing e o estilo. Brigo muito com a pessoa do MKT da Animale, mas isso faz parte da construção da marca, pois tudo tem que estar alinhado. Nos falamos o tempo todo”
“Fiz parte da decisão da Animale deixar de participar de uma edição da SPFW. A proposta era para organizar a produção. A gente demorava cerca de 8 meses para produzir as peças conceituais desfiladas e distribuir para as lojas. A estratégia agora é desfilar o verão e já ter a coleção pronta para ser distribuída no dia seguinte do desfile”.
“Minha regra é não ter regra e isso faz parte da identidade da minha marca. A mudança é a minha identidade”.

TORTA DE CLIMÃO: Durante o debate, surgiu uma pergunta sobre o trabalho das bloggers com marcas de moda. A resposta foram longos minutos constrangedores de risadas de Raphael, da Livo. Soou arrogante e mal educado.

PAULO PEDÓ: moda, arte e design

Maxi Moda 2016 (63)A primeira palestra da tarde foi com Paulo Pedó, diretor da marca Melissa. A apresentação foi impecável, passeando pela história da marca até a internacionalização, falando também sobre as colaborações e demais projetos da marca de calçados de plástico. Com vídeos inspiradores (apesar de alguns questionáveis), Paulo fez uma apresentação leve e que rendeu bons insights.

“Na minha época de publicitário, tudo se resumia a uma boa verba e uma boa campanha. Hoje não, hoje você precisa ter um diálogo com o consumidor”.
“A Melissa se constrói a partir de três pilares: MODA + ARTE + DESIGN”
Curiosidade sobre o nome: a agência apresentou uma série de nomes femininos e o Melissa foi o escolhido. Simples assim.
Construção de love mark: amor + respeito.
Processo de internacionalização da marca: passar imagem não estereotipada do Brasil, levando o bom humor, alto astral, colorido e adaptabilidade do povo.
Galeria Melissa: primeira concept Store da Oscar Freire.
“Não fechamos parceria com grandes marcas que fogem da proposta da Melissa, como Louis Vuitton, por exemplo. Você precisa fazer escolhas quando se fala de branding.”
“No fundo, a gente faz algo para conectar pessoas”
“Tudo na Melissa é feito em colaboração” – o poder do coletivo e a tendência de co-branding, na qual a Melissa foi uma das pioneiras no Brasil e no mundo.
“Quem gosta de moda não fala de moda. Fala de arte, design, cultura, comportamento… E expressa isso tudo na moda.”
Sobre se manter fiel ao conceito da marca: “o consumidor quer verdade”
“A vida e a renovação das marcas passa pelas pessoas.”

RESPOSTAS VAGAS: Durante o debate, Paulo foi questionado (inclusive por nós) sobre o movimento “sem gênero”, uma vez que a Melissa tem apostado em tamanhos maiores e conquistando o público masculino. Paulo não soube responder de que forma isso nasceu dentro da marca e seguiu separando criações entre feminino e masculino. Além disso, a questão da sustentabilidade foi levantada, já que na palestra ele exibiu um vídeo que enaltecia a Melissa como uma marca vegan por ser “100% plástico”. O discurso não batia com o impacto ambiental causado pela matéria-prima dos produtos e ele também não soube responder efetivamente. Ficou vago.

ALICE FERRAZ: consistência e relevância

Alice Ferraz (1)Alice subiu ao palco pronta para um grande bate-papo sobre o FHits e o trabalho com as bloggers brasileiras que fazem parte do inovador veículo. Simpática e com um discurso muito coerente, mostrou o seu espírito empreendedor e mostrou o seu método de trabalho. Iniciando com apenas 5 bloggers, hoje o FHits conta com uma rede bem mais de influenciadoras e está de olhos abertos para as youtubers.

“F*Hits nasceu como um serviço único no mundo. O que existe hoje, lá fora, são as “multi channel networks” de youtubers. Mas nada exatamente como o FHits.
“Não é só vender produto. É fazer um conteúdo no qual ele está inserido, transmitindo verdade”.
Branded content:  “a conversão é muito mais importante do que o número de seguidores”.
Curadoria + blogs = relevância
Identificação: “a blogueira é o espelho da menina que a lê”.
“As influenciadoras digitais não são IT girls, são veículos de moda”.
“O brasileiro compra porque gosta de se divertir. Comprar é entretenimento. To have fun”.
Segredo do bom conteúdo: consistência + relevância

RACHEL MAIA: uma das faces da diversidade

Maxi Moda 2016 (117)A palestra da Rachel era uma das mais esperadas da noite e, apesar de muito inspiradora por conta da história de vida da Rachel, teve poucos insights relacionados à negócios. Rachel falou bastante sobre empoderamento, principalmente feminino, enquanto citava seus desafios na profissão à frente da Pandora. Das palavras de Rachel, a que ficou marcada foi: “eu não me calo, eu não me intimido”.  Girl Power!

Aproveita e vem ver outros clicks do evento:

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