Desenroladas


Modelo de sucesso – entrevista com Gabriel Marques

Nove meses. Este foi o espaço de tempo necessário para um garoto carioca deixar de lado a vontade de cursar Comunicação Social para entrar com o pé direito no mercado da moda

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O rapaz em questão é Gabriel Marques, 19 anos. Ele reside atualmente em Nova Iorque e coleciona trabalhos com “pesos-pesados” do cenário fashion.

Revistas como Vogue Paris e Dazed & Confused e marcas como Saint Laurent e Diesel se renderam à beleza singular de Gabriel – um estilo retrô, com pitadas de rockstar da década de 60. Às vésperas de uma viagem à Paris, ele conversou com exclusividade com a coluna e contou sobre a verdadeira revolução que a moda trouxe para a sua vida.

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Como e quando começou a trabalhar como modelo?

Trabalho como modelo desde que cheguei em Nova Iorque, em Março de 2014. No início foi ideia da minha irmã que me aconselhou a tentar entrar no meio, tirou algumas fotos minhas e fomos visitar agências na cidade.

Como foi trocar o Rio por NY?

Acho que no momento está sendo ótimo. A mudança é um tanto impactante em certos aspectos, mas as grandes cidades sempre têm semelhanças muito significativas, então não é nada muito absurdo. Em Nova Iorque existem mais oportunidades nos meios pelos quais eu me interesso e pessoas de interesses mais variados em geral. Mas sempre existe saudade de amigos e família. O Rio é um lugar incrível mesmo, mas é interessante perceber que comecei a apreciá-lo de maneira diferente desde que me mudei – o que me agrada muito igualmente.

De todos os trabalhos, qual foi o mais marcante?

Foi o desfile da Saint Laurent, pela experiência toda. Pude ir para Paris, conhecer um pouco da cidade, conhecer um ambiente de maiores dimensões e comecei uma boa amizade.

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E sua relação com a música, como teve início?

Com cerca de 11 ou 12 anos comecei a tocar violão e ouvir música por influências bem óbvias como o filme “Escola de Rock” (2003), Beatles e Deep Purple.

É verdade que você aprendeu a tocar guitarra sozinho? Quem são os músicos ou bandas que o inspiram?

Na verdade meu pai me ensinou a tocar violão. Quando eu quis aprender não tive aulas formais, foi tudo em casa mesmo. É difícil falar assim, mas me atrai muito uma beleza melódica ou até romântica, então nomes como Beatles, Yes, Milton Nascimento, Luis Alberto Spinetta, Of Montreal, Ravi Shankar, El Kinto e Debussy.

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Frequentemente seu visual é comparado ao dos músicos da geração dos anos 60/70. Existe essa relação?

Sim, com certeza. Sempre achei o visual de 1966 a 1969 o mais elegante possível.

No Rio você tinha o projeto musical Nuvem. Continua compondo para ele ou tem outro projeto em NY?

O Nuvem é o projeto principal que eu tenho desenvolvido, no sentido que é onde eu coloco as músicas que realmente expressam aquilo que eu quero em todos os sentidos. Mas venho participando de outros projetos com músicos que conheci em NY porque o meu parceiro no Nuvem ainda não se mudou para os Estados Unidos.

Que paralelo você faz entre a moda e da música?

Não sei dizer sobre paralelos entre o mercado e até mesmo sobre a produção. Talvez o fato de tudo estar muito guiado por mídias sociais e a comercialização de “lifestyle” (estilo de vida), mas aí não se restringe à música e à moda. Acho que pessoas que relacionaram ambas as indústrias de moda e música de maneira mais interessante seriam David Bowie, Patti Smith e Kanye West – nesse sentido ele é bem original.

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Quais os seus lugares favoritos em NY para descobrir bandas?

Brooklyn Night Bazaar, The Stone, Art Café, Palisades e Bowery Electric.

Quais as últimas cinco bandas que ouviu e gostou?

Real Estate, M. Takara, Henrique Diaz, Mc Hollywood e Mc Bin Laden.

Cobertura Couromoda – tendências de sapatos para inverno 2015

A Couromoda reuniu as tendências de sapatos e acessórios que devem tomar conta das vitrines na próxima temporada. O conforto ganha destaque para atender as demandas da mulher contemporânea

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Campanha da Cravo & Canela revela o desejo para a próxima estação: conforto e estilo

Quantas vezes você já começou a montar um look pelos pés? Antes meros complementos, os calçados ganham cada vez mais destaque, inclusive com status de protagonistas. A Couromoda 2015, que aconteceu entre 11 e 14 desse mês em São Paulo (SP), reuniu algumas das principais empresas do setor no País.

Marcas como Arezzo, Schutz, Cravo&Canela, Capodarte, Cavalera e Lilly’s Closet estiveram no evento para apresentar sua apostas de Inverno 2015.

Novidades

No geral, a grande novidade para a próxima estação são os calçados mais ousados, com misturas de materiais, estilos e texturas.Algumas tendências já consolidadas no mercado permanecem na temporada invernal, sendo ainda mais exploradas visualmente.

Praticidade sem perder o estilo: o conforto permeia as tendências de sapatos. A Cravo&Canela aposta em botas super confortáveis, com saltos grossos ou sem salto. Cadarços coloridos dão um charme extra aos itens

Praticidade sem perder o estilo: o conforto permeia as tendências de sapatos. A Cravo&Canela aposta em botas super confortáveis, com saltos grossos ou sem salto. Cadarços coloridos dão um charme extra aos itens

É o caso do “folk” (do inglês, “folclore”), estilo que reúne referências que vão do country, com direito a botas de cowboy, à cultura indígena norte-americana, com muitas franjas e tons terrosos. Chocolate, caramelo e café integram boa parte das cartelas de cores, deixando os designs atuais ainda mais próximos de referências vintage.

Em referência ao universo "college", modelos clássicos como os mocassins surgem para a próxima temporada

Em referência ao universo “college”, modelos clássicos como os mocassins surgem para a próxima temporada

A tendência “worker” também é muito presente e aparece, principalmente, nos solados mais pesados de sapatos e botas que lembram o estilo usado por lenhadores e caçadores, principalmente para a ala masculina.

Tendências

Com “ar” de anos 50, referências do universo “college” e da moda masculina inspiram releituras de modelos clássicos como mocassins e oxfords. O diferencial fica por conta de detalhes inusitados, como a aplicação de tachas e solados brancos emborrachados, que trazem um “toque” de “streetwear”. Em uma onda “street college”, os tênis (femininos e masculinos) aparecem com canos altos, médios e baixos.

Sapatos com solados brancos são destaque na temporada e integram a coleção Inverno 2015 da Capodarte

Sapatos com solados brancos são destaque na temporada e integram a coleção Inverno 2015 da Capodarte

Nesse embarque a décadas passadas, a moda dos anos 90 é responsável pelo grande destaque da temporada: a consolidação da onda “sneaker”. Os tênis bem esportivos ganham aplicações de tweed, efeitos metalizados e estampas de impacto como o animal print e também o camuflado.

Bota com solado tratorado verde musgo da marca Carrano faz referência ao militarismo

Bota com solado tratorado verde musgo da marca Carrano faz referência ao militarismo

Aliás, o militarismo é mais um estilo que retorna para o inverno, com seus tons verdes fechados e muitas aplicações.

Bolsas

Já as bolsas estão em movimentos opostos: por um lado, modelos minimalistas e geométricos com tons sóbrios e shapes clássicos. Do outro, estão itens mais moderninhos, com referências pop, cores fortes e estampas divertidas, invadindo peças como as mochilas.

Inspiradas na "pop art", as mochilas da Bonne trazem utilitarismo e um toque divertido à temporada

Inspiradas na “pop art”, as mochilas da Bonne trazem utilitarismo e um toque divertido à temporada

Mas o mais interessante é observar que, de modo geral, os produtos estão caminhando rumo ao utilitarismo, com foco no conforto. A ideia principal é atender à demanda por praticidade para a mulher dos tempos atuais: cada vez mais atarefada em seu dia a dia e, claro, que não pensa duas vezes antes de descer do salto para calçar um tênis cheio de estilo.

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campanha Cravo & Canela

Especialistas indicam livros de moda

Para ampliar ainda mais a sua visão de moda neste ano, pesquisadores da  área indicam os livros mais interessantes e curiosos, entre clássicos e lançamentos

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Foto: Lucas Menezes

Mais do que assistir a desfiles ou saber a última tendência, estudar moda exige um conhecimento plural. Para atualizar (ou rechear ainda mais) a biblioteca neste ano, um time de pesquisadores de diferentes áreas relacionadas ao universo fashion indicam seus títulos favoritos.

Raquel Medeiros, professora universitária e gerente de marketing Florinda e Famel, passeia por livros voltados para estudos de mercado e semiótica. “Para buscar teorias e aplicá-las ao universo da moda, tão carente de estudos metodológicos”, reflete. Já Tânia Dourado, linguista e publicitária Doutora em linguagem e comunicação de moda, indica publicações com proposta multidisciplinar. “Um acervo não apenas eclético, mas coerente com alguém que estuda o discurso da moda como constituinte do sujeito moderno”, observa.

André Albuquerque, diretor administrativo e de marketing do grupo Meia Sola, lança um olhar que envolve música, arte e fotografia. “Muitas pessoas acreditam que a moda é apenas uma imposição da indústria sobre como devemos nos vestir”, pondera. Mariella Fassanaro, personal Stylist, seguiu um caminho relacionado a seu campo de atuação: “vestir gente com liberdade, sem seguir tendências cegamente”, orienta. Finalmente, Jackson Araújo, jornalista e pesquisador, também traz seu olhar. “Nossa relação mais importante, e que se reflete diretamente em como nos comportamos, é e será com as cidades”, adianta.

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Foto: Lucas Menezes

Tânia é linguista e publicitária Doutora em linguagem e comunicação de moda Foto: Lucas Menezes

David Bowie – vários autores
“Esse livro é uma referência da exposição David Bowie, que aconteceu no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, no inicio de 2014. Aqui, as múltiplas identidades do artista que influenciou a cultura durante décadas. Seu visual, seu estilo, suas atitudes”

O pintor da vida moderna – Charles Baudelaire
“Esse livro é uma preciosidade, uma referência canônica para quem se interessa em compreender melhor a noção de modernidade em moda, arte e literatura. O livro é todo ilustrado e traz também o conto ‘O homem na multidão’, de Edgar Allan Poe”.

O paraíso das damas – Émile Zola
“Esse romance retrata a efervescência da moda, em Paris, no século XIX. A narrativa é ambientada dentro de uma loja, permitindo ao leitor mergulhar nas regras do comércio de moda, a renovação sistemática das tendências”.

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