Desenroladas


Novos ares para Mary

Ao completar 80 anos, o clássico infantil “Mary Poppins” é relançado no Brasil pela editora Cosac Naify, ganha ilustrações do estilista Ronaldo Fraga e vira objeto de desejo no universo da moda

ZOEIRA

Ronaldo Fraga ilustrou a adaptação do clássico infantil Mary Poppins

Histórias relevantes podem ser contadas através de inúmeras mídias. Em pleno século XXI, com a batalha ensurdecedora de informações em tantos meios, a literatura se destaca pelo extremo oposto – é no silêncio que é estabelecida a conexão única entre o leitor e o livro, tornando essa uma das mais poderosas ferramentas para contar uma boa história.

Apesar de o texto muitas vezes firmar um local no tempo e no espaço, algumas narrativas transcendem barreiras, tornando-se clássicas. É o caso de “Mary Poppins”, da autora australiana Pamela Lyndon Travers, relançado no Brasil neste ano pela editora Cosac Naify.

Completando 80 anos de sua primeira publicação (em 1934, em Londres), a história traz, agora, um forte aliado: o traço brasileiro de Ronaldo Fraga.

A narrativa descritiva de P. L. Travers ganha novos ares com os desenhos do estilista mineiro, transformando-se não só num meio para aguçar a imaginação infantil como também num objeto de desejo entre os fashionistas. A moda está entrelaçada com o livro já no primeiro olhar, com uma “luva” cujo design imita a bolsa da personagem-título.

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As ilustrações carregam uma dose extra de conexão com o universo da costura, tendo sido redesenhadas por meio de bordados com fios soltos. Isabel Lopes Coelho, diretora do núcleo infanto-juvenil da Cosac Naify, conta que a escolha de Ronaldo Fraga aconteceu justamente pela ligação com a moda.

“Ele é um talentoso ilustrador que poderia lidar bem com as descrições das vestimentas e com os detalhes de construção dos personagens, elementos marcantes do texto. Não demos nenhuma orientação específica, mas posso dizer que ele superou nossas expectativas”, diz Isabel.

O fator Disney

Mágica, extremamente perspicaz e com personalidade forte, Mary Poppins é uma babá inglesa trazida pelo vento leste para cuidar das crianças Banks, residentes à Rua Cherry Tree Lane.

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Em 1964, a personagem ganhou corpo e voz no filme homônimo da Disney, protagonizado por Julie Andrews. Os números musicais e as inovações tecnológicas arremataram diversos prêmios e fizeram da película um estrondoso sucesso de bilheteria.

Mesmo assim, há quem veja o “fator Disney” de forma controversa por terem dado à personagem um tom que beira a frivolidade. Para Isabel, esta reedição é uma oportunidade de o leitor brasileiro conhecer a “verdadeira” Mary Poppins.

“Não houve adaptação. A tradução do inglês, feita pelo poeta e romancista Joca Reiners Terron, é integral e fiel ao original da P.L.Travers”, afirma. Então, deixe-se levar pelo vento leste. A encantadora Rua Cherry Tree Lane espera por você.

O autor dos traços

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Foto: Marília Camelo

Como você recebeu esse convite da Cosac Naify? Já havia feito algo parecido antes?
Já havia ilustrado uns três livros, mas este projeto da Cosac é super especial que consiste em anualmente lançar o texto original de um clássico da literatura mundial ilustrado por um artista brasileiro. Ano passado eles lançaram os irmãos Grimm pelo mestre pernambucano J. Borges. Para este ano, me convidaram para ilustrar Mary Poppins. Não conhecia a história, nem nunca tinha assistido ao filme da Disney, que comparado ao texto original é um horror. Amei o texto e claro, a personagem.

Você enxerga diferenças entre ilustrar moda e ilustrar um livro infantil?
São vetores diferentes, mas tanto um quanto o outro funcionam como um tipo de escrita através do traço e de cores.

O processo de criação foi um pouco diferente, já que cada imagem foi costurada em tecido para depois ser fotografada. Explica um pouco melhor como foi esse processo. porque decidiu trabalhar dessa maneira neste livro?
A Mary é muito têxtil e ama moda. Daí a ideia do redesenho das ilustrações através do bordado com fios soltos, como se as imagens voassem com o vento leste. Tudo em p&b para que o leitor fosse o dono das cores deste texto que por si só já é muito imagético.

Tanto quanto suas roupas, as pessoas realmente se apegam a seus croquis, que já ilustraram também uma linha de decoração. porque você acha que seus desenhos despertam tanto desejo? pretende investir ainda mais em ilustrações?
Entrei na moda através do desenho e ainda hoje amo o processo de ilustração. Acredito que o desenho funcione ou deveria funcionar como a assinatura do autor. Tenho muito prazer no exercício interminável de possíveis aplicações dos meus croquis.

Criatividade coletiva

Zoeira

Sócias e colaboradores da Elabore, novo conceito de loja que acaba de ser inaugurada em Fortaleza Foto: Helosa Araújo

Sabemos bem que sobram criativos pela cidade, dispostos a inovar, realizar e começar um projeto cheio de sonhos. O que muitas vezes faltam é oportunidade e incentivo. Abrir um ponto de venda não é das tarefas mais simples e marcas pequenas não têm como investir em uma loja física para vender seus produtos.

Pensando nessa infinidade de pequenas marcas de moda, decoração e outros segmentos, nasceu a Elabore, uma loja colaborativa inaugurada semana passada em Fortaleza. Funciona mais ou menos assim: os colaboradores alugam nichos espalhados pela loja e são responsáveis por customizarem seu espaço e colocarem as peças. Os vendedores são da própria loja e, portanto, representam todas as marcas.

Criação

“Eu costumava participar de bazares pela cidade e nesse meio conheci bastante gente que fazia produtos superlegais e bem profissionais. Como eu já conhecia várias lojas colaborativas de São Paulo, achei que faltava uma em Fortaleza pra unir todo esse pessoal em um só local. Agora, os clientes podem comprar tudo aquilo que viam nas feiras e também online em um ponto fixo na cidade”, revela Andrea Feijó, 28 anos, uma das sócias da Elabore. Ela e Larissa Praxedes, 26 anos, fizeram uma curadoria de todas as parceiras da loja.

Zoeira

“Procuramos marcas originais, com personalidade e que fossem bem profissionais. Também nos preocupamos muito com o mix de produtos a oferecer ao mercado. Então, temos de tudo um pouco, milhares de opções para acervo pessoal e presente, agradando todos os gostos”, destaca a sócia Larissa.

Elaborando

Em cerca de 70 “caixas”, roupas, acessórios e artigos de decoração são divididos em dois andares. E mesmo com um “mix” tão variado, as sócias conseguem identificar qual o público tem mesmo a cara da loja.

“Procuramos marcas bem autorais, mas também quisemos colocar roupas mais comerciais. Portanto, temos produtos para quem quer algo completamente diferente, aquelas roupas exclusivas, assim como também aquelas que estão super em alta”, revela Andrea.

Ou seja, se não gosta de encontrar alguém usando a mesma roupa que você e curte um visual autêntico, que tal apostar nessa ideia nova?

Mais informações
Elabore // Collab Store
Rua Marcos Macêdo, 655 – loja 10. Aberta das 9h às 20h, de segunda a sábado.
Www.Elaborecs.Com.Br
Instagram: @elaborecs

Veja editorial de moda produzido somente com peças da Elabore

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Olhar das ruas

O grafite é uma das principais influências da moda urbana atual, com marcas buscando nas grandes metrópoles a inspiração para continuar lançando tendências e renovar seus produtos

B. Boys

Horas no trânsito, muita correria nas calçadas, comércio a todo vapor, o barulho incessante das grandes metrópoles e o grafite colorindo muros em protesto. Em meio ao caos urbano, não é raro encontrar habitantes descontentes com o ritmo acelerado. Mas há também um grupo “urbanóide” por excelência que vê nesse amontoado de gente e de informação um ambiente extremamente inspirador. E muitas marcas aproveitam para trilhar esse caminho.

É o caso da Natura, que lançou no último dia 27, em São Paulo, o perfume #urbano em uma festa que reuniu ícones da cultura “street” como os dançarinos de hip hop, o coletivo de DJs “Vinil é arte”, grafiteiros, truck foods (carrinhos de comida típicos de Nova York) e show d’O Rappa.

grafiteirosJovem urbano

Voltado para o público masculino, o produto traz quatro versões de frasco com artes exclusivas que despertam o olhar para as cidades. Os artistas Does, Paulo Ito e Izu foram os convidados para assinar as diferentes versões da embalagem, que não pode ser previamente escolhida pelo consumidor – o fator surpresa é essencial, segundo a marca, para a conexão com o dia a dia nas grandes cidades.

natura urbano agrupados com embalagem_por_mai14“Afinal, não escolhemos as artes pintadas nos muros”, conta Denise Coutinho, diretora da Unidade de Negócios da Natura. A fragrância combina notas como pimenta rosa e cedro ao inovador akigalawood. O ingrediente exclusivo da Natura é obtido por biotecnologia a partir da matéria-prima patchouli, gerando um frescor aquoso inusitado pela mescla de notas frescas cítricas e herbais com toques de especiarias frias. Como um retrato do jovem urbano, não necessariamente só para os meninos.

Meia Sola e o festival Concreto

ResizeofResizeofmeiasola180544ALTAA Meia Sola, loja multimarcas de acessórios em Fortaleza, inspirou-se nas paredes grafitadas pelo Festival Concreto de Arte Urbana para a campanha de Inverno 2014. Nas imagens, o contraste de uma mulher sofisticada com o urbano desconstruído foi a aposta da grife. A parceria incluiu ainda um outdoor inteiro grafitado, em que o público foi acompanhando a criação do artista Leandro Alves durante uma tarde inteira.

Converse e o projeto “Wall to Wall”

converse_campaign_freo03Com o nome essencialmente ligado ao tênis, é bem claro que a Converse se relacione à arte urbana. O assunto, aliás, é um dos principais abordados no seu blog, que apresenta jovens artistas, comenta intervenções urbanas e demonstra total identificação com esse universo. A marca ainda vai além e promove o projeto “Wall to Wall”, no qual percorre todo o mundo em busca de grandes paredes e convidando grafiteiros para colori-las, como na imagem acima. Nova York, Geórgia, Los Angeles, São Francisco, Beirute, Bélgica, Austin e Barcelona foram alguns dos locais pelos quais os artistas Converse já deixaram seu recado pelos muros: “Sapatos são um tédio. Use tênis” (em tradução livre).

Louis Vuitton e Os Gêmeos

Os GemeosQuem disse que o luxo não conversa com o urbano? A Louis Vuitton foi visionária quando, ainda na década passada, lançou uma linha de bolsas grafitadas por Stephen Sprouse que se tornou uma verdadeira febre. Mais recentemente, a grife fechou uma parceria com três grandes grafiteiros: a japonesa Lady Aiko, o americano Retna e a dupla brasileira Os Gêmeos. Nesse caso, o time foi recrutado para estampar uma linha de lenços da coleção Primavera-Verão 2013 da marca.

Derlon Almeida e o sertão do Ceará

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Por meio do projeto “Ouro Branco”, o pernambucano Derlon Almeida visitou famílias no sertão do Ceará e transformou suas histórias em grandes artes murais. A ideia se desdobrou numa exposição fotográfica (em cartaz na praça Benedito Calixto, em São Paulo) e numa linha de tênis e bolsas assinadas pelo artista em parceria com a VERT, marca de acessórios sustentáveis (vert-shoes.Com.Br).

Manish Arora e as  cores da Índia

manish arora AH1213030O indiano Manish Arora se inspirou nos grafites de sua cidade, Nova Déli, para a confecção da coleção Inverno 2012. Além de vestidos de festa com paleta psicodélica e estampas inspiradas nas letras dos muros (em estilo “bomber”), o estilista surpreendeu os convidados de seu desfile em Paris ao levar artistas urbanos para a passarela, que executavam em tempo real as artes usadas na coleção.

Adidas e a arte de Jeremy Scott

adidas-originals-by-jeremy-scott-2012-fall-winter-js-slim-graffiti-1Em constante renovação, a Adidas conta com inúmeras parcerias de sucesso, que dão apelo cada vez mais “fashion” aos seus produtos. É o caso das linhas especiais assinadas pela estilista britânica Stella MacCartney, pela marca brasileira Farm e pelo estilista norte-americano Jeremy Scott, que assinou em 2012 calçados com inscrições inspiradas em grafites que remetem ao rock ‘n’ roll.

*a coluna viajou a convite da Natura.