Desenroladas


Conexão com NY

Time de blogueiras cearenses seguiu para a New York Fashion Week com o objetivo de registrar o estilo internacional e levar consigo a moda local

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Quando se começa a fazer parte do circuito da moda, estar presente em alguns eventos se torna um verdadeiro desejo. Participar de uma semana de moda internacional está entre eles, principalmente se for Fashion Week das cidades que carregam tradição no lançamento de tendências no setor, como Paris e Nova York.

Pois um grupo de blogueiras cearenses tem ultrapassado as barreiras e se juntou ao time de editores, modelos, compradores, fotógrafos e, claro, curiosos que circularam na última temporada da New York Fashion Week.
Edith Gomes, que assina o “Tudo com Moda”, junto com Paulinha Sampaio e Rafa Eleutério, do “Take The Trend”, foram para a “Big Apple” registrar e vivenciar todo o burburinho que acontece aos arredores de uma Fashion Week.

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“Não consegui o credenciamento, mas fui ver de perto como tudo funciona”, comenta Edith que topou o convite de Paula para estar na cidade durante o evento, já que a blogger está passando uma temporada na Big City para atualizar seus estudos sobre moda.

“Com o TTT e a Voir image (parceira do blog na criação das imagens), conseguimos levar clientes para fotografar catálogos de moda em outros cenários. Depois da primeira trip, percebemos que podíamos ir durante as semanas de moda, onde conseguimos ainda mais conteúdo”, revela a turma que já cobriu também a semana de moda de Paris.

Street Style

Mesmo sem conseguir o credenciamento para assistir aos desfiles de perto, estar pelos quarteirões que circundam os shows já permite absorver uma grande quantidade de informação fashion.

Conhecido como “Street Style”, a moda que vem das ruas é foco de diversos blogs internacionais que se especializaram nesse tipo de cobertura, como é o caso do “The Sartorialist”, de Scott Schuman, e o “Face Hunter”, de Yvan Rodic.

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Os blogs locais seguiram também essa proposta “Eu fui pra NY para conferir de perto como é o dia a dia de uma das semanas de moda mais importantes do mundo e foquei bastante na parte de street style”, revela Edith.

Clicar quem circulava pelas portas dos desfiles também foi o foco do TTT. “Eu e o Igor Dantas (da Voir), corremos em busca de cliques de personalidades da moda e de pessoas que têm um estilo autêntico”, explica Rafa.

E entre todos esses personagens que compõem a atmosfera de um evento fashionista, algumas características específicas de NY saltaram aos olhos das blogueiras. Toques de ousadia, fidelidade à personalidade e o apuro fashion fizeram parte das particularidades detectadas.

“Ao fotografar street style, pude sentir que a personalidade de cada um é livremente expressada através das roupas. Uma pessoa que curte rock vai ao extremo com isso, através de símbolos exagerados desse estilo, como penteados e roupas extravagantes”, observa Igor.

Moda cearense

Já que a cobertura estava voltada para percepção da moda das ruas, o time de fashion bloggers cearenses também buscou caprichar nas produções. “Uma das minhas ‘regras’ era que queria levar looks de marcas brasileiras e, para isso, comecei a me preparar um mês antes do evento”, diz Edith.

Já para Rafa, o desafio foi ainda maior. Com a proposta de passar um mês apenas vestindo roupas de marcas cearenses, a fotógrafa levou o projeto para NY e pôde carregar a alma da moda alencarina para as ruas da metrópole. E o resultado foi positivo!

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“O trabalho feito a mão, foi o que gerou mais repercussão. Renda, bordados, cores, texturas diferentes. E entre elas, a blusa de renda filé do Mercado Central com a calça midi da Gisela Franck, foi a que teve maior repercussão por aqui. Fotos e vídeos desse look saíram em portais e blogs de moda e até uma ilustração feita pelo francês Damien Cuypers, que desenha personalidades da moda, foi divulgada no portal da T Magazine (Revista do The New York Times)”, comenta a fotógrafa.

Já Paulinha, com a temporada morando na cidade, buscou pesquisar marcas locais e afirma não ter tido medo de ousar nas produções. “Mesmo no dia a dia eu não tenho medo de ousar, gosto de compor looks improváveis e me sinto ainda mais livre durante as semanas de moda”, revela.

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Polêmica

Toda essa personalidade das blogueiras rendeu uma situação inusitada. Uma de suas fotos a caminho de mais um dia de NYFW foi parar em uma conta de Instagram que se intitula humorística, o @nanarude.

O post trazia a legenda “Amei que agora só pode entrar fantasiada na Semana de Moda de New York… Tipo Baile da Vogue, né gente?” e rendeu mais de 700 comentários. Entre eles, palavras de apoio e admiração até alguns mais indelicados e críticos.

As fashionistas, porém, buscaram levar toda a história com bom humor, vendo o lado positivo do episódio. “Eu me diverti. Não vi como ofensivo e até gostei da legenda. Sem contar a publicidade gratuita. Sobre as críticas ruins que li é simples: saia do óbvio, que você será criticado”, comenta Edith.

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O TTT engrossa o coro. “Nós temos consciência de que o nosso trabalho, acaba nos expondo, principalmente nas redes sociais. Mas, de maneira geral, sentimos que os comentários foram positivos”, observam.

Com tantas experiências, as bloggers carregam de volta a Fortaleza novas histórias e ainda mais vontade de seguir além. “As melhores lembranças foram os contatos com pessoas de todos os lugares do mundo, descobrir mais sobre o local que viajamos. E, principalmente, levar por meio do nosso olhar informações e conteúdo de uma das principais capitais da moda para Fortaleza”, sintetiza o time do Take The Trend.

Modelos que tem um “plano B”

Além das passarelas e dos estúdios fotográficos, modelos mostram a importância de pensar a longo prazo num mercado cada vez mais volátil

Poucas são as modelos que conseguem alcançar o status de “top” e ter uma carreira longeva. Junte o ritmo acelerado das semanas de moda, os muitos “nãos” em castings (seleções de trabalho), a atenção rigorosa à alimentação e as longas horas das sessões de fotos e fica fácil compreender porque essa rotina não é feita para qualquer pessoa.

Por isso, uma nova geração vem apostando em “planos B” em ramos bem diversificados, indo muito além das áreas da moda. Da catarinense Ana Claudia Michels, que começou a cursar medicina aos 31 anos, à russa Sasha Pivovarova que é artista plástica, muitos são os exemplos de tops que quebram preconceitos e mostram que são muito mais do que só rostos bonitos.

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Ana Claudia com as anotações do curso de medicina e Sasha com suas artes

É o caso da gaúcha Jessica Pauletto, 24 anos, que entrou no mundo da moda aos 13 anos e, além de arrasar nas passarelas, é também fotógrafa e DJ. Em conversa exclusiva com a coluna, ela conta sua experiência e mostra que, com determinação, é possível conciliar muitas funções.

Você é modelo, fotógrafa e DJ. Qual dessas profissões considera como principal?

Jessica: Minha profissão principal ainda é modelo, mas as outras duas tem ganhado bastante força também . Vou me organizando para fazer todas funcionarem juntas.

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Como surgiu a vontade de começar a fotografar?

Sempre me interessei por arte, em especial a fotografia. Resolvi estudar fotografia, fiz curso no Senac e na Escola de Arte Panamericana. Fotografava por hobby nos backstages, as pessoas começaram a se interessar pelo meu trabalho e a me chamar para fotografar para revistas. Gostei e virou trabalho sério!

E a ideia de montar o duo “Big In Japan”, com a Michelli Provensi, como surgiu?

Morávamos juntas em Tóquio há alguns anos, notamos que tínhamos gosto musical parecido, anos depois nos reencontramos e decidimos fazer a dupla. O nome veio do amor ao Japão. Tocamos indie, rock, nu disco, disco, hip hop… O que fizer dançar!

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Você já sofreu algum tipo de preconceito nessa outras profissões por ser modelo?

Quando comecei a fotografar, principalmente em backstages, as pessoas ficaram confusas e perguntavam “ué, mas você parou de modelar?”. Acho que não estão acostumados com modelos fazendo outras atividades.

Conhece outras modelos que possuem uma profissão “plano B”? Quais as mais comuns?

Sim, tem muitas modelos que fazem faculdade, conheço meninas estudando veterinária, arquitetura e até direito. E também tem outros modelos que se envolveram com fotografia.

Modelos e artistas

Veja mais alguns exemplos de modelos que chegaram ao topo do mercado fashion, mas não deixaram suas paixões artísticas de lado:

Karen Elson – modelo e cantora

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Figura ímpar na indústria da moda pela sua ruivice e olhar melancólico, a top inglesa Karen Elson deixou sua verve artística aflorar durante o casamento com o músico Jack White, ícone do rock contemporâneo. Seu primeiro álbum, “The Ghost Who Walks”, ganhou bastante destaque e chegou a ser usado como trilha sonora de um desfile do estilista Tom Ford, no qual Karen também desfilou. Sua música traz fortes influências do folk que combinam perfeitamente com as letras de amor perdido e com o estilo bucólico da top/cantora.

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Saskia de Brauw – top e artista visual

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A modelo holandesa, de 32 anos, tem uma trajetória curiosa. Começou a carreira ainda adolescente mas, aos 16 anos, decidiu dedicar-se aos estudos sobre arte. Só retornou para a moda aos 29, tornando-se agora uma das modelos mais requisitadas da temporada. Em seu blog, ela escreve contos, poesias e fala de seu cotidiano nas artes, com fotografias e postagens sobre suas exposições. O único assunto que não entra por lá é o seu trabalho “plano A”: ser modelo de sucesso. Acesse: sdebrauw.blogspot.com.br

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Saskia na abertura de sua exposição “The Accidental Fold” no Museu Nacional da Escócia

Moda conectada: conheça os apps favoritos de quatro fashionistas

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O diálogo entre moda e tecnologia é cada vez mais essencial. Convidamos uma turma fashion para contar quais os aplicativos para dispositivos móveis, como celulares e tablets, mais úteis e inspiradores do momento:

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“Meus apps preferidos são aqueles que me inspiram, como o ‘Lookbook.nu’. Seja para o trabalho ou apenas quando eu quero distrair um pouco a cabeça. A vantagem de entrar direto nele (e não no “Chicfeed”, por exemplo) é que você pode filtrar por ‘novidade’, ‘principais perfis’ e ‘looks mais curtidos’.”

Cynthia Araújo, 28 anos, profissional de marketing digital

*O aplicativo é grátis e compatível com iOs e Android

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“Pelo meu trabalho, estou sempre conectada. Destaco o ‘Somebody‘, criado pela cineasta Miranda July para a Miu Miu, como um excelente caso de branding. Além de realizar troca de mensagens, ele é o tema central de um filme homônimo dirigido por July que integra a série ‘Woman’s Tales’ (Contos Femininos) da marca italiana e pode ser visto online: youtube.com/miumiu

Raíssa Deeas, 25 anos, coordenadora de marketing digital

*O “Somebody” é gratuito e compatível com o sistema iOS

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“Acabo entrando pouco no Facebook e Instagram por passar muito tempo zapeando entre vários aplicativos, principalmente os de moda. Gosto muito do MoodLook para ver as produções de street style.”

Dani Gesser, 30 anos, estilista

*Gratuito e compatível com iPhone, iPad e iPod Touch

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“Eu curto o ‘Moda Livre’, que ajuda a saber quais marcas estão trabalhando para não ter mão de obra escrava. O app não diz ‘compre ou não compre’, mas ajuda a fazer uma escolha consciente. Assim, podemos ajudar a fazer um mundo melhor, onde todo mundo tem direitos iguais, né?”

Lu Carvalho, 35 anos, personal stylist

*Disponível gratuitamente para Android e sistema iOS

 

Fotos: WeHeartIt e Arquivo pessoal