Desenroladas


Cores africanas – Angola Fashion Week

A Semana de Moda da Angola chega à sua 18ª edição e ganha reforço de equipe criativa brasileira, como os cearenses Jackson Araújo, consultor criativo e sound stylist do evento, e Patrícia Araújo, fotógrafa oficial

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Uma moda colorida, sensual, com foco na estamparia e na eveningwear. Num primeiro momento poderíamos estar falando da moda brasileira, certo? Pois a Angola Fashion Week tem uma relação ainda maior com o Brasil do que se pode supor.

Para a 18ª edição do evento, a Cia. Paulista de Moda recrutou um time tupiniquim de peso com o objetivo de injetar uma nova proposta conceitual e artística à semana de moda. Consultor Criativo e Sound Stylist da AFW, o jornalista cearense Jackson Araújo conta à coluna como foi essa experiência no outro lado do Oceano Atlântico.

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Modelo Maria Borges desfila para Nadir Tati

Como surgiu a oportunidade de realizar esse trabalho na Angola Fashion Week?

A Cia Paulista de Moda, empresa que há 25 anos trabalha construindo eventos de moda pelo Brasil, foi convidada por Emília Morais, diretora do Angola Fashion Week, para levar sua expertise em montagem e organização de desfiles de moda para dar um upgrade no evento. Assim, Reginaldo Fonseca, diretor da Cia Paulista, montou um time de profissionais que pudessem emprestar sua expertise ao evento, colaborando assim com a internacionalização da marca Angola Fashion Week.

Quem integrou a equipe brasileira no evento?

Reginaldo Fonseca (diretor-executivo dos desfiles e das ações expositivas e cenográficas do evento), Nuno Quental (coordenador dos desfiles, atuando ao lado de Reginaldo Fonseca + 4 produtores da Cia Paulista de Moda), Jackson Araujo (Consultor Criativo e Sound Stylist), Karlla Girotto (Diretora de imagem dos desfiles), Leandro Matulja (Assessor de imprensa do evento no Brasil), André Veloso (Beauty-artist), Renata Simões (Videos), Patricia Araujo (Fotos), Lilian Perotonni (Cenografia + sua equipe de 6 montadores) e Nelson Brás (Light Designer + 1 assistente), totalizando 20 pessoas. E Mais: Dudu Bertholini e Renata Abbade (desfile Neon) e as celebridades Patricia de Jesus, Adriane Galisteu e Paolla de Oliveira.

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Paolla Oliveira foi uma das celebridades convidadas para o evento e desfilou pela Nadir Tati

Antes de embarcar, quais as principais preocupações e expectativas de toda a equipe?

Preocupação maior foi dar corpo à toda a nossa proposta conceitual e artística. Como a Angola importa muita coisa, tivemos que levar grande parte do material cenográfico do Brasil, assim como acessórios de styling (sapatos, tênis, bijoux, plumas, chapéus). A expectativa maior foi não chegar lá como turista, mas procurar enxergar as coleções como um colaborador, apto a mudar alguns conceitos que não coubessem no espaço, nos desfiles, nas trilhas sonoras, respeitando a identidade local e o comportamento angolano.

Já na África, quais foram as primeiras impressões?

Sem dúvida, a beleza, elegância, autoestima, o orgulho de ser africano, de gostar da cultural local e utilizar sua iconografia na moda.

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Materiais diferenciados e silhueta sexy são características da moda angolana. Na foto, a marca Fiu Negro

Quando se pensa em moda africana, remetemos imediatamente às estampas e às cores. Essas características fizeram parte dos destaques da moda apresentada nessa semana por lá? E, para além dessa associação, quais foram as surpresas?

Os tecidos africanos sem dúvida são mesmo o maior traço da moda angolana associados à sensualidade, o gosto pelo glamour e pelo eveningwear. A maior surpresa foi descobrir designers e marcas que utilizam essa informação cultural associada a um cuidado estético ímpar.

A Neon foi convidada a participar do evento. Foi uma sugestão de vocês? E como foi a repercussão da participação da marca por lá?

Sim, uma sugestão nossa exatamente por entender que o trabalho realizado por Dudu Bertholini tem tudo a ver com a exuberância da cultura africana. O desfile foi um sucesso e estabeleceu identificação imediata do público com as cores, estampas e as formas desfiladas.

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A marca brasileira Neon foi convidada para participar do AFW. “Tem tudo a ver com a exuberância africana”, afirma Jackson

E no street style de Angola, o que vocês s observaram de mais interessante?

Em primeiro lugar, a elegância masculina. Muitos rapazes estão nas ruas vestindo terninhos com calças bem sequinhas e mocassim sem meia. São tão estilosos que adotam capacete de equitação para andar de scooters. Um charme. Depois o cuidado com os cabelos. Sejam trançados, black power ou raspados, homens e mulheres estão sempre com a cabeleira em dia. Cada penteado é um espetáculo. O gosto pelas cores vibrantes: laranja é um hit. E pelas estampas africanas, em contraponto ao preto total, que eles também amam. Os ternos masculinos de estampa afro são deslumbrantes.

Qual a avaliação final desse trabalho no Angola Fashion Week?

O que mais encanta é enxergar um time de designers interessados em respeitar a cultura local, entregando para o consumidor, em formato de roupa, esse orgulho de ser africano. A moda africana é viva e maximalista. Torcemos para que a parceria prossiga, pois ainda temos muito para trocar e aprender com os angolanos. O maior ensinamento mesmo é “pra que ter se você não é?”. E eles são! O orgulho de ser africano pode reverberar no mundo o que eles já fazem no formato ateliê, ou seja, a moda feita em pequena escala e sob medida, que tem tudo a ver com o novo luxo.

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Nao.Li.la, marca africana foi destaque no evento

Quem são?

10522202_644270642322303_711041462_nO jornalista Jackson Araújo e a fotógrafa Patrícia Araújo (sim, eles são parentes) são uma dupla de cearenses com o olhar apurado para a moda e tendências de comportamento. Ao lado de uma equipe brasileira de 20 pessoas, invadiram a África e participaram diretamente da organização do Angola Fashion Week. Além dos depoimentos e registros aqui publicados, eles compartilharam tudo pelo instagram @angolafashionweek

PLUS

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Copa, moda e viagem

Não tem jeito! A Copa do Mundo 2014 se tornou assunto nas mais diversas rodas de conversa. Entre gols, pênaltis e impedimentos, montamos uma rota fashion pelos países que se destacaram na primeira fase do mundial

A Copa do Mundo desperta olhares curiosos por lançar uma ampla projeção para diversas localidades ao redor do planeta. Aqui, exploramos o lado fashion dos classificados em primeiro lugar de cada grupo, alguns surpreendendo tanto pelos seus times como por seu apuro na moda. Até o fechamento dessa edição, alguns países já terão sido eliminados do campeonato, mas nem por isso eles precisam sair da sua check-list de lugares a conhecer. Entre museus, espaços históricos, modelos em ascensão, top models, eventos e blogs, pegue seu passaporte e monte seu roteiro.

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País sede da Copa do Mundo 2014, o Brasil ganhou destaque internacional. E, falando de moda brasileira, não há como ignorar a über model Gisele Bündchen. A top está confirmada para entrar no Maracanã e transportar o troféu (guardado em um baú Louis Vuitton) do ganhador da Copa, junto com Ronaldo. Em junho, ela posou para a Vogue Brasil ao lado de Neymar, até então um dos artilheiros do mundial este ano.

Argentina

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Natural de Córdoba, a modelo Magda Laguinge é uma das principais apostas das passarelas da atualidade. Com beleza marcante, ela já estrelou campanhas de Marc Jacobs e Louis Vuitton. Magda é considerada pelo Models.com a 17ª new face mais requisitada do mercado, vive em Nova York e na edição 2014 da São Paulo Fashion Week desfilou para dez grifes.

Costa Rica

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Tal qual Milão, Nova York e Londres, a cidade de San José é palco do Mercedes Benz Fashion Week, uma das grandes semanas de moda mundiais. Recebendo o evento fashion desde o ano passado, Costa Rica apresenta-se como uma vitrine para designers que muitas vezes não são conhecidos pelo público em geral, bem como grandes estilistas e marcas já renomadas nos principais círculos da moda internacional.

Bélgica

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Visionária, a moda produzida na Bélgica é tida mundialmente como uma das mais inovadoras. Estilistas como Martin Margiela e Dries van Noten ajudaram a catapultar o apuro fashion do país, que hoje pode ser contemplado no Museu da Moda na Antuérpia.

Colômbia

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Sob o conceito de “Transcender limites”, a vigésima-quinta edição da Colombiamoda, a Semana da Moda da Colômbia, acontece no mês de julho em Medellín. Um destaque para a edição de 2014 é que o evento enfatizará os jovens talentos da moda colombiana, com concursos, desfiles em passarelas conceituais e ainda uma parceria com a revista Vogue. No “Vogue Talents Corner”, por exemplo, os jovens estilistas poderão expor suas criações diante de compradores e investidores nacionais e internacionais. Ponto para a Colômbia!

Holanda

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Situado na foz do rio Reno, boa parte do território do país já esteve submerso. Por isso a necessidade dos famosos moinhos e canais que encantam turistas. A capital, Amsterdã, é também conhecida pelo amplo uso de bicicletas como meio de transporte, dando origem à tendência “byke chic”.

Alemanha

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A capital alemã, Berlim, é conhecida pela moda transgressora e pela cultura “underground”. Essa estética única das ruas da cidade influencia estilistas e fashionistas de todo mundo e é também o foco do ótimo blog berlinstreetstyle.de

França

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Um dos maiores patrimônios arquitetônicos do país, o Palácio de Versailles data de 1668 e já chegou a abrigar 20 mil pessoas. Dentre seus hóspedes mais célebres, estão Luís XIV (1638 — 1715) e Maria Antonieta ( 1755 — 1793) que marcaram a história da moda por mostrarem ousadia e inovação em suas épocas.

Jeans do futuro: tendências para o Inverno 2015

Símbolo da juventude e do estilo casual, o jeans é renovado a cada estação para garantir seu espaço no futuro da moda

Calça jeans, camiseta branca, jaqueta de couro preta e muita atitude. Essa combinação se consolidou como a imagem dos jovens rebeldes norte-americanos nos anos 50, muito por conta de filmes como “O Selvagem” (1954), “Juventude transviada” (1955) e “Acossado” (1959).

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A atriz Jean Seberg, estrela do filme “Acossado” de Jean-Luc Godard

Ícone da moda casual, hoje a calça jeans é considerada um item básico do vestuário e figura no armário de grande parte da população mundial.

Inicialmente usado somente por marinheiros e operários por ser um tecido resistente, o jeans trilhou um longo caminho até cair nas graças do público. Ele passou por movimentos underground, como o punk rock e o grunge; virou inspiração para as passarelas de luxo em Paris, como Chanel e Jean Paul Gaultier; e até invadiu as praias brasileiras, com biquínis e maiôs de marcas como Blue Man e Zoomp.

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O jeans nas passarelas das marcas Jean Paul Gaultier e Blue Man

Com seu lugar cativo na história da moda, o jeans se renova a cada estação para garantir um lugar no futuro – aliando a verve criativa dos estilistas aos avanços tecnológicos. Com 45 anos de mercado e sendo uma das maiores indústrias têxteis do mundo, a Vicunha reuniu recentemente imprensa e compradores de todo o País em seu showroom, em São Paulo, para apresentar seus lançamentos de Outono/Inverno 2015. Além de inovações como o jeans com textura de moletom e o “ecotingimento” (com redução da água usada no processo), a Vicunha apresentou quatro macro tendências que devem dominar o setor no próximo ano. Nós estivemos por lá e registramos tudo. Fiquem por dentro!

Stay true

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Jardineira jeans no desfile da Vicunha/ A Vicunha também aposta no patchwork com jeans

Relacionada à busca pela natureza e por uma consciência holística dos ciclos de vida, essa macro tendência traz uma estética mais “crua”, com ares vintage, e primando pelo conforto. Seus pontos fortes são jeans 100%, estamparia floral, patchwork, modelagem oversize (mais ampla) e lavagens que imitam o efeito da terra no tecido.

Creative Nest

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A Vicunha aposta na combinação de tons pastel/ O visual minimalista de Emmanuelle Alt, editora- chefe da Vogue Paris /Modelagem inovadora e despojada na calça jeans da Beautiful Dreamers

Essa tendência mostra que o hedonismo moderno encontra sua tradução visual num estilo despojado, com estética simples e peças amplas e confortáveis, como os pijamas. Aqui o jeans vem nas lavagens mais claras, com toque suave, tons pastel e detalhes puídos. Mas nada de romantismo! A “pegada” aqui é moderna, minimalista e intelectual, seguindo a cartilha do “menos é mais” e do livro “Ócio Criativo”, de Domenico de Masi.

Urban Race

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A fotógrafa Marlen Stahlhut e seu estilo “Urban Race”/No Inverno 2015 da Vicunha, o jeans ganha tanto uma lavagem de tie-dye como o aspecto de couro

O ritmo acelerado das grandes metrópoles dita essa tendência, que é um híbrido de diversas culturas e busca inspiração no pulso criativo dos jovens imigrantes. Aqui vemos a clássica combinação de preto e branco, assim como cores primárias como vermelho, amarelo e azul. O diferencial fica por conta da referência esportiva. Toda essa fusão resulta em listras, tie-dye, muita elasticidade, brilho, efeitos resinados e de couro no jeans wear.

Dark is so good

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Visual “total denim” com lavagens diferenciadas na passarela/ O Inverno 2014 da Diesel Black Gold também é dark

Com energia do rock ‘n’ roll, essa tendência reúne também referências do cinema como “Malévola” (2014) e “Jovens Bruxas” (1996). Jeans escuros, resinados, elásticos e com efeito metalizados têm lugar cativo para essa turma.