Desenroladas


Praia de Iracema é a nossa praia

Nascida e criada no litoral cearense, na capital, eu lembro bem de chegar em outras praias pelo país e pelo mundo e pensar: “como assim as pessoas levam suas coisas para a praia, ficam deitadas na areia e só isso? Que sem graça!”. Explico: a Praia do Futuro, em Fortaleza, é tomada por barracas que proporcionam uma estrutura de serviços de alimentação, cadeiras, mesas, guarda-sol, banheiros e outras até piscinas e ‘áreas de lazer’. Me acostumei com praia assim, em que chegávamos, comíamos e íamos embora. Muitas vezes, inclusive, sem nem ver o mar ou pisar na areia.

Acontece que a cidade voltou a reconhecer um outro cantinho como a sua praia, a Praia da Iracema/Beira Mar. Por anos considerada uma “não-praia” por uma ideia de que o mar era sujo ou qualquer outra razão, já tem um tempo que as areias e as águas daquelas bandas vem sendo tomadas por frequentadores assíduos e apaixonados. Enquanto um lado da cidade promoveu uma ideia elitista, com suas megaestruturas e com diversos registros de preconceito sofrido por clientes em barracas, além de uma proposta abusiva de que a praia é só para quem pode pagar, veio a P.I com a ideia democrática de que a praia, de fato, é de todos.

Não, o mar de lá não é sujo. E quem comprova é o boletim de balneabilidade da Semace que é sempre atualizado com os pontos da cidade em que o mar está próprio para banho. Além disso, é um ponto sem ondas, que proporciona um banho tranquilo e relaxante. A P.I me ganhou, fez com que mudasse minha ideia de diversão na praia e tem sido uma das melhores opções de despedida do fim de semana.

Reunimos, então, algumas apaixonadas pela P.I para nos contar: por que a Praia de Iracema é a sua praia?

Tay Marcelino

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“Eu nunca fui ‘garota de praia'” eu nunca vi muita graça em ir pra um lugar tomar sol e ficar grudada de maresia e como em Recife minha casa ficava bem longe eu nunca me esforcei muito pra ir. Quando cheguei em Fortaleza, achei muito estranha a ideia da Praia do Futuro aquela coisa privatizada, longe do mar, o estar na praia mas sem de fato estar na praia. Então, desde a reocupação da PI eu venho me apaixonando mais por ela, comecei indo com meu cachorro nas manhã de domingo (ele adora correr, entrar no mar e brincar com os pombos) já era nosso ritual do fim de semana. E esse ano descobri que praia não é só pegar sol, você pode chegar mais no fim da tarde, ver o pôr do sol, encontrar os amigos e falar de como o fim de semana foi ótimo ou se não foi a atmosfera que rola por lá já te dá sinais que a semana que está chegando vai ser melhor. PI é minha praia por que é encontro de amigos, é banho de mar ao pôr do sol, é estar em um lugar da cidade que já foi tão esquecido mas que tem uma mágica própria que te faz querer voltar na próxima semana e na próxima e a foto daquele céu sempre vai ter um astral diferente.”

Flavia Rodrigues

flavia

“Praia livre e democrática. A PI é ponto de encontro das pessoas que vivem a cidade, é mergulho tranquilo e tem pôr do sol arrebatador, com vista para a ponto. É a minha praia, onde estendo minha canga e é tudo lindo!”

Beatriz Gondim

bia

A Praia de Iracema é democrática, e foi isso que me encantou, primeiramente, há 7 anos  quando comecei a frequentar a PI. Isso me encantou mais que o mar calmo e delicioso pra tomar banho. Lá não tem barracas pra te cobrar pelo m² de areia, não tem ambulantes abusivos, me sinto segura, e melhor: me sinto livre pra ser quem eu quiser, Gosto de pensar que estou dividindo a praia com gente diferente, tem velho, tem jovem, tem rico, tem pobre, tem brasileiro, tem gringo, tem motorista, tem ciclista,.. tem de tudo! Hoje, das sensações preferidas que tenho é usar minha boia de poltrona e assistir o sol se pôr detrás da Ponte Metálica, dali de dentro mar faço parte da paisagem, vejo de perto os tons de laranja, rosa e roxo no céu, tocando o mar e em mim! É fantástico ter isso tão acessível! Está sendo fantástico também notar o quanto as pessoas estão frequentando a PI, antes as visitas eram mais solitárias, já hoje encontro muitos amigos em qualquer horário, o fim de tarde dos finais de semana se tornou uma festa!

Day Araújo

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A Praia de Iracema é sair de casa ou do trabalho, pedalar e em cinco minutos pisar na areia. Seja pra apreciar as estrelas na maré enchendo enquanto namora, seja pra fazer exercícios funcionais enquanto assiste o dia amanhecendo, seja pra viver o pôr-do-sol e tomar uma cerveja, um banho de mar quentinho e encontrar pessoas queridas sem marcar ou conhecer novas pessoas, ver o veleiro brilhando lá no fundo e se sentir alegre, assistir às silhuetas da ponte e ter vontade de pular naquela imensidão. É o respiro da cidade no mar, é a arte dos encontros, das possibilidades livres. É voltar pra casa com o coração confortado. É sentir a cidade viva

Instagram: O que muda com a alteração no feed

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Basta dar uma rápida olhada no seu feed do Instagram para perceber que ele está dominado por frases como “Turn On Notifications”. O pedido, que vem de contas de marcas, veículos de imprensa, blogueiros e formadores de opinião, é para que seus seguidores ativem as notificações de seus conteúdos, garantindo que os usuários recebam um alerta a cada nova publicação.

O motivo do “desespero” é a alteração no modo de exibição do feed do Instagram. Para quem também ficou na dúvida do que se trata, a gente explica: assim como o Facebook, o Instagram agora vai mostrar publicações de acordo com a “relevância” daquele conteúdo para o usuário. Por exemplo: se você segue o perfil @desenroladas e costuma curtir e comentar nas postagens, o Instagram considera que você acha estes conteúdos relevantes e vai mostrá-los como prioridade no seu feed. Mas, caso você não curta/comente tanto, o algoritmo do APP vai automaticamente reconhecer este como um conteúdo não tão relevante, deixando-o em segundo plano no seu feed.

A justificativa para alteração no feed de fotos, segundo a plataforma, está no fato de que os usuários não conseguem ver mais de 70% das imagens e vídeos que são publicados.

Ou seja, já não adianta mais somente publicar conteúdos em horários de pico. O desafio é criar conteúdos cada vez mais relevantes para o usuário!

Por isso, para garantir que você não vai perder nenhum conteúdo dos perfis no IG que você mais ama, corre pro APP e ative as notificações! 😉

ATUALIZAÇÃO

Diante da revolta de muitos usuários da plataforma, o Instagram se pronunciou no Twitter a respeito e disse que nenhuma mudança no feed deve acontecer agora. A empresa disse também que promete comunicar oficialmente quando as mudanças ocorrerem. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos…

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Por uma moda mais consciente

Por Joana Maranhão

andré carvalhal

Na última quarta-feira (11.11), rolou uma palestra pra lá de enriquecedora com o head de marketing da Farm, André Carvalhal. O objetivo do evento era apresentar as mudanças quanto à criação, produção, comunicação e venda de roupas, considerando as oportunidades de transformação social e cultural. Assim como, fazer um teaser do novo livro do gestor de marketing, intitulado “Moda como Propósito”, que tem previsão de lançamento para março de 2016.

André começou a noite contando um pouco da sua história profissional e como foi o processo para ele chegar ao entendimento que tem hoje sobre moda e sobre o novo comportamento do consumidor. Para ele, o começo da mudança deu-se em 2012, quando muito se falou sobre o fim do mundo. Ele explicou seu ponto de vista argumentando que foi a partir dali que muitas crises passaram a ser realidade para todo e qualquer ser humano, vide as crises de água, as crises ambientais, as crises políticas, as crises de relações interpessoais e assim por diante. Na sequência, fundamentado pelo diagrama de Paul Baran, ele mostrou como saímos de tempos de centralização de poder, renda e informação para a atual fase de hiperconexão, onde as pessoas tem voz e estão conectadas não só tecnologicamente, mas emocionalmente – o que um ser humano sente aqui afeta outro que está em outra parte do mundo (a Física Quântica e o documentário “I Am” – disponível no Netflix – explicam isso melhor).
A partir daí, ele falou sobre a influência das fast fashion no consumismo exacerbado e nos modelos de negócios de moda que imperaram na atualidade: “as fast fashion banalizaram a moda – deixando de criar desejos, sonhos e aspirações nas pessoas e desqualificando o trabalho de profissionais criadores”. A verdade é que grandes designers – agora atuando como meros funcionários de mega corporações que visam lucro – passaram a ter que criar 12 coleções anuais para manterem as ações dessas empresas em alta – o que enfraquece e pressiona todo e qualquer processo criativo.

Trabalhos, que antes eram valorizados por serem autorais e inovadores, foram reduzidos a produtos, deixando de representar o desejo de expressão das pessoas. “As marcas passam a copiar umas as outras e acabam prestando um desserviço à sociedade – que busca simplesmente se expressar através da vestimenta”, complementa.

No entanto, para o gestor de marketing, comprar não é uma coisa ruim. O capitalismo é um movimento ético, dando possibilidade de escolhas. Por isso, falar de consumo consciente não tem a ver com boicote, mas sim com uma nova maneira de comprar que envolve ética e que devolve para o meio ambiente e para as pessoas (no caso dos trabalhadores ou comunidades/etnias) o que foi tirado deles.

Ele defende que vivemos um momento de expansão de consciência e que este é um caminho sem volta. Assim, uma vez que o consumidor percebeu que precisa fazer escolhas, ele quer se relacionar com empresas que representem os seus valores. Por isso, André diz que a moda tem o papel de servir às pessoas e é algo que deve ser para todo mundo: “A moda é uma forma do indivíduo se colocar no mundo, sendo necessário criar empatia com o ser humano, precisa ser a favor da vida e não predatória pro meio ambiente e nem culturalmente cruel – quando exclui biotipos ou etnias”.

Se pensarmos que para algo se renovar é preciso que haja uma desconstrução do que já existe, vemos uma luz no fim do túnel. Segundo estudos, 1 em cada 7 indivíduos trabalha em uma atividade relacionada a moda. Essa proximidade com a vida das pessoas faz com que a moda seja um poderoso veículo para disseminação de novos conceitos.
Para ele, é com a força dos consumidores que será estimulada essa transformação no mercado da moda, pela mudança de hábitos de consumo. Porém, não sejamos utópicos. No momento é impraticável ser 100% sustentável, porque em algum momento da cadeia produtiva, a marca estará impactando no meio ambiente ou na vida de um cidadão ser recompensá-los.

A ideia, então, é fazer o melhor que se pode com os recursos que se tem. Fazer o que é possível para hoje e sempre questionar e analisar possibilidades de melhorias. E, por fim, entender o que dessa nova era pode ser traduzido para sua realidade – enquanto consumidor e enquanto marca. Lembre-se: cada um de nós faz parte desse movimento de mudança.

Aqui eu vou deixar nomes de alguns projetos, estudos e marcas servem como complementos para o que foi dito, mas que não foram citados no texto acima:
• Documentário “The True Cost” (disponível no Netflix);
• Documentário “Cowspiracy” (disponível no Netflix);
• Marcas de moda: Patagônia, Print All Over Me e Noiga;
• Projetos: Honest by, Nacho Rojo – Couples, Ecoera, Oficina de Estilo, Fashion Revolution, Modices (Carla Lemos) e Um ano sem Zara (Joanna Moura);
• Campanha do Greenpeace sobre detox na moda;
• Vídeo da Box1824: “The Rise of Lowsumerism“.