Desenroladas


Relatos de um coração de bailarina

Como costuma acontecer com as grandes paixões, alguns sentimentos opostos caminham lado a lado. Eu sou apaixonada por ballet clássico e isso definiu a minha relação com essa modalidade de dança durante toda a minha vida. Amor e ódio. Desejo e repulsa. Vontade e preguiça. E essa semana vivi uma experiência que me fez relembrar toda a trajetória dessa relação. Mas antes, vamos voltar aos anos 90.

Eu tinha alguns bem poucos anos de idade quando fui matriculada em uma academia de ballet clássico. Lembro da roupa, da meia, do collant, da rede de cabelo. Lembro também do percurso até lá, de passar por debaixo da catraca do ônibus e ir muito satisfeita até o lugar em que eu aprendia meus primeiros passos na sapatilha de meia ponta. E como a memória é algo que nos ajuda a seguir em frente, só lembro mesmo do que foi bom. Das amigas, de ficar brincando de abrir espacate, de assistir às aulas das alunas mais velhas, do gigantesco espelho da sala, do sonho de subir na ponta, da ansiedade para a apresentação de fim de ano, dos ensaios em casa.

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Mas não lembro da professora gritando no meu ouvido. Não lembro dela reclamando que eu não prestava atenção. Não lembro dela empurrando minhas costas, meu bumbum e minha barriga. Quem lembra disso é minha mãe. E eu lembro dela, minha mãe, perguntando para mim um dia: “filha, você gosta mesmo de dançar ballet ou faz só para se apresentar no festival?”. Eu, exibida, lembro de responder: “por causa do festival”. Assim, ela preferiu me tirar daquela academia para me preservar dos gritos da professora. Me matriculou em outra, mas perdi o interesse. Parei de subir nas sapatilhas antes mesmo de experimentar a tão sonhada ponta.

Agora, convido você a saltar comigo alguns bons anos. Eu trabalhando como caixa na Órbita, uma balada alternativa aqui de Fortaleza. A casa tinha uma tradição de apresentações com a equipe, que foram desde Abba, Show Bar até Village People. Queríamos retomar as apresentações e a Órbita chamou um casal de coreógrafos para nos ensaiar uma música da Beyoncé. Lembro de cada tarde em que passávamos os passos, da sensação de ensaiar com bailarinos profissionais, de evoluir e perceber o meu corpo respondendo melhor a cada aula. Dos elogios dos coreógrafos me incentivando a entrar para um grupo de dança. De experimentar o figurino. E que o palco não foi a glória. Eu não estava mais lá para me apresentar, o prazer estava nos ensaios, na convivência com eles, no exercício de tentar muito até acertar cada movimento. Os nomes deles eram Fauller e Wilemara.

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Não, eu não voltei a dançar. Fui tomada pela rotina do trabalho, da casa, dos estudos. E pela preguiça, pelas desculpas, pela desmotivação. Virei uma bailarina frustrada e meu corpo foi perdendo a elasticidade. Até mês passado. Um post de uma amiga no Facebook me fez entrar na página de uma academia que oferecia ballet para adultos. Ao ver o nome do professor, resolvi stalkear pesquisar sobre quem ele era. Nas fotos da página pessoal, havia uma ao lado de dois rostos conhecidos: Fauller e Wilemara. Não precisava de mais nada. Fiz a aula experimental, me apaixonei, me matriculei e sigo nas aulas três vezes por semana com o professor Marcelo Hortêncio. Vejo, mais uma vez, a evolução no meu corpo, a dor gostosa de tentar esticar um pouco mais a perna, a repetição até conseguir melhorar cada movimento. E a satisfação de me ver mais uma vez naquele espelho gigante na (ainda tentativa de uma) postura de bailarina.

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Foi então que essa semana vi que haveria uma apresentação de um espetáculo sobre a vida e obra de quem eu vinha acompanhando de longe. Cheguei, sentei, fotografei, filme, me emocionei. Era a trajetória da Wilemara, a bailarina mais importante dessa cidade, contada por ela mesma e dirigida pelo Fauller. Na peça, ela executava movimentos que fazemos durante as aulas e eu mal conseguia me segurar na cadeira de empolgação (“ei, então aquilo que eu faço não é a toa”). E eu lá, encantada como cada um era feito com perfeição. Fui cumprimentá-los ao final, lembraram de mim e compartilhei minha atual experiência como aluna de um amigo deles. Acho que comentei o quanto eles eram uma inspiração para mim. Só acho que até hoje não sabem o quanto.

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Espetáculo “Mulata”

Todas as quintas-feiras de abril, a partir das 19 horas. Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Conde D’Eu, 560, Centro). Censura: 10 anos. Entrada franca.

Na cozinha: Salada no pote de vidro

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Refeições práticas, saborosas, econômicas e ainda com um apelo sustentável. Com todos esses atributos, tem como não ficar pelo menos curiosa pelas saladas em pote de vidro? Já há alguns anos sou adepta da reutilização de potinhos, como contei para vocês nesse post. De tanto ver opções de “mason jar salad” no Pinterest, fui testar e pesquisar sobre os benefícios desse tipo de armazenamento. E olha… me surpreendi! Confira alguns dos motivos pelos quais aderi à “tendência”:

– O vidro é a melhor forma de conservar a textura, os nutrientes e o sabor dos alimentos. Você monta a salada na noite anterior e na hora do almoço parece que você acabou de fazer. As folhas ficam fresquinhas!

– É uma forma leve e prática de levar o almoço para o trabalho diariamente. Basta encher os potinhos na noite anterior ou tirar a noite de domingo para já fazer todas as saladas da semana.

– Além de economizar no almoço (já que você não vai ficar gastando em restaurantes), os potinhos ainda ajudam a manter a dieta na linha.

– Já reparou na quantidade de lixo produzido por um delivery, por exemplo? Ao reutilizar um pote de vidro você dá nova vida ao material, contribuindo para a diminuição do lixo e redução da emissão de gás carbônico. É só um pequeno passo, mas aos poucos vai fazendo diferença.

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Foto: Pinterest

 

Ficou com vontade de testar em casa? Aí vão algumas dicas de como montar sua salada:

– Primeiro, coloque o molho. Assim, diminuem as chances do líquido vazar e sujar sua bolsa.

– Depois, coloque os grãos (feijão, grão-de-bico, lentilha) ou legumes e verduras mais pesados, como brócolis, cenoura, couve-flor e pepino.

– Em seguida, coloque legumes e verduras que não podem ter contato com o molho, como tomate, ervilha, milho, etc.

– Agora é a vez das folhas. Faça um bom mix, com alface, rúcula, couve, espinafre, manjericão, dentre outras.

– Para finalizar, acrescente ingredientes leves como linhaça, chia, quinua, gergelim ou castanhas.

É claro que você pode adaptar essa ordem de acordo com suas receitas e seu gosto pessoal. Mas, no geral, funciona super bem.

E aí, vai testar ou já testou a salada no pote de vidro? Conta pra gente a sua receita favorita nos comentários!

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Não é qualquer carnaval

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A minha carne é de Carnaval e meu coração é igual. Basta virar o ano para ficar ansiosa para os dias de folia. Mas não é qualquer carnaval que faz a minha cabeça. É o de rua de Fortaleza! Por anos, a capital se esvaziava e todo mundo fugia para as praias ou para outras cidades mais tradicionais como Recife, Salvador ou Rio de Janeiro. Mas o movimento mudou e a terra da luz redescobriu o seu próprio carnaval, com blocos que ganham cada vez mais força, com ruas ocupadas, com fantasias elaboradas e com muita, muita alegria! Hoje, se me perguntam o que vou fazer no carnaval, respondo que não perco o de Fortaleza por nada. E mostro o porque:

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O Carnaval me encanta pela possibilidade de se fantasiar, de brincar de colocar a criatividade para funcionar. De vestir um personagem e sair interagindo com as pessoas. De improvisar uma ideia ou de produzir uma super fantasia que você sempre sonhou em vestir. De falar com uma pessoa desconhecida só porque amou a fantasia dela. De tirar uma foto com alguém que você nunca tinha visto porque precisa registrar a comédia daquela indumentária toda. De juntar uma turma para montar uma fantasia coletiva. De rir o tempo inteiro observando a criatividade das pessoas ao seu redor.

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O Carnaval me emociona por ganhar as ruas, pelos espaços públicos ocupados. Por optar ir a pé em vez de pegar o carro ou um táxi. Por descobrir caminhando aquelas esquinas que você nem repara dentro do ar condicionado enquanto dirige. Por ter um lugar histórico como ponto de encontro. Por sair de uma festa a outra seguindo um bloquinho formado só por uma caixa de som. Por amanhecer em um bairro, entardecer em outro e anoitecer na praia. Por redescobrir a cidade.

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O Carnaval me enche os olhos por permitir o brilho a qualquer hora. Pela maquiagem exagerada sem julgamento. Pelo glitter compartilhado. Pelo glitter compartilhado em qualquer um. Pelo glitter em homens, mulheres, crianças e transgêneros. Pelos arranjos enormes na cabeça. Pelo olho tudo, boca tudo, blush tudo, esmalte tudo, roupa tudo, brilho tudo. Pelo mais que é sempre mais!

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O Carnaval me atrai pelos encontros. Por ter todo mundo na rua. Os amigos, a família, os amores, os não-amores, os conhecidos, os de sempre, os de vez em quando, os faz tempo que não via, os quase não reconheço, os tava doida pra te encontrar, os ai meu deus olha quem tá ali, os de abraço apertado, os da turma do colégio, os da faculdade, os do trabalho, os da vida. Estão todos lá, no mesmo lugar, no mesmo evento. Não tem “minhas áreas”. Só tem a rua. E ela é de todos!

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O Carnaval me fascina pela música. Por ter um bloco lotado que canta só canções de autores cearenses.  Ednardo, Belchior, Fagner, Fausto Nilo, Petrúcio Maia e Evaldo Gouveia. Por ter outro que a característica básica é “frescar”, com repertório cheio de composições próprias. Por ter num bar tradicional só marchinhas clássicas. Pelo brega também ser música de carnaval. Pelo bloquinho que sai de um lugar a outro só no axé antigo. Pelo Maracatu cantado a plenos pulmões e dançado com energia. Por não ter paredão de som e não ouvir “aquela que promete ser a música do carnaval”!

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Esse é o meu carnaval. É isso que me encanta, emociona, me atrai, me fascina nessa festa. Como é o seu?