Desenroladas


Manas à Obra: Mulheres Prestadoras de Serviços de manutenção doméstica

Lugar de mulher é onde ela quiser e disso a gente já sabe. No entanto, em São Paulo, surge uma startup que vem para provar (em todos os sentidos da palavra) que a mulher pode ser mesmo o que ela quiser.

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A Manas à Obra é uma startup que reúne mulheres prestadoras de serviços para manutenção doméstica. A ideia surgiu da necessidade de mulheres (transgêneros e cisgêneros) de investirem na profissionalização e qualificação para prestarem esse tipo de serviço.

Então, não só o negócio é feito por mulheres, como tem o foco de atender o público feminino e LGBT. Não é novidade nenhuma, né? Receber um homem – e pior: desconhecido – na nossa casa sempre vai nos causar medo. “O público feminino encontrou no segmento um negócio promissor, que também facilita a vida de mulheres que costumam ter receio de receber profissionais do sexo masculino em suas casas”, conta Priscila Vaiciunas, uma das idealizadoras da empresa.

Você encontra a empresa Manas à Obra na plataforma BemComdinado, um site voltado para o mercado de manutenção doméstica e de empresas. O diferencial é que no próprio site, além de escolher qual serviço necessita, o cliente também pode escolher que quer ser atendimento apenas por uma profissional mulher. Os profissionais são todos certificados pela startup, o que garante a garantia do serviço e o agendamento e pagamento é feito diretamente no site, que dá um prazo de até 24 horas para o trabalho ser executado.

“Ao criarmos nossa plataforma identificamos a necessidade de fazer uma parceria com empresas inclusivas, já que esse setor ainda é, de certa forma, composto principalmente pelos homens. As Manas à Obra fecham essa lacuna e deixam as clientes mais tranquilas, além de mostrar que são tão qualificadas e capazes de realizarem os serviços quanto os homens”, comenta Rodrigo Thedim, CMO e co-founder do BemComdinado.

Women’s March: mulheres unidas ao redor do globo em luta pela igualdade

People shouts slogans during the Women's March rally in Barcelona, Spain, Saturday, Jan. 21, 2017. The march was held in solidarity with the Women's March on Washington, advocating women's rights and opposing Donald Trump's presidency. (AP Photo/Manu Fernandez)

Um momento para entrar na história. No último sábado, 21 de janeiro de 2017, rolou a Marcha das Mulheres, conhecida internacionalmente como Women’s March, uma marcha política com objetivo de promover a igualdade de direitos para todas as mulheres e também para as minorias dentro da minoria, como igualdade racial e igualdade LGBTQ. Os protestos aconteceram simultaneamente em diversos locais do globo, como Paris, Sidney, Berlim, Londres, Nairobi e Cape Town, mas em Washington D.C. teve um peso ainda maior.

O grande objetivo foi fazer uma declaração direta para o novo presidente dos EUA, Donald Trump, conhecido por suas declarações machistas, xenofóbicas e homofóbicas. No protesto, as principais pautas foram a reforma na política de imigração que Trump propõe, os direitos dos trabalhadores, questões ambientais e também o movimento #BlackLivesMatter.

Fica aqui nossa homenagem e o nosso agradecimento a todas as mulheres que lutam e seguem buscando uma transformação social, política e econômica mais igualitária. Vocês são nossa inspiração. Obrigada. 👊

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A Muslim woman in hijab is seen amid activists as they make their way to the Women's March in opposition to the agenda and rhetoric of President Donald Trump in Washington, D.C., U.S. on January 21, 2017. REUTERS/Adrees Latif - RTSWPMH

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Fotos: The Atlantic

Estrelas Além do Tempo: um filme necessário

No final de 2016, a notícia de que uma youtuber fora assediada por Vin Diesel tomou o mundo. Dentre todas as declarações que a repórter fez,  vou destacar uma aqui: “quando estamos trabalhando, não queremos ser  bonitas. Queremos ser  inteligentes“.

O ano agora é 1961. Uma funcionária da Nasa, ao ser cortejada por um rapaz, ouve dele que não imaginava que uma garota poderia exercer uma função tão difícil. E ela responde: “sim, as mulheres podem fazer algumas coisas na Nasa. E não é porque usamos saias. E sim porque usamos óculos“.

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Sessenta anos de distância e estamos falando da mesma coisa. Mulheres lutando pelo direito de serem respeitadas em seu trabalho por, única e exclusivamente, sua capacidade profissional. E foi esse um dos pontos que me chamou a atenção em “Estrelas Além do Tempo“, filme de Theodore Melfi, que estreia nos cinemas brasileiros em fevereiro.

Nele, a história verdadeira de três mulheres negras matemáticas de elite  que revolucionaram a história da Nasa. Katherine Johnson (Taraji Henson), Dorothy Vaugh (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae) formam um trio de mulheres visionárias que foram além das barreiras de gênero, raça e profissão como pioneiras das viagens cósmicas. Três amigas geniais que ocupam cargos na Nasa e galgam por espaços que façam jus a suas capacidades intelectuais e suas qualificações profissionais. Para isso, se veem diante de várias situações vexatórias em uma época de segregação racial no Estados Unidos.

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Tentando evitar spoilers, alguns pontos tocados pelo longa assustam mesmo a quem está constantemente se informando sobre os assuntos. Notar o quanto a sociedade pôde ter sido cruel a mulheres, aos negros e, principalmente, às mulheres negras. Perceber que direitos básicos como usar o banheiro, estudar e trabalhar eram negados. Pior, perceber que hoje não temos mais as placas sinalizando a segregação, mas elas continuam aí para quem tiver interesse em enxergar.

O filme em si é fantástico por diversos aspectos. Tem uma narrativa boa de acompanhar e, apesar de falar de um tema forte e impactante, tem seus momentos leves e divertidos. Ponto para o trio de atrizes principais, que além de brilhantes em suas atuações, são extremamente carismáticas.

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Mas, ele é, na realidade, um filme necessário. Em tempos de posse de um presidente misógino, racista e xenófobo, como Donald Trump, e em época e Golpe como o que vivemos no Brasil, um filme que exponha a realidade de mulheres negras, reforça a genialidade dessas mulheres e o quanto elas foram indispensáveis para a evolução da ciência e da tecnologia é um tapa na cara de quem insiste em nos qualificar apenas como “belas, recatadas e do lar”.

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