Desenroladas


Fashion Revolution Day: Quem fez minhas roupas?

A moda tem seus ciclos e é disso que ela se alimenta. Na atualidade, com a tal “democratização” da moda, o ritmo frenético do fast-fashion acendeu um alerta para uma questão importantíssima: quem está por trás daquela roupa? E, não, nesse caso não estamos falando sobre a personalidade de quem veste, mas sim questionando sob quais condições de trabalho elas foram produzidas.

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No início do ano, uma série de reportagem encontrou uma maneira de chamar a atenção para o assunto. Três blogueiras de moda norueguesas foram enviadas ao Camboja para presenciar como vivem os trabalhadores da indústria têxtil. O resultado? Um choque de realidade com um contraste absurdo entre a cadeia de produção e o glamouroso universo fashionista.

Pois essa semana, pelo segundo ano consecutivo, acontece o “Dia da Revolução da Moda” (Fashion Revolution Day). Uma campanha que  surgiu com o objetivo de aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto em todas as fases do processo de produção e consumo. A data será celebrada em quase 70 países e o Brasil está nessa.

CROCHET

Produção Catarina Mina (foto: Igor Grazianno)

 

Em Fortaleza, o dia será marcado com um encontro no Instituto de Cultura e Arte – ICA UFC, com a presença da Celina Hissa (representando a Catarina Mina com o projeto #umaconversasincera sobre o qual já discutimos aqui) e Silvânia de Deus (do Ateliê da Sil). A proposta é trocar uma ideia com profissionais da área que já fazem a diferença buscando uma relação mais justa entre quem faz, quem vende e quem compra moda.

Sobre o Fashion Revolution Day

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O Fashion Revolution Day é um movimento criado por um conselho global de líderes da indústria da moda sustentável, ativistas, imprensa e acadêmicos que se uniram depois do colapso do edifício Rana Plaza em Bangladesh que desabou no dia 24 de abril de 2013 deixando mais de 1.133 mortos e 2.500 feridos.

O Fashion Revolution Day quer ajudar a tornar a moda uma força para o bem. A fundadora do movimento e pioneira em moda fair-trade (troca justa), Carry Somers diz: “Eu vi que o desastre do Rana Plaza poderia atuar como um catalisador, espalhando a conscientização em prol da moda ética/sustentável e fornecendo uma janela para fazer a mudança real. O Fashion Revolution Day representa uma excelente oportunidade para reconectar os amantes da moda com as pessoas que fizeram suas roupas”.

Ação “vista sua roupa do avesso”

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Essa ação incentivará as pessoas a imaginar o “fio” do vestuário, do maquinista que costurou e todo o caminho até o agricultor que cultivou o algodão de onde os tecidos foram feitos. A Co-fundadora Orsola de Castro diz: “Com um simples gesto de vestir sua roupa do avesso, nós queremos que você pergunte: ‘Quem Fez Minhas Roupas?’.

Serviço

Fashion Revolution Day em Fortaleza
Sexta, 24 de abril, às 10h
No Instituto de Cultura e Arte – ICA UFC (Av. Mister Hull , s/n. Campus do Pici –  Fortaleza)
Sala 102
Gratuito

SPFW | Destaques dia 1

Primeiro dia de São Paulo Fashion Week e nessa temporada estamos fazendo a cobertura separadas. A Clara diretamente dos corredores do Parque Cândido Portinari e eu, Gabi, checando as novidades pela internet. Portanto, fiquem de olho aqui no blog que traremos diferentes olhares para cada detalhe da edição de verão 2016 do evento de moda mais importante do país.

Entre ações, desfiles, tendências e novidades, alguns destaques do primeiro dia de SPFW:

1.O furacão punk rocker Iggy Pop

SPFW 2016 - Gabriel Cappelletti

Um dos assuntos mais comentados do primeiro dia de SPFW não aconteceu nas passarelas, mas nos corredores do evento. O burburinho tinha nome: Iggy Pop, uma das maiores lendas vivas do punk rock. O vocalista da extinta The Stooges esteve em São Paulo para uma ação da marca de Chilli Beans que incluiu quebrar um modelo de óculos giganta à marteladas. “Armamos uma bela confusão, não?”, confessou o presidente da Chilli, Caíto,  em um papo com o FFW. Iggy, como não poderia deixar de ser, mitou!

2. As belezas da Cavalera e Patbo

Cavalera - SPFW- Verao 2016 Pat Bo - SPFW- Verao 2016

 

Ah, que alegria é ver maquiagens minimamente mais conceituais de volta às passarelas. Ainda que priorizando peles bem naturais, alguns dos desfiles desta segunda-feira trouxeram ideias com foco nos olhos para o verão 2016. A Cavalera elevou à máxima potência aquele delineado de lápis branco que foi febre nos anos 90 (veja mais sobre o desfile aqui). Já PatBo trouxe uma “new twiggy” com lápis bem borrado e cílios poderosos.

3. O perfume anos 60 da Patbo

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Falando em PatBo, a referência à Twiggy na beleza não foi à toa. O desfile trouxe inúmeras referências à década de 60, desde os shapes, os comprimentos, à flores e o bordados.

4. A trilha sonora da UMA

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O desfile iniciou com o vozeirão de Nina Simone entoando os versos: “It’s a new day/And I’m feeling good.”. Com essa trilha com um clássico que nunca deixará de nos arrepiar, a marca apresentou o encontro do guarda-roupa mascullino e feminino em uma harmonia perfeita, como em um chemise longo de risca de giz e fendas poderosas. Ora, como disse Jaden Smith, “não são roupas de mulher (ou homem). São roupas”.

5. O esportivo sofisticado da Animale

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Desde a estreia de Vitorino Campos como estilista da Animale na temporada passada, o casamento das criações dele com a marca só vem se mostrando um dos mais felizes da moda. A leitura ultra elegante e sexy da tendência esportiva (cada vez mais fortalecida)  foi um dos pontos altos da noite.

6. A cobertura no insta da Vogue com Stey app

In motion: o verão 2016 com forte perfume 60s da @patbo_oficial. (Vídeo by @steyapp) #Stey #voguenospfw #patbo

A video posted by Vogue Brasil (@voguebrasil) on


A cada temporada a renovação não acontece só nas coleções. A cobertura feita pelos veículos de comunicação também precisa se atualizar. Ponto para a Vogue, que usou o aplicativo de vídeos Stey para os registros dos desfiles, deixando os vídeos com uma carinha de mais trabalhados sem perder a agilidade nas postagens.

7. Havaí, Elvis e modelos veteranos na TNG

TNG - SPFW- Verao 2016

TNG - SPFW- Verao 2016

Na temporada anterior, a TNG quis homenagear os modelos que fizeram parte de sua trajetória. Nesse verão 2016, a marca continuou investindo em nomes veteranos das passarelas e trouxe, entre eles, Shirley Mallmann, que desfilou com exclusividade para a marca.  A beleza também foi destaque, com o topete inspirado no rei Elvis Presley, mais precisamente no papel dele em “Blue Hawaii”, de 1961. As referências ao filme também surgiram nas incríveis estampas florais havaianas.

E a semana só começou…

Diário visual: desfile da Cavalera com índios Yawanawá na SPFW

No olho do furacão. Sentada numa esteira de palha sobre a grama, observando a organização circular criada pela Cavalera na São Paulo Fashion Week, fiquei imaginando o que os índios Yawanawá estariam pensando daquilo. Convidados pela marca para serem a trilha sonora do seu desfile de Verão 2016, a tribo foi também a grande fonte de inspiração de Alberto Hiar para a coleção.

Mostrando um amadurecimento no design, a Cavalera criou um guarda-roupa moderno e mais conceitual que o de costume, trazendo referências indígenas “aqui e ali” (como estampas e bordados). A presença do global Reynaldo Gianecchini no casting por conta de uma gravação da emissora, só aumentou o burburinho em torno do desfile. Foi sem dúvida um dos mais comentados dessa edição da SPFW.

Gostei muito das silhuetas fluidas, do mix de materiais e das estampas. Mas o que mais me encantou foi mesmo o canto da tribo. Isso me emocionou tão profundamente que continuo pensando: o quê os índios estariam achando daquele “circo” que é a maior semana de moda da América Latina? Em meio a todo o caos de fotógrafos, jornalistas, celebridades e demais convidados, estariam os indígenas curiosos sobre o nosso universo “fashionista”? E nós, estaríamos genuinamente interessados neles e em sua cultura ou seria apenas mais uma moda passageira?

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