Desenroladas


Visita à tribo indígena Jenipapo-Kanindé

Esta é Mãe Pequena, da tribo JenipapoKanindé (residente no município de Aquiraz/CE), a primeira mulher cacique do Brasil. Tive a oportunidade de conhecer este ser forte e um pouco dos seus costumes numa visita ao Museu Jenipapo-Kanindé, em fevereiro deste ano. Como pioneira na história do nosso país enquanto liderança indígena, era de se esperar que ela fosse bastante reconhecida, certo? Porém, seu nome e sua trajetória são ocultos para uma boa parte da população. Poderia citar uma longa lista de motivos para este fato, mas a verdade é simples: os povos indígenas brasileiros, infelizmente, permanecem invisíveis para o grande público.

Inicialmente escravizados pelos portugueses e espanhóis após a “descoberta do Brasil”, os índios foram dizimados ao ponto de restarem poucas comunidades destes que eram os habitantes originais do nosso país. Dos cinco milhões que aqui habitavam, hoje só restam 460 mil de acordo com a Funai (Fundação Nacional do Índio). Como eles estão hoje? Segregados em suas comunidades, afastados dos grandes centros urbanos (onde existe mais oportunidade de emprego) e lutando de formas precárias para ter a posse legal de suas terras, dentre tantas outras questões.

Território

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Viagem por Londres: 4 locais geek para visitar na capital da Inglaterra

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Anotem isto: Londres tem programas para todos os tipos de gostos. Ao visitar a capital inglesa, percebi que sua maior característica é ser uma cidade cosmopolita. Em cada esquina, uma história é contada. E não tô falando só da história da família real, mas da história do mundo. Londres é um verdadeiro caldeirão cultural.

Então, não seria diferente para os geeks, nerds e entusiastas do gênero. Londres é um paraíso pra quem ama livros, boardgames, histórias em quadrinhos, super-heróis e todo o universo da fantasia. Por isso, enquanto estive lá, fiz questão de visitar os locais que os verdadeiros geeks frequentam e que saem da rota turística da cidade.

Não se enganem, há muito o que visitar em Londres e já contamos outras dicas imperdíveis aqui, mas os destinos que listo a seguir são irresistíveis!

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Exposição: Frida Kahlo – Conexões entre mulheres surrealistas no México

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Tudo começou com São Paulo. Foi buscando passagem para a capital paulista que decidimos olhar passagens para outros destinos da América Latina e… as passagens para Santiago, no Chile, estavam praticamente do mesmo valor. Mas, além do “simples” desejo de viajar, havia um motivo forte para ir à São Paulo: a exposição Frida Kahlo – Conexões entre mulheres surrealistas no México, que ficou em cartaz entre 27/09/2015 e 10/01/2016, no Instituto Tomie Ohtake. Então, conseguimos pegar um vôo para Santiago que teve uma conexão de 22 horas em Guarulhos e o que nos deu tempo suficiente para ver a exposição e matar um pouquinho da saudade dessa cidade que tanto amamos.

Chegar ao ITO de transporte público é super fácil. Basta pegar a linha amarela do metrô e descer na estação Faria Lima. De lá para o prédio do Instituto são alguns bons quarteirões, mas a arte de rua e aquela movimentação típica de um grande centro urbano deixam o trajeto mais interessante. Já na porta do Instituto, tive uma grata surpresa: apesar da intensa divulgação e de ter pinturas da pintora surrealista mais famosa de todos os tempos, a fila para a exposição estava bem tranquila – ao contrário da exposição “Obssessão Infinita”, de Yayoi Kusama, e “ Salvador Dali”, ambas também realizadas lá.

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A mostra reuniu cerca de 100 obras de 15 artistas, sendo 20 delas obras de Frida Kahlo. O recorte focaliza especialmente artistas mulheres nascidas ou radicadas no México, protagonistas, ao lado de Kahlo, de potentes produções, como Maria Izquierdo, Remedios Varo e Leonora Carrington. Entre as mulheres artistas mexicanas vinculadas ao surrealismo surpreende a abundância de autorretratos e retratos simbólicos. Entre as 20 pinturas de Frida na exposição, seis são autorretratos. Há ainda outras de suas telas que trazem a sua presença, como em “El abrazo de amor del Universo, la terra (México). Diego, yo y el senõr Xóloti”, 1933, e “Diego em mi Pensamiento”, 1943, além de uma litografia, “Frida y el aborto”, 1932.

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O visual icônico de Frida foi imortalizado em suas telas, sendo hoje a indumentária colorida e folclórica algo indissociável da imagem da artista. Na contramão do modismo de sua época, ela mergulhou na tradição mexicana sendo ela mesma uma porta-voz da cultura de seu país, não somente através de sua arte, mas também de suas vestimentas. Alguns trajes típicos mexicanos também integram a exposição, tornando-a ainda mais rica para quem, como nós, tem interesse por moda. As próprias telas são uma belíssima fonte de compreensão do vestuário utilizado pelas mulheres mexicanas entre as décadas de 1920 e 1940.

Outro ponto interessante da exposição é perceber a forma como a multiplicidade cultural mexicana, rica em mitos, rituais e crenças espirituais diversas, favorece a atmosfera criativa surrealista. Segundo a curadora da mostra, Teresa Arcq, “a estratégia surrealista da máscara e da fantasia, que no México forma parte dos rituais cotidianos em torno da vida, a morte no âmbito do sagrado, funcionava também como um recurso para abordar o tema da identidade e de gênero”.

Sendo uma das artistas mais influentes do XX, que emociona multidões com seu trabalho e também com sua intensa história de vida, Frida Kahlo permanece como uma de nossas maiores inspirações. Afinal, o mundo precisa de mais mulheres corajosas como ela, que não só enfrentou limitações físicas, como sociais em nome do que acreditava. Viva Frida!

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Obra de Frida Kahlo

Obra de Frida Kahlo

Obra de Remedios Varo

Obra de Remedios Varo

Traje típico mexicano

Traje típico mexicano

Traje típico mexicano

Traje típico mexicano

Retratos de Frida Kahlo

Retratos de Frida Kahlo

Traje típico mexicano

Traje típico mexicano

Traje típico mexicano

Traje típico mexicano

Obra de Frida Kahlo

Obra de Frida Kahlo

Obra de María Izquierdo

Obra de María Izquierdo

Capa da revista mexicana"Mujeres" de 1960

Capa da revista mexicana”Mujeres” de 1960

 

Foto: Instituto Tomie Ohtake

Foto: Instituto Tomie Ohtake