Desenroladas


Experiência: O que aprendi com o coletor menstrual

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Vamos falar sobre menstruação?

Há alguns meses decidi trocar os absorventes comuns por um coletor menstrual. A diferença já começa na transição do plural para o singular: se antes tinha que comprar aqueles pacotes com vários absorventes, agora um só reservatório de silicone irá me acompanhar por anos. Além da economia financeira, imaginem toda a quantidade de lixo que era gerada a cada ciclo. Pense também na quantidade de mulheres que usam os absorventes diariamente em todo o mundo. É muita, muita, mas muuuita poluição, né?

Apesar de ser um pouco desconfortável no início (como quase todas as adaptações da vida), considero o coletor uma forma muito mais tranquila e higiênica de atravessar esse período. Sempre sofri com as cólicas e o fluxo intenso. A praticidade do coletor me proporcionou vivenciar um cotidiano mais harmônico com o meu corpo e diminuiu bastante a intensidade da cólica. Como nunca me adaptei ao “tampão”, é um alívio poder praticar atividades físicas e nadar no mar, por exemplo, sem me preocupar.

Não sou expert no assunto, claro. Sou apenas uma usuária que têm se beneficiado bastante do produto. Mas conversando com amigas da área de saúde e também com minha ginecologista, fiquei ainda mais segura ao saber que existem diversas pesquisas nessa linha defendendo o uso do coletor. Inclusive, acho que, assim como camisinha, o coletor menstrual deveria ser distribuído gratuitamente em hospitais públicos. Já imaginaram o impacto econômico positivo que essa “pequena” mudança de hábito traria para diversas mulheres?

Porém, não há como negar a grande resistência que muitas manas ainda têm em relação ao coletor. Desde que passei a usar (e propagar os benefícios) do coletor, rolou cada frase preconceituosa que fui obrigada a ouvir, viu? De “isso é uma violência com o seu corpo, ficar colocando esse negócio dentro de você” até “ai que nojo ter que pegar no sangue para tirar esse troço”. Whaaaat?

Vamos lá migas: violência é uma ameaça, intimidação, algo que compromete a integridade física ou psicológica e que é contrária ao desejo de quem a sofre. Pesado, né? Só que essa é a minha escolha, o meu corpo e não existe nada de “violento” em buscar outras formas de cuidar dele. Sim, cuidar. A menstruação é inerente a quase todas as mulheres e precisamos falar sobre ela, nos informar e cuidar de nossos corpos de forma consciente – não apenas seguindo uma imposição/normatização. E… oi? Nojo? O sangue é uma parte tão sua quanto a pele, o cabelo, as unhas. Parou com essa de nojo, blz?

Foi também conversando com minhas amigas que aprendi a respeitar ainda mais as escolhas das mulheres. Algumas estudam “Sagrado Feminino” e jogam o sangue na terra como forma de se reconectar com a natureza. Outras já tentaram usar coletor, mas não se adaptaram. Outras preferem o “tampão”. Outras preferem absorvente. E outras preferem nem menstruar. O massa é poder ser livre para tomar a decisão que melhor se encaixe no seu estilo de vida e nos seus objetivos.

Do micro pro macro, do individual para o social, do interno para o externo. Viram como toda mudança é mola propulsora para diversas outras transformações?

Conversem. Leiam. Pesquisem. Experimentem. Troquem informações. Voltem atrás se quiserem. Não se sintam culpadas. Libertem-se!

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