Desenroladas


Mônica Salgado: “as redes sociais são as amplificadoras do discurso da diversidade”

A jornalista Mônica Salgado passou por Fortaleza a convite de Cholet, como parte do evento de lançamento da coleção Verão 18 da marca cearense. Mônica fez parte de um bate-papo em que abordou tendências de moda e comportamento, além de comentar alguns looks da coleção. E a gente estava lá!

Ex-editora da revista Glamour e, atualmente, repórter do programa Vídeo Show, na Rede Globo, Mônica construiu uma história importante dentro do jornalismo de moda e entretenimento e, agora, se arrisca em um novo desafio profissional na TV. De fala rápida e olhar sempre atento, Mônica mostra que é mesmo uma mulher que não tem tempo a perder e tem sede de novidades. Conversamos com ela sobre essa mudança profissional e, claro, sobre moda!

Você passou por uma transição na sua carreira profissional, de editora de uma grande revista nacional à apresentadora de TV no Video Show. Conta um pouco como foi esse processo pra você e que dica você dá para quem tá precisando de uma dose de coragem para dar uma mudada na vida?

Eu nunca vou ser a pessoa que vai se sentir confortável em nenhum lugar. Eu sou incansável, eu acho que nasci com isso. Eu tenho esse vieses curioso, eu me entendio rápido com as coisas. Eu acho que tudo cai na mesmice muito rápido. Eu sou acelerada. Eu cumpri um ciclo, foram cinco anos de Glamour e cinco de Vogue.  Eu tinha a sensação, sem nenhuma arrogância, de que tudo que eu queria fazer ali  eu já tinha feito, eu já tinha cumprido muito bem o meu papel. Na Glamour eu consegui fazer uma revista exatamente do jeito que eu vislumbrava, do jeito que eu achava que ela tinha que ser, estabelecendo um tipo de comunicação que eu achava que tinha que ter com as leitoras, enfim, implementando ideias. A revista era muito a minha cara e eu era muito a cara dela, as coisas se confundiam muito. Quando eu senti que aquilo estava se esgotando, aquele tesao em mim estava se esgotando, quando comecei a olhar para os lados e pensar em outras coisas legais que eu podia fazer, eu senti que era hora de sair. Eu não tinha o Video Show fechado quando eu saí. Mas por alguma razão eu tinha a certeza que as coisas iam acontecer pra mim. Eu tinha esse mercado de palestras me esperando, então pensei que ‘morrer de fome eu não vou morrer’. Claro, que tenho contas pra pagar, não sou louca, ninguém me sustenta, então eu jamais seria inconsequente. Eu sentia que o mercado tinha uma receptividade ao meu nome e acredita que poderia seguir outro caminho. Então essa coragem ela vem de uma característica que vem dentro de você que chama para a hora de mudar. Mas aliado a isso tem que ter uma base de realidade.

E tá feliz?

Muito! Às vezes eu olho pra minha vida e fico chocada. Eu olho pro meu trabalho e questiono se é trabalho mesmo, porque é tão leve. Acho que a grande diferença para a correria que eu tenho agora pra correria que eu tinha antes é que agora é muito mais prazerosamente. Na revista era mais pesada, era mais densa, tinha muita pressão. Eu tô levando a vida de uma maneira um pouco mais relax. E isso é uma coisa muito boa pra nossa saúde mental. A gente tá acostumado a operar muito na loucura, no stress, na correria, então quando aquela adrenalina baixa, você tem que passar por uma período de readaptação, entender que não precisa daquilo pra viver. Eu passei por esse período e agora acho que tô num outro momento de respirar, de pensar no que a vida tá me dando de bom grado. Eu to conseguindo colher e curtir muito o que tá acontecendo na minha vida.

Você falou muito sobre a moda enquanto identidade. Que palavra você considera a identidade da moda atual?

Diversidade! A gente vive o momento da diversidade, é a palavra da vez. A gente tá prestando atenção em coisas que talvez passassem batidas e quem tá trazendo a tona essa discussão, que passa pela mídia e pelos formadores de opinião, são as redes sociais. Elas são as amplificadoras desse discurso e que esfregam na nossa cara todo dia que “olha, se você tinha esse preconceito, é bom rever”. Porque as pessoas falam que o Brasil é um país preconceituoso, mas tá sempre no outro. Eu li uma pesquisa que falava que 90% das pessoas disseram que sofrem de bullying mas só 30% dizem que praticam. Essa conta não fecha. Acho que a moda capta muito bem esses movimentos comportamentais e traduz isso. Ela tem esse papel e é maravilhoso que ela seja um instrumento comunicador dessas mudanças. E também um agente dessas transformações, a moda nesse momento da diversidade ela foi um agente, ela não só captou e trouxe pra roupa.

5 aplicativos e sites que são indispensáveis pros fashionistas:

  • Instagram: pelo componente de imagem. O mundo é cada vez mais imagético e o brasileiro principalmente.
  • Whatsapp: sendo usado como instrumento de venda muito relevante e significativo pras marcas
  • fashionista.com: um site que tem uma curadoria muito interessante
  • business of fashion: assino para receber sempre as noticias
  • wwd: ótimos para noticias mais quentes
  • Vogue America: por ser um grande termômetro do mercado, pra moda mais comercial, nada alternativa, mas é um ótimo catalisador.