Desenroladas


DFB 2017 | Empreendedorismo feminino em marcas autorais cearenses

Quando pensamos na palavra  “empreendedorismo”, não há necessidade de relacioná-la a um sexo ou outro, certo? Afinal, empreender é uma prática livre para qualquer pessoa. Não há como negar que por séculos o setor empresarial foi totalmente dominado por homens (e, infelizmente, na maioria dos casos ainda é). Porém, este cenário está mudando em diversas partes no globo e aqui em Fortaleza não é diferente. Durante o DFB Festival 2017 conversamos com três mulheres danadas (em bom cearês) que criaram e gerenciam seus próprios negócios: Renata Santiago, do Moda para Mim; Fabíola Alves, da MisChief Clothing, e Carol Figueirêdo, da Carola Design. Os segmentos podem ser diferentes, mas a paixão pela arte e pela moda autoral é a mesma.

Uma das maiores tendências de comportamento e negócios da América Latina, o empreendedorismo feminino é algo tão real que, segundo o Sebrae, nos últimos 14 anos o número de mulheres à frente do seu negócio subiu 34%. Uma outra pesquisa feita pela Global Entrepreneurship Monitor (GEM), aponta que em 2014 cerca de 51% de empreendedores que iniciam negócios eram mulheres.

A pesquisa pode ser de 2014, mas no DFB 2017 vimos uma mostra do quanto esse crescimento é legítimo. Bastou uma volta no Boulevard Kza (feira de 1.200m² que reuniu 64 expositores, entre estilistas, designers de produto e microempreendedores) para perceber que elas foram a maioria.

Além disso, o protagonismo feminino também vem desencadeando outra revolução no mundo dos negócios: o empreendedorismo consciente. Em pesquisa deste ano, o Box 1824 divulgou no blog Ponto Eletrônico que “elas que estão criando marcas, empresas, start-ups e projetos com potencial de transformação social e ambiental no Brasil e no mundo”, trazendo rentabilidade, satisfação pessoal e inovação ao mercado.

Carol em seu atelier (Foto: Divulgação)

Participação DFB Festival – maior evento de moda autoral do país

Fabíola Alves (Mischief) conta que “moda é comunicar o que a gente é pro mundo”. E quem discorda? Participar do DFB 2017 foi para todas essas marcas um grande desafio, mas, acima de tudo, uma grande oportunidade de passar o significado simbólico que a sua marca carrega.

Já para Carol Figueirêdo (Carola), estar no Festival vai um pouco além: “O Dragão Fashion é um evento que eu sempre admirei e vi como grande referência de moda autoral. Quando soube que tinha esse espaço (na feira) já fiquei ‘louca’. Estar aqui é muito importante no sentido de poder representar um design de joias cearense pra tantas pessoas”.

O evento se mostrou democrático, pois marcas de longa data e recém-criadas dialogavam juntas neste grande caldeirão de ideias e novidades que foi o DFB 2017. Renata Santiago tem uma relação antiga com o Dragão: acompanha desde a faculdade e, este ano, teve a oportunidade de mostrar sua 29ª coleção do Moda Para Mim, inspirada na personagem Iracema de José de Alencar.

Renata no stand da sua marca Moda Para Mim no DFB (Foto: Divulgação)

 

Ser mulher e estar à frente de uma marca autoral

Por mais que o número de mulheres empreendedoras no Brasil esteja sempre em crescimento, o desafio de estar na categoria ainda são muitos e as conquistas, graduais. “Eu sinto um pouco de falta de credibilidade. Eu não sei se é só pelo fato da gente ser jovem ou de ser recém-formado. Mas, por outro lado, eu acho muito massa que exista uma admiração de uma galera que vê a gente carregando o nosso material, montando tudo, a gente é bem independente quanto a isso”, segundo Fabíola, da marca MisChief.

Renata Santiago aponta também uma questão cultural: “a própria população demora a aceitar que o que é feito no Ceará é moda, que um tecido que é criado aqui é moda, que a arte daqui é tão moda quanto qualquer outra marca”.

Peça da coleção “O Choro de Iracema” da marca Moda Para Mim (Foto: Divulgação)

Dificuldades e investimento: precisa começar grande?

Carol Figueirêdo, da Carola, acredita que não. É possível ter o seu negócio começando pequeno: “A Carola é um atelier contemporâneo de joias autorais, a gente valoriza todas as etapas pra fazer uma joia, então desde a mistura do metal até o acabamento final é feito pelo nosso atelier. Estamos crescendo aos pouquinhos. Começou só por encomenda, depois passou a ter um pouco mais de estoque, hoje tem uma pessoa que me ajuda no ateliê e assim vai indo”.

Fabíola complementa que “a periodicidade de ter um produto, lançar uma coleção a cada tantos meses, por exemplo, é um grande desafio. Porque é muita coisa pra pouca gente fazer.” Ela divide as tarefas com a sócia e fica de olho na rentabilidade ao longo do processo criativo. “A gente tem que se virar para ter um produto legal, a um preço competitivo, que seja atraente e que as pessoas gostem”, finaliza.

Cliente com look total MisChief no DFB (Foto: Divulgação)

E o que o futuro guarda?

A tendência é que o empreendedorismo feminino continue crescendo e que mulheres continuem assumindo papéis estratégicos na economia. Mas não é só esse o legado que essas mulheres querem deixar com as suas marcas.

Renata quer cada vez mais “valorizar o que a nossa terra tem e mostrar um cearense não estereotipado”, enquanto que Carol quer poder um dia conseguir construir o que der vontade de construir. “Quero que a Carola seja uma ateliê onde as pessoas possam vir e fazer junto. Eu acho que somar arte é a melhor coisa que existe”, afirma.

Já Fabíola espera que a MisChief inspire outras pessoas a “sempre superar barreiras e que o mundo seja mais ousado, não só no vestir, mas no agir também”.

De fato, o cenário comercial ainda precisa de muitas mudanças: entre as 500 maiores empresas brasileiras, apenas 11,5% dos cargos da alta direção são ocupados por mulheres. Por isso o empoderamento feminino é tão importante: ele amplia o diálogo e reforça a necessidade de representatividade nos mais distintos setores da economia. Sim, nós podemos!

Para conhecer um pouco mais sobre as marcas, acesse:

@modaparamim

@somosmischief

@carola.design