Desenroladas


Mulher-Maravilha: o símbolo feminista da DC

O primeiro quadrinho da Mulher-Maravilha foi lançado em dezembro de 1941, por  William Moulton Marston, um psicólogo norte-americano que acreditava na superioridade das mulheres e defendia a igualdade de gênero. Era a “Era de Ouro” dos quadrinhos, em que as bancas eram dominadas por títulos com homens nos papéis protagonistas. Então, não é surpresa nenhuma que a chegada de um quadrinho liderado por uma mulher causou grande burburinho na época.

Foto: DC Comics

A primeira heroína dos quadrinhos sofreu grandes alterações com o tempo, com várias atualizações ao longo das décadas. Mas vamos nos ater ao enredo do filme que está nos cinemas: Mulher-Maravilha estreou a poucos dias nas telonas e é o quarto filme do Universo Estendido DC. Dirigido por uma mulher, Patty Jenkins (Monster The Killing), o filme conta a história inicial de Diana Prince e como ela se tornou, de fato, a famosa Wonder Woman.

Interpretada pela atriz Gal Gadot, a heroína nasceu e cresceu em Themyscira, uma ilha escondida e lar das amazonas, criadas por Zeus para proteger a humanidade da corrupção de Ares. Sua mãe, a rainha Hipólita (Connie Nielsen), é responsável por proteger a ilha e proíbe que Diana se torne uma das guerreiras amazonas. No entanto, sua tia, Antíope (Robin Wright), vê o talento escondido da sobrinha e começa seus treinamentos em segredo. Com a chegada do primeiro homem à Themyscira (Steve Trevor, interpretado por Chris Pine), Diana descobre que um grande conflito atinge o mundo e, convencida de que é capaz de vencer essa ameaça, deixa a ilha.

Foto: Divulgação

É a Primeira Guerra Mundial e Diana luta lado a lado (na verdade, praticamente sozinha) com o intuito de acabar de uma vez com todas as guerras. Ali, ela descobre todos os seus poderes e seu verdadeiro destino.

Por que ela é um símbolo feminista?

Dos novos filmes de super-heróis, este é o primeiro filme com uma super-heroína como protagonista. Aliás, este é o primeiro filme no qual mais de uma mulher possui um papel de destaque. O contexto histórico também é importante para colocar o empoderamento feminino em evidência: Diana vivia em uma ilha apenas com mulheres e guerreiras, e ao chegar numa Londres, em meados de 1920, liderada apenas por homens e onde mulheres sequer tinham o direito de votar, a protagonista sente a mesma repulsa que nós mulheres sentimos ao ver essas cenas.

A personagem recheia o filme com indiretas e comentários irônicos sobre a forma como as mulheres eram obrigadas a viver naquela época: sexo, o uso do espartilho para disfarçar a barriga, roupas que ao mesmo tempo ressaltassem a silhueta feminina aos olhos dos homens e escondesse o corpo suficiente para que elas não fossem vistas, os homens que mandavam nas mulheres e as tratavam como um objeto, e a sua falta de participação no cenário político.

Foto: Divulgação

Muito mudou de lá pra cá, mas ações como essa ainda são corriqueiras atualmente, o que fazem com que muitas mulheres se identifiquem e vibrem com cada cena.

Fato é que Diana se tornou um ícone feminista, mas nunca se assumiu como feminista, até mesmo porque de onde ela vem esse conceito nem existe. No entanto, inserida em uma cultura de massa dominada por criadores e personagens homens, ela é a personagem com maior alcance feminino e que, de certo modo, é coerente com as nossas demandas.

A importância do filme para a indústria e sociedade

O cinema é uma das formas mais fortes de influenciar crianças e os homens, desde pequenos, possuem personagens e exemplos que os inspiram. Com o crescimento de filmes e personagens femininos, pouco a pouco, a situação vem mudando de configuração. Meninas agora possuem exemplos mais condizentes com a realidade e não há como negar que a Mulher-Maravilha é um deles.

*Um exemplo disso, o portal El País publicou uma matéria falando como crianças de uma pré-escola americana reagiram ao filme. Você pode ler a matéria aqui.

Foto: Divulgação

Além disso, o filme também mostrou sua força na bilheteria. Ele atingiu o primeiro lugar, arrecadando US$223 milhões mundialmente! O valor fez de Mulher-Maravilha o primeiro filme de super-heroína com a maior estreia de todos os tempos, além de ser o maior para um filme da categoria durante o mês de junho e o maior de um filme da Warner Bros. Pictures durante o mesmo mês. O título também é um dos mais bem avaliados, com 93% de aprovação no Rotten Tomatoes e com nota A no CinemaScore.

Mulher-Maravilha também liderou as bilheterias dos cinemas brasileiros e é a maior estreia da Warner do ano. O resultado do primeiro fim de semana, aqui no Brasil, somou mais de R$25 milhões em bilheteria e 1,4 milhão de público.

Ela não é a única

Apesar de sua força, como personagem e como ícone, a Mulher-Maravilha não é a única super-heroína que reforça o empoderamento feminino, seja nos quadrinhos ou nas telas. Não faltam exemplos de personagens empoderadas, que dão força à representatividade de minorias:

Thor

Uma das mudanças mais radicais que o selo Marvel já fez, foi tornar o filho de Odin indigno e uma mulher levantar o Mjölnir. E ela não é Miss Thor, Lady Thor ou She-Thor; a nova personagem de Asgard se chama: Thor!

Uma mulher sendo a própria Deusa do Trovão não pode ser considerado apenas como uma mudança de sexo. A personagem é o próprio símbolo do empoderamento e protagonismo feminino, pois é abertamente feminista e não hesita em dar lições aos inimigos que associam o movimento a algo ruim.

*Seu primeiro quadrinho foi lançado em 2014.

Miss Marvel

Kamala Khan é Miss Marvel e representa a quebra de diversos paradigmas nas histórias em quadrinhos. A personagem não é “só” mulher, ela é adolescente, americana, muçulmana e de origem paquistanesa. A quantidade de públicos que Miss Marvel atinge é absurda e, mais uma vez, um exemplo para as adolescentes de outras descendências – que não a americana – se inspirarem.

Além disso, e não menos importante, a editora-geral e criadora da série são mulheres (Sana Amanat e G. Willow Wilson, respectivamente).

*O título já possui 3 quadrinhos: Nada NormalMil QuestõesApaixonada.

Capitã Marvel

A Mulher-Maravilha está para a DC, assim como a Capitã Marvel está para a Marvel. A personagem Carol Denvers era piloto da Força Aérea Americana antes mesmo de receber os seus super-poderes, o que a faz ainda mais incrível, mostrando que não existe isso de profissão de homem e de mulher. A gente ocupa o lugar que quisermos!

*Capitã Marvel terá um filme que deve estrear em 2018.

Agent Carter

Após a guerra, Peggy Carter foi removida de seu cargo e mesmo muito competente, é empurrada para uma posição subalterna. Ela é menosprezada pelos colegas de trabalho, sua participação na luta contra os nazistas é esquecida, ao contrário da sua relação com o Capitão América (quem se identifica?). Procurada por Howard Stark, o Homem de Ferro, para ajudá-lo a provar sua inocência, a Agente Carter faz tudo aquilo que um dos maiores super-heróis dos quadrinhos não consegue fazer: lutar para recuperar as próprias armas que criou e limpar o nome dos Stark.

*Agent Carter teve 2 temporadas na Netflix, mas foi cancelada em 2016.