Desenroladas


Saiba quem foram as mulheres que dão nome às ruas de Fortaleza

A grande maioria das ruas de Fortaleza são batizadas com nome de pessoas. Mas, por rotina ou pressa, não paramos para pensar quem foram essas personalidades ou porque estão sendo homenageadas. Ainda que a maior parte dos cantos da cidade façam alusão aos personagens masculinos da nossa história, grandes mulheres cearenses também têm sua memória viva em plaquinhas de ruas conhecidas e movimentadas na Cidade da Luz. Conheça a história de algumas delas:

Bárbara De Alencar (1760 – 1832)

Revolucionária, é considerada a primeira presa política do Brasil, perseguida por seus posicionamentos políticos até o fim da vida. Nascida em Pernambuco, fez sua carreira política no Ceará. Matriarca de uma família de revolucionários e avó de José de Alencar, esteve presente na Revolução de 1817 e na Confederação do Equador. Conseguiu convencer a elite de aderir à Revolução, que teve bastante importância para a independência do Brasil. A rua que a homenageia atravessa o Centro e a Aldeota.

Jovita Feitosa (1848-1867)

Jovita Alves Feitosa era pisciana nascida em Tauá, no interior do Ceará. Tinha um sonho: alistar-se para lutar na Guerra do Paraguai e vingar seus compatriotas. Aos 17 anos, cortou os cabelos, disfarçou os seios e vestiu-se de homem (seria nossa Mulan cearense?). No Piauí, onde foi morar, conseguiu alistar-se como voluntária e ser aceita como Primeiro Sargento. Foi rapidamente descoberta por seus traços femininos, mas aceita como militar, tendo comovido o Brasil com seu patriotismo. Posteriormente, o Ministro da Guerra na época, Visconde de Cairú, a impediu de fazer parte do corpo de combate e lutar na guerra. Decepcionada com o desenrolar das coisas e também com um caso amoroso, Jovita suicidou-se aos 19 anos. A rua que leva seu nome corta os bairros Parquelândia, Amadeu Furtado, Parque Araxá e Pici.

Henriqueta Galeno (1897-1964)

Filha do escritor Juvenal Galeno, Henriqueta graduou-se em Direito pela Universidade Federal do Ceará em 1918, era poetisa e ensaísta. No ano seguinte, fundou e dirigiu o Salão (posteriormente, Casa) Juvenal Galeno em Fortaleza. Com sua diretoria por 45 anos, a Casa tornou-se o principal centro de desenvolvimento cultural no estado – tendo criado, inclusive, A Ala Feminina, onde reuniam-se mulheres das letras e das artes. Foi professora no Liceu e representou o Ceará no 1º Congresso Feminista, no Rio de Janeiro. Foi membro participativo da Associação Cearense de Imprensa e da Academia Cearense de Letras. Durante sua vida, publicou estudos sobre grandes mulheres que fizeram história – Júlia Lopes de Almeida, Mária Quitéria – A Primeira Mulher Soldado do Brasil e Mulheres Admiráveis. A rua que leva seu nome está nos bairros Aldeota e Dionísio Torres.

Maria Tomásia (1826 – 1902)

Nascida em Sobral, foi uma abolicionista brasileira. Era considerada uma grande oradora e participou da Sociedade Cearense Libertadora, que lutava pelo fim da escravidão. Durante uma reunião na chácara de um amigo no Benfica, ocupou a presidência da Cearenses Libertadoras, que durante sua solenidade e criação, entregaram-se 72 cartas de alforria, concedidas por eminentes personagens da sociedade cearense. A rua que a homenageia está na Aldeota.

Ana Bilhar (falecida em 1927)

Nascida no Crato, Ana foi figura importante da educação no Ceará, tendo fundado o Colégio Nossa Senhora de Lourdes junto com sua irmã, a pianista Branca Bilhar, em Baturité em 1889. Depois, o colégio foi reaberto em Fortaleza (1896). Funcionava em um prédio na rua 24 de maio, mas posteriormente, dois anos depois, mudou-se para o que é o atual prédio do Colégio Militar na Avenida Santos Dumont. O colégio destacava-se pois, além do ensino primário, secundário e complementar, oferecia educação artística: música, desenho, pintura. A rua que leva o nome de Ana situa-se cortando os bairros Varjota e Meireles.

 

#DicaDesenrolada: o instagram @ruasbiograficas é um projeto jornalístico bastante bonito e interessante que procura resgatar a história cearense, contando quem foram as pessoas que dão nome as ruas que passamos, conhecemos e vivemos.