Desenroladas


Opinião: Nascimento de uma mãe

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Por Rafaela Lacerda*

Nunca estive tão saudosa. E voltando a esse dia em que essa pequena, gordinha e careca versão da minha Lucy não me deixava dormir mais de três horas seguidas por noite, mamava de 15 em 15 minutos sem hora ou lugar, e pijamas eram meu melhor look do dia: jamais imaginei sentir tamanha saudade dessa fase. Sempre se faz presente aquela incômoda sensação de que não aproveitei o que essas fases tinham pra dar, que deveria ter ignorado mais o sono e o cansaço e ter apreciado mais aquela carinha ao acordar às 5h da manhã, ignorado os quilos a mais e as marcas que a gravidez deixou, e ter tirado mais fotos pra fazer mais memória, que deveria ter me desviado mais do mal humor hormonal trazido pela amamentação e ter sorrido mais para ela e para todos.

Não quero aqui dizer que sinto que fui uma mãe ruim. De forma alguma. Me senti forte, empoderada, fiz muito sozinha e me sentia heroína apenas por ter parido como pari. Como quis. E me orgulho disso. Me descobri capaz de coisas totalmente novas pra mim. E que descoberta maravilhosa foi essa, do novo eu. Mas é um devaneio que me persegue, e digo mais: vocês, gravidinhas, ou que tiveram seus bebês há pouco, se desliguem da ideia que o puerpério, o pós parto, é magico em todas as formas e feliz e lindo como numa propaganda de shampoo de bebê. Se deixem sentir mal, quando for o caso, o choro vem quando a gente se vê em luto pela pessoa que nos fomos e não somos mais. Luto pela vida que tínhamos, e que mudou por completo. Mas sorriam, pois nasceu outra você, você mãe, você forte, e verás: é tempo de celebração, você é bem mais linda e forte! E claro, aproveitem cada madrugada ao velar o sono desses pequenos, cada dia, cada descoberta. Assinado: uma mãe feliz.

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*O texto foi originalmente publicado no Facebook.

Fotos: Arquivo pessoal