Desenroladas


DFB 2016: Carta para Lindebergue

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Por definição, a moda é:
substantivo feminino
1.
conjunto de opiniões, gostos, assim como modos de agir, viver e sentir coletivos.
“m. masculina”
2.
abs. o uso de novos tecidos, cores, matérias-primas etc. sugeridos para a indumentária humana por costureiros e figurinistas.
“a m. outono-inverno”

Em tempos no qual “look do dia” tem maior impacto comercial que passarela, é fácil notar como o próprio mercado parece se amparar na segunda definição e esquecer a primeira. Além do objetivo prático, vestir, a moda é também um reflexo do comportamento humano, no qual estilistas traduzem de forma subjetiva o “tal” inconsciente coletivo.

Se isso anda meio esquecido, são eventos como o Dragão Fashion Brasil que proporcionam esse lembrete. E não é preciso muito: ele vem numa embalagem delicada, que não poderia ser mais impactante.

Na primeira noite do DFB 2016, Lindebergue Fernandes encerrou a sequência de desfiles com uma coleção que uniu referências bucólicas circenses e ícones militares, para traduzir uma nação despedaçada. De um lado, uma “esquerda” que não dá para defender. Do outro, uma “direita” que não dá para apoiar. O contexto político-social do nosso país invadiu a passarela carregando consigo a melancolia de um Brasil desesperançoso, que ainda se agarra em antigos moldes na sede incessante de mudar de lugar. E quer ir pra onde? Alguém sabe?

Tradição, família, identidade e muitos outros “tabus” são questionados pelo estilista cearense que usa a moda para levantar bandeiras e lançar questionamentos. Ao final, ele mostra que é preciso coragem para botar o bloco na rua e que existe, sim, uma resistência transformadora pronta para virar o jogo.

Lindebergue, muito obrigada por nos fazer lembrar, mais uma vez, porque amamos tanto a moda.

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