Desenroladas


DFB 2017 | Rendá e a ressignificação das memórias

Existem peças de roupa que nos ganham pela memória afetiva. Pode ser pelo cheiro que guarda uma história, por uma estampa que remete a uma lembrança ou ainda pelo tecido que, por si só, já é um resgate. A renda, em especial a renascença, é dessas. Uma preciosidade do artesanato nordestino, costuma se relacionar às toalhas que enfeitavam mesas em reuniões familiares. Não à toa, foi assim que a Rendá, comandada por Camila Arraes, nos convidou a assistir ao seu desfile no DFB Festival 2017.

O convite, um caminho de mesa branco em renda renascença, despertou a nossa curiosidade em ver como aquilo seria traduzido na passarela. Mas, se a relação é a uma tradição, a Rendá remoçou o material para peças modernas e sofisticadas. A brincadeira com franjas, cores e pontos de brilho transformou o que poderia ser datado em produções contemporâneas. Macacões com recortes estratégicos, decotes profundos, mangas em evidência, transparência com aplicações e o contraponto com o couro trouxeram frescor para os looks.

O desfile teve assinatura de Kallil Nepomuceno e ganhou um charme ainda maior com modelos como Anastácia Duarte e Dani Gondim vestindo as peças. Um show para os olhos e um afago ao coração.