Desenroladas


Maxi Moda 2015 | Marta Rodrigues, da Fábula: “A menina pode usar a cor que ela quiser”

Acreditar nas possibilidades, fugir do óbvio e não deixar a mente adulta “matar” a criatividade inusitada que é tão natural durante a infância. Esses foram alguns dos pontos-chave da palestra de Marta Rodrigues, diretora criativa da Fábula, durante o Maxi Moda 2015. A marca de moda infantil pertence ao grupo Farm e, assim como sua “irmã mais velha”, defende um vestuário que agrega as tendências ao seu DNA – e não o contrário, como tanto vemos por aí. Nesse cerne, está uma moda lúdica que busca se comunicar com o lado mais genuíno de meninas cheias de atitude. Como a própria Marta comentou: “na Fábula não tem espaço para ‘tatibitati’ e ‘adultização’ da criança”. Não por acaso, essa foi a palestra que mais nos inspirou e comoveu. Ao final da apresentação, conversamos com a Marta sobre algumas curiosidades em relação à marca e também sobre empoderamento feminino (sim, é possível trazer essa questão para o universo infantil).

Foto: Site Márcia Travessoni
Foto: Site Márcia Travessoni

 

1. Qual o maior desafio ao criar roupas para crianças?

Acho que é entender a dimensão desse universo tão amplo, tão rico e não fazer menos do que isso. Acho que é realmente estar conectada com essa fonte da criatividade, do extraordinário, sair do senso comum, oferecer uma coisa que realmente a criança se conecte e que fale diretamente com ela. É muito eficaz quando você faz uma coisa que a criança realmente se conecte, que a criança percebe que você se comunicou com ela, mais do que os adultos. Uma surpresa na roupa que aquele olharzinho infantil vai encontrar, a atenção que a criança tem com o detalhe, que fale com ela porque é fora da linguagem do adulto. Essa coisa de você sair um pouco da normalidade é o desafio. É não encaretar na adultice!

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2. De que forma a relação com a roupa é essencial para a criação da identidade da menina?

Ela tá formando a identidade, então é você mostrar pra ela que ela tem liberdade pra se expressar é a melhor forma. Não ter regra: “isso combina com isso”, mas é mostrar que a relação que você tem com a roupa é livre, ampla, com mil possibilidades é a melhor forma de incentivar a construção dessa identidade. Pensar no público como indivíduos ainda em formação e não caixinhas de consumidores. Muita variedade e pouca regra.

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3. Qual a principal mensagem que a Fábula tenta passar para as crianças?

Essa de ser criança. A de que é hora de ser criança, a de não pegar um modelo e reproduzir. de brincar, de aproveitar esse momento que é tão curto. Não esquecer de brincar muito e de questionar os porquês. Essa ideia de que brincar é urgente.

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4. A gente está num momento importante em que se fala muito de empoderamento feminino. De que forma essa discurso faz parte do universo da Fábula?

Eu acho que é não dizendo que rosa é cor de menina. A menina pode usar a cor que ela quiser. Dificilmente o rosa é uma cor que vai vender bem na Fábula, o que pra mim é incrível porque você vai em lojas de roupas para meninas que só tem rosa. Se a gente bota rosa nem é a que vai vender mais. Por esse lado a roupa de menina é a roupa que você quiser. A Fábula passa essa mensagem. É cedo para elas se aprofundarem nesse tema que eu sou super interessada, minha filha está muito conectada nisso e eu sempre fui também, acho isso incrível. Mas tem outras coisas na marca como identidade, como não seguir padrão de beleza. Eu fico assistindo muito animada propagandas como a da Garnier que diz que “em terra de chapinha quem tem cachos é rainha”. Porque isso realmente mostra uma transformação comportamental e cultural, das negras soltarem os cachos e se mostrarem como belas. Na Fábula, a menina sempre deixou os cabelos soltos. O cabelo na Fábula é de criança que brinca e não aquela que foi embonecada para ficar bonita. Bonito na Fábula é aquela cara de que você se divertiu, sua maria chiquinha saiu do lugar. As vezes até a gente fica chocada quando vê que fez o lookbook inteiro com o pé da criança preto, mas é porque a gente se diverte tanto que as vezes a gente esquece disso.

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