Desenroladas


Moda consciente: conheça marcas e projetos que vêm revolucionando o mercado

Sabe aquela máxima “seja a mudança que você quer ver no mundo”? Não faltam exemplos para nos inspirar! Para se ter uma ideia, você sabia que são necessários quase três mil litros de água para fazer uma blusinha de algodão e mais 11 mil litros para a produção de uma calça jeans?

Segundo a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), o Brasil é o quarto maior parque produtivo de confecção do planeta, o segundo maior produtor e terceiro maior consumidor de denim do mundo! Pensando bem, aquele look básico do dia a dia que pode ter custado uma pechincha na loja, custa caro para o meio ambiente.

O mercado faminto e insaciável da moda fast fashion é tema do documentário The True Cost (imperdível e disponível na Netflix), lançado em 2015. Para quem o assistiu, não é novidade a presença do trabalho escravo ainda hoje na confecção de vestimentas e, principalmente, o excessivo desperdício de fibras (cerca de 15 a 20% do tecido por cada peça cortada).

Toneladas de tecidos vão parar em lixões todos os anos, já que não existe uma reciclagem contínua. Quando não são jogados em aterros sanitários, esses tecidos são incinerados e raramente reaproveitados de forma inteligente. O problema vai além do que a gente vê: os têxteis se decompõem lentamente e liberam uma nuvem tóxica de poluentes que prejudica nossa saúde.

Por qual razão, então, as empresas não apostam mais em reciclagem, se o método prolonga a vida de uma peça e exige menos investimento para modificá-la? Em geral, a roupa antiga possui fibras menos resistentes e não permite grande margem de lucro. Mas isso é uma simples desculpa. Sabe por quê? Pessoas e empresas são capazes de redefinir conceitos e aprimorar ideias.

Consumo consciente

Já imaginou aquele seu look se transformar em um potente combustível? Pois a Japan Airlines, por exemplo, em parceria com o Planejamento Ambiental do Japão (Jeplan) e o Instituto da Terra Verde de Tóquio vai transformar roupas usadas em combustível para aviões. Até o momento, o projeto acumulou roupas de mais de 1.000 lojas varejistas, como Muji e Aeon. Em atual fase experimental, usando o processo de fermentação, o pano torna-se biocombustível por meio da quebra das moléculas de açúcar do algodão, que viram álcool. 2020 é o ano alvo para testar o combustível derivado do algodão. Se tudo der certo, o Japão planeja ter uma fábrica comercial em funcionamento até 2030. Em breve, tecido, papel e demais formas de resíduos podem ser fontes limpas de combustível.

Também na contramão do consumo sem fim (e sem propósito), em 2015 a Suécia abriu seu primeiro shopping focado somente em itens de segunda mão, que vende de móveis a vestuário, o ReTuna Återbruksgalleria.

Caio Braz (Foto: MALHA/Divulgação)

Em terras tupiniquins, o youtuber e apresentador Caio Braz apresenta uma série de vídeos com tutoriais de customização de itens masculinos e reutilização de peças. Já a marca de bolsas e acessórios Sta. Spalla, do Rio Grande do Sul, usa somente couro já disponível na indústria, para evitar o desgaste de recursos e energia.

Malha (Foto: Divulgação)

Outro exemplo é a  Malha, um espaço colaborativo de produção, criação, experimentação e desenvolvimento de empreendedores da moda, no Rio de Janeiro, que vem desenvolvendo projetos interessantes desde outubro de 2016. Com frequência, tem troca-troca de roupas e workshops de upcycling (a transformação de restos dos fios em novos produtos), com o apoio do Projeto Gaveta, Mig Jeans, Re-roupa, Odyssee e outras marcas e coletivos.

E você? Já pensou, de fato, na forma como a gente consome, se comunica e vive a “moda”? Tente não compactuar com marcas que exploram seus colaboradores (o app Moda Livre te ajuda a conhecê-las). Reúna suas amigas para um bazar colaborativo. Transforme o que não usa mais em um acessório diferente. Considere manter um guarda-roupa cápsula e doe o que não lhe serve para quem realmente precisa. Que tal?