Desenroladas


The Petite Gallery: entrevista com a nova desenrolada Eliana Alcântara

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Cearense, urbana, super viajada e catalã de coração. Essa é a nova colaboradora do Blog Desenroladas, a designer de jóias Eliana Alcântara, que mora em Barcelona há oito anos e trabalha na galeria de arte Base Elements, além de ser professora de design de jóias.

Inquieta e acelerada, a mente criativa da Eliana está sempre a mil por hora. E é um pouquinho dessa curiosidade por arte, moda e cultura que ela vai compartilhar com vocês por aqui, na tag The Petite Gallery.

Reconheceu o nome? Ele é a autora de peças sofisticadas e que fogem do lugar-comum, como o conjunto que já foi capa do Zoeira com nosso editorial “Remix 90” e também como os itens que ela usa nas fotos desse post.

Saiba um pouco mais sobre a nossa Desenrolada honorária na Europa:

 

Qual foi o seu primeiro contato com a moda?

Nasci em uma família que respirava moda. Meu avô trabalhou bastante tempo neste mundo e tinha sua própria fábrica de confecção, onde a família estava envolvida. Somada a curiosidade natural de uma criança, tive uma fonte muito rica de informação e conhecimento.

 Quando decidiu trabalhar na área de joalheira e qual foi o seu primeiro passo nesse mercado?

Foi em 2008, mas aconteceu naturalmente. Cresci observando minha mãe  desenhando  e  pintando  com  muito  apreço,  cuidadosa  com  as  formas  e  com  os detalhes,  criativa  e  ousada.  Tudo  isso  direcionou  minha  atenção,  e  assim  descobri  o design de jóias e suas peculiaridades. Durante  minhas  idas  e  vindas  ao  Rio  de  Janeiro,  onde  comecei  a  estudar  joalheria, minha bisavó me presenteou com um Rubí, em forma de pedra bruta, para mim este foi um  momento  muito  especial  e  decisivo.  Ao  vir  para  Barcelona  continuei  a  estudar joalheria e design. Com o conhecimento comecei a desenvolver minhas próprias peças. Até que amigos próximos começaram a se interessar pelo meu trabalho e encomendar peças  personalizadas,  alianças  de  casamento,  etc.  E  assim, posteriormente,  veio  o contato com as lojas de joalheria aqui em Barcelona e tudo foi se expandindo.

Quando decidiu morar em Barcelona e por quê?

Inicialmente, confesso que, foi pela arquitetura; pois temos desde de Gaudí a Toyoo Itō em uma mesma rua, que é a base de toda minha formação acadêmica.  No ano de 2007 fiz  meu primeiro  intercâmbio. Ao longo  dele,  descobri  todas  as oportunidades  de aprendizado  no  campo  da  joalheria.  Também tenho que reconhecer que Barcelona é uma cidade multicultural e ao mesmo tempo com identidade e  orgulho  catalão  fortíssimos. Uma  cidade enorme,  embora  pequena  geograficamente, com a presença  de  todas  as  estações  climáticas  bem  marcadas,  mar  e  montanha, gastronomia  particular,  arte  e  história  por  todos  os  lados  e  curiosidade  em  todas  as esquinas. Para  mim,  ótima combinação  de  qualidade  de vida e profissional.

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Qual  o  grande  diferencial  entre  os mercados no  Brasil  e  na Espanha?

Ainda existe uma diferença tecnológica, impressões em 3D, cortes a laser para diferentes materiais, etc. Mas basicamente é que aqui tudo é mais permitido e aceitável. Claro que a possibilidade de variar o guarda-roupa em função das diferentes estações ajuda bastante e proximidade com os principais eixos e berços da moda. Outro ponto, e talvez o mais substancial, é que as pessoas na Espanha, especialmente em Barcelona, não ligam tanto para o que você está vestindo, e isso faz com que cada um se sinta bastante livre para arriscar, inventar e se expressar.

Por outro lado, no Brasil, temos a tropicalidade no sangue e isso é muito determinante nas cores que selecionamos e como formamos composições únicas. E quanto a joalheria especificamente, a Espanha está incluída no grupo dos países que desenvolvem joalheria contemporânea, onde o conceito da joalheria não é somente o clássico. O que permite que vejamos diferentes formas, materiais, tamanhos e aplicações.

Conta pra gente quais os seus lugares favoritos no mundo.

Minha experiência mais impactante até hoje foi Tokio, no Japão. Uma experiência única e choque cultural brutal. Só tenho a relatar coisas positivas dos japoneses e da cidade, como  o  cuidado  com  os  detalhes  e precisão desde de a arquitetura, os templos, a variedade tecnológica, a gastronomia e também a ousadia disfarçada de timidez das pessoas e indumentárias.

E  meu  contato  mais  paradisíaco  foi  Menorca,  Ilhas  Balneáres,  Espanha.  A  beleza  da Cala Macarelleta é impressionante. A experiência começa no acesso, que é somente a pé,  guiado  por  uma rota  entre  pedras  desniveladas  e  vegetação,  até  a  água  que tem temperatura agradável e cor transparente, que lhe permite, com snorkel e pés de pato, adentrar ao mar, tocar nas pedras ao redor, se perder e entrar em contato direto com a natureza e universo marinho. São duas experiências extremas que me marcaram muito.

Fugindo dos roteiros tradicionais quais as cidades europeias cuja moda vêm chamando sua atenção e merecem destaque?

Os países nórdicos, sem dúvida. Eles sempre se sentiram livres para arriscar em cores, formas e volumes. E são extremamente fãs do vintage. A sábia mescla entre o contemporâneo e o vintage, na minha opinião, dá um ótimo resultado. E eu curto bastante essa fusão.

O que é estilo para você?

É a sua verdade, uma extensão da sua personalidade, o que é só seu.  É sentir-­se bem na sua própria pele.

Quais os cantinhos essenciais para pesquisar moda e se inspirar em Barcelona?

O bairro do Borne, para mim, é o tesouro de Barcelona. Consegue ser ao mesmo tempo trendy e chic, sem perder a boemia, naturalidade e o conforto. Cheio de lojas de jovens designers de moda, de produto,  até marcas conhecidas e de alta costura, escritórios de arquitetura, galerias de arte e ateliês de joalheria. Sem perder grandes espaços a céu aberto repletos de arte urbana, e muito colorido. E falando em arte urbana e tendências,onde não se pode deixar de passar e abrir bem os olhos é pelos bairros Raval e Gótico.

O que te inspira?

Minha mãe mesmo já dizia, “minha filha, você gosta de gente!” rs,  Em primeiro lugar o que mais me inspira sao as pessoas do cotidiano, os costumes, a linguagem corporal. Entrar  em  livrarias  e  mexer  em  tudo,  assim como encontrar  o  desconhecido  e  me  surpreender com  o novo.  Entrar  em  algum  lugar onde  nunca  estive  antes  e  conversar,  tentar entender  o porque aquele lugar é daquele jeito. Outra paixão que tenho é entrar em galerias de arte, espaços  de  criação  e  perder  a  noção  do  tempo.  Adoro  descobrir. Acho  fabuloso observar.

Se pudesse conversar com um ícone do design do passado, quem seria?

Salvador  Dalí.  Nao  somente  por  admirar  suas  obras,  mas  principalmente  por  ser um artista multidissiplinar. Ele se permitiu aventurar em diversas artes, além da pintura, escultura,  gravação  e  até  joalheria,  ele  se  arriscou  inclusive  ao cinema.  Admiro-o bastante,  não  só  pelo  seu  trabalho  e  obras,  mas  também  pela  sua personalidade espontânea, sua curiosidade e produção inquietante.

Para finalizar, o que nossos leitores podem esperar da tag “The Petite Gallery” aqui no Blog Desenroladas?

Pela  minha  profissão  sempre  tive  muita  atenção  nas  artes,  e  vejo  total  conexão  entre arte,  design,  moda,  gastronomia  e cultura. Pelo  fato  de  ser  muito  curiosa  e  inquieta, sempre  acabo  encontrando  uma  ligação  destes  cinco  temas  em  um  mesmo  ponto de observação. Espero conseguir compartilhar um pouco do que os meus olhos veem por este mundo a fora.

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Vestido: Brechó | Botas: Shutz | Jóias: Eliana Alcantara – Colar Pure Collection; Brinco Line Collection; Aneis Line Collection