Desenroladas


Narrativas de mulheres fortes são destaque na Bienal Internacional do Livro do Ceará

Começa hoje a XII Bienal do Internacional do Livro do Ceará sob o tema “Cada pessoa, um livro; o mundo, a biblioteca”, em alusão a infinitas possibilidades: a diversidade de expressões, a multiplicidade de vozes; incontáveis itinerários narrativos a proporcionar conexões transculturais, encontros de mundos, diálogos no espaço presencial e virtual, fazendo uma grande homenagem ao acervo literário universal, à cultura e à identidade brasileira como patrimônio da humanidade.

O evento segue até o dia 23 de abril no Centro de Eventos do Ceará e, dentro dessa variedade de assuntos, um dos grandes focos é a programação comandada por mulheres fortes. Dentre as escritoras, destacam-se Paulina Chiziane (a primeira moçambicana a publicar um romance), Kiusam de Oliveira (escritora, bailarina e contadora de histórias que escreve livros infantis sobre cultura negra) e Conceição Evaristo (doutora em literatura comparada que só conseguiu terminar os estudos aos 25 anos, conciliando com o trabalho de empregada doméstica).

Diante de tantas histórias inspiradoras, fizemos um recorte da programação da Bienal com foco no trabalho dessas mulheres:

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Experiência: O que aprendi com o coletor menstrual

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Vamos falar sobre menstruação?

Há alguns meses decidi trocar os absorventes comuns por um coletor menstrual. A diferença já começa na transição do plural para o singular: se antes tinha que comprar aqueles pacotes com vários absorventes, agora um só reservatório de silicone irá me acompanhar por anos. Além da economia financeira, imaginem toda a quantidade de lixo que era gerada a cada ciclo. Pense também na quantidade de mulheres que usam os absorventes diariamente em todo o mundo. É muita, muita, mas muuuita poluição, né?

Apesar de ser um pouco desconfortável no início (como quase todas as adaptações da vida), considero o coletor uma forma muito mais tranquila e higiênica de atravessar esse período. Sempre sofri com as cólicas e o fluxo intenso. A praticidade do coletor me proporcionou vivenciar um cotidiano mais harmônico com o meu corpo e diminuiu bastante a intensidade da cólica. Como nunca me adaptei ao “tampão”, é um alívio poder praticar atividades físicas e nadar no mar, por exemplo, sem me preocupar.

Não sou expert no assunto, claro. Sou apenas uma usuária que têm se beneficiado bastante do produto. Mas conversando com amigas da área de saúde e também com minha ginecologista, fiquei ainda mais segura ao saber que existem diversas pesquisas nessa linha defendendo o uso do coletor. Inclusive, acho que, assim como camisinha, o coletor menstrual deveria ser distribuído gratuitamente em hospitais públicos. Já imaginaram o impacto econômico positivo que essa “pequena” mudança de hábito traria para diversas mulheres?

Porém, não há como negar a grande resistência que muitas manas ainda têm em relação ao coletor. Desde que passei a usar (e propagar os benefícios) do coletor, rolou cada frase preconceituosa que fui obrigada a ouvir, viu? De “isso é uma violência com o seu corpo, ficar colocando esse negócio dentro de você” até “ai que nojo ter que pegar no sangue para tirar esse troço”. Whaaaat?

Vamos lá migas: violência é uma ameaça, intimidação, algo que compromete a integridade física ou psicológica e que é contrária ao desejo de quem a sofre. Pesado, né? Só que essa é a minha escolha, o meu corpo e não existe nada de “violento” em buscar outras formas de cuidar dele. Sim, cuidar. A menstruação é inerente a quase todas as mulheres e precisamos falar sobre ela, nos informar e cuidar de nossos corpos de forma consciente – não apenas seguindo uma imposição/normatização. E… oi? Nojo? O sangue é uma parte tão sua quanto a pele, o cabelo, as unhas. Parou com essa de nojo, blz?

Foi também conversando com minhas amigas que aprendi a respeitar ainda mais as escolhas das mulheres. Algumas estudam “Sagrado Feminino” e jogam o sangue na terra como forma de se reconectar com a natureza. Outras já tentaram usar coletor, mas não se adaptaram. Outras preferem o “tampão”. Outras preferem absorvente. E outras preferem nem menstruar. O massa é poder ser livre para tomar a decisão que melhor se encaixe no seu estilo de vida e nos seus objetivos.

Do micro pro macro, do individual para o social, do interno para o externo. Viram como toda mudança é mola propulsora para diversas outras transformações?

Conversem. Leiam. Pesquisem. Experimentem. Troquem informações. Voltem atrás se quiserem. Não se sintam culpadas. Libertem-se!

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Exposição: Frida Kahlo – Conexões entre mulheres surrealistas no México

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Tudo começou com São Paulo. Foi buscando passagem para a capital paulista que decidimos olhar passagens para outros destinos da América Latina e… as passagens para Santiago, no Chile, estavam praticamente do mesmo valor. Mas, além do “simples” desejo de viajar, havia um motivo forte para ir à São Paulo: a exposição Frida Kahlo – Conexões entre mulheres surrealistas no México, que ficou em cartaz entre 27/09/2015 e 10/01/2016, no Instituto Tomie Ohtake. Então, conseguimos pegar um vôo para Santiago que teve uma conexão de 22 horas em Guarulhos e o que nos deu tempo suficiente para ver a exposição e matar um pouquinho da saudade dessa cidade que tanto amamos.

Chegar ao ITO de transporte público é super fácil. Basta pegar a linha amarela do metrô e descer na estação Faria Lima. De lá para o prédio do Instituto são alguns bons quarteirões, mas a arte de rua e aquela movimentação típica de um grande centro urbano deixam o trajeto mais interessante. Já na porta do Instituto, tive uma grata surpresa: apesar da intensa divulgação e de ter pinturas da pintora surrealista mais famosa de todos os tempos, a fila para a exposição estava bem tranquila – ao contrário da exposição “Obssessão Infinita”, de Yayoi Kusama, e “ Salvador Dali”, ambas também realizadas lá.

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A mostra reuniu cerca de 100 obras de 15 artistas, sendo 20 delas obras de Frida Kahlo. O recorte focaliza especialmente artistas mulheres nascidas ou radicadas no México, protagonistas, ao lado de Kahlo, de potentes produções, como Maria Izquierdo, Remedios Varo e Leonora Carrington. Entre as mulheres artistas mexicanas vinculadas ao surrealismo surpreende a abundância de autorretratos e retratos simbólicos. Entre as 20 pinturas de Frida na exposição, seis são autorretratos. Há ainda outras de suas telas que trazem a sua presença, como em “El abrazo de amor del Universo, la terra (México). Diego, yo y el senõr Xóloti”, 1933, e “Diego em mi Pensamiento”, 1943, além de uma litografia, “Frida y el aborto”, 1932.

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O visual icônico de Frida foi imortalizado em suas telas, sendo hoje a indumentária colorida e folclórica algo indissociável da imagem da artista. Na contramão do modismo de sua época, ela mergulhou na tradição mexicana sendo ela mesma uma porta-voz da cultura de seu país, não somente através de sua arte, mas também de suas vestimentas. Alguns trajes típicos mexicanos também integram a exposição, tornando-a ainda mais rica para quem, como nós, tem interesse por moda. As próprias telas são uma belíssima fonte de compreensão do vestuário utilizado pelas mulheres mexicanas entre as décadas de 1920 e 1940.

Outro ponto interessante da exposição é perceber a forma como a multiplicidade cultural mexicana, rica em mitos, rituais e crenças espirituais diversas, favorece a atmosfera criativa surrealista. Segundo a curadora da mostra, Teresa Arcq, “a estratégia surrealista da máscara e da fantasia, que no México forma parte dos rituais cotidianos em torno da vida, a morte no âmbito do sagrado, funcionava também como um recurso para abordar o tema da identidade e de gênero”.

Sendo uma das artistas mais influentes do XX, que emociona multidões com seu trabalho e também com sua intensa história de vida, Frida Kahlo permanece como uma de nossas maiores inspirações. Afinal, o mundo precisa de mais mulheres corajosas como ela, que não só enfrentou limitações físicas, como sociais em nome do que acreditava. Viva Frida!

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Obra de Frida Kahlo

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Obra de Remedios Varo

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Traje típico mexicano

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Retratos de Frida Kahlo

Retratos de Frida Kahlo

Traje típico mexicano

Traje típico mexicano

Traje típico mexicano

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Obra de Frida Kahlo

Obra de Frida Kahlo

Obra de María Izquierdo

Obra de María Izquierdo

Capa da revista mexicana"Mujeres" de 1960

Capa da revista mexicana”Mujeres” de 1960

 

Foto: Instituto Tomie Ohtake

Foto: Instituto Tomie Ohtake

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