Desenroladas


Narrativas de mulheres fortes são destaque na Bienal Internacional do Livro do Ceará

Começa hoje a XII Bienal do Internacional do Livro do Ceará sob o tema “Cada pessoa, um livro; o mundo, a biblioteca”, em alusão a infinitas possibilidades: a diversidade de expressões, a multiplicidade de vozes; incontáveis itinerários narrativos a proporcionar conexões transculturais, encontros de mundos, diálogos no espaço presencial e virtual, fazendo uma grande homenagem ao acervo literário universal, à cultura e à identidade brasileira como patrimônio da humanidade.

O evento segue até o dia 23 de abril no Centro de Eventos do Ceará e, dentro dessa variedade de assuntos, um dos grandes focos é a programação comandada por mulheres fortes. Dentre as escritoras, destacam-se Paulina Chiziane (a primeira moçambicana a publicar um romance), Kiusam de Oliveira (escritora, bailarina e contadora de histórias que escreve livros infantis sobre cultura negra) e Conceição Evaristo (doutora em literatura comparada que só conseguiu terminar os estudos aos 25 anos, conciliando com o trabalho de empregada doméstica).

Diante de tantas histórias inspiradoras, fizemos um recorte da programação da Bienal com foco no trabalho dessas mulheres:

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Saiba quem foram as mulheres que dão nome às ruas de Fortaleza

A grande maioria das ruas de Fortaleza são batizadas com nome de pessoas. Mas, por rotina ou pressa, não paramos para pensar quem foram essas personalidades ou porque estão sendo homenageadas. Ainda que a maior parte dos cantos da cidade façam alusão aos personagens masculinos da nossa história, grandes mulheres cearenses também têm sua memória viva em plaquinhas de ruas conhecidas e movimentadas na Cidade da Luz. Conheça a história de algumas delas:

Bárbara De Alencar (1760 – 1832)

Revolucionária, é considerada a primeira presa política do Brasil, perseguida por seus posicionamentos políticos até o fim da vida. Nascida em Pernambuco, fez sua carreira política no Ceará. Matriarca de uma família de revolucionários e avó de José de Alencar, esteve presente na Revolução de 1817 e na Confederação do Equador. Conseguiu convencer a elite de aderir à Revolução, que teve bastante importância para a independência do Brasil. A rua que a homenageia atravessa o Centro e a Aldeota.

Jovita Feitosa (1848-1867)

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Experiência: O que aprendi com o coletor menstrual

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Vamos falar sobre menstruação?

Há alguns meses decidi trocar os absorventes comuns por um coletor menstrual. A diferença já começa na transição do plural para o singular: se antes tinha que comprar aqueles pacotes com vários absorventes, agora um só reservatório de silicone irá me acompanhar por anos. Além da economia financeira, imaginem toda a quantidade de lixo que era gerada a cada ciclo. Pense também na quantidade de mulheres que usam os absorventes diariamente em todo o mundo. É muita, muita, mas muuuita poluição, né?

Apesar de ser um pouco desconfortável no início (como quase todas as adaptações da vida), considero o coletor uma forma muito mais tranquila e higiênica de atravessar esse período. Sempre sofri com as cólicas e o fluxo intenso. A praticidade do coletor me proporcionou vivenciar um cotidiano mais harmônico com o meu corpo e diminuiu bastante a intensidade da cólica. Como nunca me adaptei ao “tampão”, é um alívio poder praticar atividades físicas e nadar no mar, por exemplo, sem me preocupar.

Não sou expert no assunto, claro. Sou apenas uma usuária que têm se beneficiado bastante do produto. Mas conversando com amigas da área de saúde e também com minha ginecologista, fiquei ainda mais segura ao saber que existem diversas pesquisas nessa linha defendendo o uso do coletor. Inclusive, acho que, assim como camisinha, o coletor menstrual deveria ser distribuído gratuitamente em hospitais públicos. Já imaginaram o impacto econômico positivo que essa “pequena” mudança de hábito traria para diversas mulheres?

Porém, não há como negar a grande resistência que muitas manas ainda têm em relação ao coletor. Desde que passei a usar (e propagar os benefícios) do coletor, rolou cada frase preconceituosa que fui obrigada a ouvir, viu? De “isso é uma violência com o seu corpo, ficar colocando esse negócio dentro de você” até “ai que nojo ter que pegar no sangue para tirar esse troço”. Whaaaat?

Vamos lá migas: violência é uma ameaça, intimidação, algo que compromete a integridade física ou psicológica e que é contrária ao desejo de quem a sofre. Pesado, né? Só que essa é a minha escolha, o meu corpo e não existe nada de “violento” em buscar outras formas de cuidar dele. Sim, cuidar. A menstruação é inerente a quase todas as mulheres e precisamos falar sobre ela, nos informar e cuidar de nossos corpos de forma consciente – não apenas seguindo uma imposição/normatização. E… oi? Nojo? O sangue é uma parte tão sua quanto a pele, o cabelo, as unhas. Parou com essa de nojo, blz?

Foi também conversando com minhas amigas que aprendi a respeitar ainda mais as escolhas das mulheres. Algumas estudam “Sagrado Feminino” e jogam o sangue na terra como forma de se reconectar com a natureza. Outras já tentaram usar coletor, mas não se adaptaram. Outras preferem o “tampão”. Outras preferem absorvente. E outras preferem nem menstruar. O massa é poder ser livre para tomar a decisão que melhor se encaixe no seu estilo de vida e nos seus objetivos.

Do micro pro macro, do individual para o social, do interno para o externo. Viram como toda mudança é mola propulsora para diversas outras transformações?

Conversem. Leiam. Pesquisem. Experimentem. Troquem informações. Voltem atrás se quiserem. Não se sintam culpadas. Libertem-se!

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