Desenroladas


Narrativas de mulheres fortes são destaque na Bienal Internacional do Livro do Ceará

Começa hoje a XII Bienal do Internacional do Livro do Ceará sob o tema “Cada pessoa, um livro; o mundo, a biblioteca”, em alusão a infinitas possibilidades: a diversidade de expressões, a multiplicidade de vozes; incontáveis itinerários narrativos a proporcionar conexões transculturais, encontros de mundos, diálogos no espaço presencial e virtual, fazendo uma grande homenagem ao acervo literário universal, à cultura e à identidade brasileira como patrimônio da humanidade.

O evento segue até o dia 23 de abril no Centro de Eventos do Ceará e, dentro dessa variedade de assuntos, um dos grandes focos é a programação comandada por mulheres fortes. Dentre as escritoras, destacam-se Paulina Chiziane (a primeira moçambicana a publicar um romance), Kiusam de Oliveira (escritora, bailarina e contadora de histórias que escreve livros infantis sobre cultura negra) e Conceição Evaristo (doutora em literatura comparada que só conseguiu terminar os estudos aos 25 anos, conciliando com o trabalho de empregada doméstica).

Diante de tantas histórias inspiradoras, fizemos um recorte da programação da Bienal com foco no trabalho dessas mulheres:

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Leia Mulheres: Uma conversa sobre literatura e quadrinhos com Alessandra Jarreta

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Uma boa ideia, uma hashtag e nascia ali uma pequena revolução. Em 2014 a escritora Joanna Walsh propôs o projeto #readwomen2014 (#leiamulheres2014) para instigar a leitura de obras escritas por mulheres. A ideia ganhou o mundo.

A proposta nasceu pela pouca visibilidade que autoras têm no mercado literário, como forma de dar apoio, relevância e aumentar o número de leitores das obras delas. No Brasil, Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques são as gestoras desse projeto que já funciona em diversas cidades – inclusive Fortaleza. Por aqui, quem organiza os encontros – que acontecem na Livraria Cultura – é a Alessandra Jarreta, 27 anos, estudante de Letras. Batemos um papo sobre esse movimento com a Alê e aproveitamos para falar também de um mercado extremamente problemático e misógino: a indústria de histórias em quadrinhos.

1. Quando começou seu interesse por literatura?

Como quase todo mundo comecei a ler através dos gibis da Turma da Mônica, mas passei a amar leituras na terceira série: tinha uma prova sobre a adaptação da Disney do “Príncipe e o Mendigo” e minha mãe me fez ler o original do Mark Twain (e só poderia levantar da mesa quando terminasse)! Fiquei com muita raiva na hora, mas depois que entrei na história nem vi o tempo passar. A partir disso só quis ler cada vez mais.

2. Lembra qual foi o primeiro livro ou HQ que te marcou especialmente?

Na infância com certeza foi a série “Harry Potter”. Já nos quadrinhos foi “Sandman” – minha primeira HQ fora do mundo dos mangás (que eu baixava a passo de tartaruga pelo mirc, rs).

3. Como surgiu a ideia de trazer o Leia Mulheres para Fortaleza?

Conheci os canais literários do YouTube em 2014 e ficava morrendo de inveja das pessoas falando que estavam lendo para o encontro do Leia Mulheres na sua cidade. Pensei “porquê não podemos ter isso em Fortaleza também?” Falei com as organizadoras e pronto, abri uma “filial” por aqui.

Em Fortaleza eu também organizo o Clube do Quadrinho, evento mensal que acontece na livraria Leitura do Shopping Del Paseo e que já está com 3 anos. Aqui também tem o clube da Cia. das Letras na livraria Cultura, o Clube do Escambau (grupo de escritores que ajuda escritores – também na Leitura do Del Paseo) e um bem recente que está acontecendo no Passeio Público, o Leia Clarice, que reúne livros e piquenique para discutir as obras da Clarice Lispector.

4. Qual a periodicidade e o objetivo do projeto?

O Leia Mulheres acontece mensalmente, todo último sábado do mês, na leitura do Del Paseo. O mercado editorial ainda tem muita resistência para escritoras e o público têm um pouco de preconceito na hora de escolher um livro escrito por uma mulher. A ideia é fazer com que as pessoas leiam mais autoras, conversem sobre a obra e discutam questões de gênero – além de debater contexto histórico, política e questões sociais. E também, claro, fazer novas amizades! 🙂

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5. Você sentiu uma boa receptividade do público ao projeto desde o início? Quantas pessoas em média participam das reuniões?

O primeiro encontro sobre o livro “Frankstein” da Mary Shelly foi bem fraco, contando com a presença de apenas quatro pessoas. Não desanimei, aumentei a divulgação e já no nosso segundo encontro (“O sol é para todos”, Harper Lee) não teve lugar suficiente para todos que vieram. A aceitação das pessoas sempre foi muito boa, nunca tive nenhum problema com preconceito. Parece que todo mundo estava atrás de um espaço como esse para conversar abertamente sobre livros e feminismo! A média de pessoas por encontro é 30, mas no lançamento da coletânea de contos da Clarice Lispector, por exemplo, conseguimos encher um auditório com quase 60 pessoas!

6. Quais os últimos três livros escritos por mulheres que você leu e que te marcaram profundamente?

“Vozes de Tchernobil”, da vencedora no Nobel passado Svetlana Alexievich, “As boas mulheres da China”, da Xinran (reli recentemente) e “A redoma de vidro”, da Sylvia Plath. Os dois primeiros são relatos reais da vida e do sofrimento de pessoas que passaram por situações inimagináveis. O último é o único romance de uma das minhas autoras preferidas, que fala muito sobre machismo, depressão e intolerância. Recomendo muito os 3!

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7. Para finalizar, indica pra gente e para nossas leitoras seis quadrinhos com mulheres protagonistas que fogem do estereótipo de gênero (como hipersexualização, por exemplo).

“Fun Home”, Alison Bechdel

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“Entre umas e outras”, Júlia Wertz

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“Vírus tropical”, Power Paola

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“Hoje é o último dia do resto da sua vida”, Ulli Lust

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“Gata Garota,” Fefê Torquato (autora brasileira)

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“Garota Siririca”, da LoveLove6 (brasileira também)

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Saiba mais sobre o projeto Lei Mulheres:

www.leiamulheres.com.br // contato@leiamulheres.com.br

Especialistas indicam livros de moda

Para ampliar ainda mais a sua visão de moda neste ano, pesquisadores da  área indicam os livros mais interessantes e curiosos, entre clássicos e lançamentos

Zoeira

Foto: Lucas Menezes

Mais do que assistir a desfiles ou saber a última tendência, estudar moda exige um conhecimento plural. Para atualizar (ou rechear ainda mais) a biblioteca neste ano, um time de pesquisadores de diferentes áreas relacionadas ao universo fashion indicam seus títulos favoritos.

Raquel Medeiros, professora universitária e gerente de marketing Florinda e Famel, passeia por livros voltados para estudos de mercado e semiótica. “Para buscar teorias e aplicá-las ao universo da moda, tão carente de estudos metodológicos”, reflete. Já Tânia Dourado, linguista e publicitária Doutora em linguagem e comunicação de moda, indica publicações com proposta multidisciplinar. “Um acervo não apenas eclético, mas coerente com alguém que estuda o discurso da moda como constituinte do sujeito moderno”, observa.

André Albuquerque, diretor administrativo e de marketing do grupo Meia Sola, lança um olhar que envolve música, arte e fotografia. “Muitas pessoas acreditam que a moda é apenas uma imposição da indústria sobre como devemos nos vestir”, pondera. Mariella Fassanaro, personal Stylist, seguiu um caminho relacionado a seu campo de atuação: “vestir gente com liberdade, sem seguir tendências cegamente”, orienta. Finalmente, Jackson Araújo, jornalista e pesquisador, também traz seu olhar. “Nossa relação mais importante, e que se reflete diretamente em como nos comportamos, é e será com as cidades”, adianta.

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Foto: Lucas Menezes

Tânia é linguista e publicitária Doutora em linguagem e comunicação de moda Foto: Lucas Menezes

David Bowie – vários autores
“Esse livro é uma referência da exposição David Bowie, que aconteceu no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, no inicio de 2014. Aqui, as múltiplas identidades do artista que influenciou a cultura durante décadas. Seu visual, seu estilo, suas atitudes”

O pintor da vida moderna – Charles Baudelaire
“Esse livro é uma preciosidade, uma referência canônica para quem se interessa em compreender melhor a noção de modernidade em moda, arte e literatura. O livro é todo ilustrado e traz também o conto ‘O homem na multidão’, de Edgar Allan Poe”.

O paraíso das damas – Émile Zola
“Esse romance retrata a efervescência da moda, em Paris, no século XIX. A narrativa é ambientada dentro de uma loja, permitindo ao leitor mergulhar nas regras do comércio de moda, a renovação sistemática das tendências”.

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