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Exposição: Frida Kahlo – Conexões entre mulheres surrealistas no México

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Tudo começou com São Paulo. Foi buscando passagem para a capital paulista que decidimos olhar passagens para outros destinos da América Latina e… as passagens para Santiago, no Chile, estavam praticamente do mesmo valor. Mas, além do “simples” desejo de viajar, havia um motivo forte para ir à São Paulo: a exposição Frida Kahlo – Conexões entre mulheres surrealistas no México, que ficou em cartaz entre 27/09/2015 e 10/01/2016, no Instituto Tomie Ohtake. Então, conseguimos pegar um vôo para Santiago que teve uma conexão de 22 horas em Guarulhos e o que nos deu tempo suficiente para ver a exposição e matar um pouquinho da saudade dessa cidade que tanto amamos.

Chegar ao ITO de transporte público é super fácil. Basta pegar a linha amarela do metrô e descer na estação Faria Lima. De lá para o prédio do Instituto são alguns bons quarteirões, mas a arte de rua e aquela movimentação típica de um grande centro urbano deixam o trajeto mais interessante. Já na porta do Instituto, tive uma grata surpresa: apesar da intensa divulgação e de ter pinturas da pintora surrealista mais famosa de todos os tempos, a fila para a exposição estava bem tranquila – ao contrário da exposição “Obssessão Infinita”, de Yayoi Kusama, e “ Salvador Dali”, ambas também realizadas lá.

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A mostra reuniu cerca de 100 obras de 15 artistas, sendo 20 delas obras de Frida Kahlo. O recorte focaliza especialmente artistas mulheres nascidas ou radicadas no México, protagonistas, ao lado de Kahlo, de potentes produções, como Maria Izquierdo, Remedios Varo e Leonora Carrington. Entre as mulheres artistas mexicanas vinculadas ao surrealismo surpreende a abundância de autorretratos e retratos simbólicos. Entre as 20 pinturas de Frida na exposição, seis são autorretratos. Há ainda outras de suas telas que trazem a sua presença, como em “El abrazo de amor del Universo, la terra (México). Diego, yo y el senõr Xóloti”, 1933, e “Diego em mi Pensamiento”, 1943, além de uma litografia, “Frida y el aborto”, 1932.

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O visual icônico de Frida foi imortalizado em suas telas, sendo hoje a indumentária colorida e folclórica algo indissociável da imagem da artista. Na contramão do modismo de sua época, ela mergulhou na tradição mexicana sendo ela mesma uma porta-voz da cultura de seu país, não somente através de sua arte, mas também de suas vestimentas. Alguns trajes típicos mexicanos também integram a exposição, tornando-a ainda mais rica para quem, como nós, tem interesse por moda. As próprias telas são uma belíssima fonte de compreensão do vestuário utilizado pelas mulheres mexicanas entre as décadas de 1920 e 1940.

Outro ponto interessante da exposição é perceber a forma como a multiplicidade cultural mexicana, rica em mitos, rituais e crenças espirituais diversas, favorece a atmosfera criativa surrealista. Segundo a curadora da mostra, Teresa Arcq, “a estratégia surrealista da máscara e da fantasia, que no México forma parte dos rituais cotidianos em torno da vida, a morte no âmbito do sagrado, funcionava também como um recurso para abordar o tema da identidade e de gênero”.

Sendo uma das artistas mais influentes do XX, que emociona multidões com seu trabalho e também com sua intensa história de vida, Frida Kahlo permanece como uma de nossas maiores inspirações. Afinal, o mundo precisa de mais mulheres corajosas como ela, que não só enfrentou limitações físicas, como sociais em nome do que acreditava. Viva Frida!

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Obra de Frida Kahlo

Obra de Frida Kahlo

Obra de Remedios Varo

Obra de Remedios Varo

Traje típico mexicano

Traje típico mexicano

Traje típico mexicano

Traje típico mexicano

Retratos de Frida Kahlo

Retratos de Frida Kahlo

Traje típico mexicano

Traje típico mexicano

Traje típico mexicano

Traje típico mexicano

Obra de Frida Kahlo

Obra de Frida Kahlo

Obra de María Izquierdo

Obra de María Izquierdo

Capa da revista mexicana"Mujeres" de 1960

Capa da revista mexicana”Mujeres” de 1960

 

Foto: Instituto Tomie Ohtake

Foto: Instituto Tomie Ohtake

Diário visual: Parada do Orgulho LGBT de São Paulo

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Eram cerca de 14h quando vi um senhor grisalho, com suéter marrom, sentado num banquinho em meio à 19ª Parada do Orgulho LGBT. Diante daquela explosão de cores, da música quase ensurdecedora dos trios e de uma multidão em festa, esse pacato cidadão que parecia ter mais de 80 anos era tão destoante que não tinha como passar despercebido. Puxei assunto com ele, claro. Com toda a sua discrição, ele me contou que é heterossexual, mas gosta de acompanhar a festa todos os anos e que a acha muito bonita.

A Parada é extremamente midiática e costuma ser alvo de muitas críticas. De um lado, a “família tradicional brasileira” que acha que “esse tipo de comportamento” não deveria existir e muito menos ser aceito socialmente (me poupem!). Do outro, membros da própria comunidade LGBT que acreditam que o evento não os representa da forma mais adequada – algo com o qual concordo em diversos aspectos. Mas não há como negar a força democrática de ver a Avenida Paulista tomada por pessoas tão diferentes entre si lutando por uma mesma causa: o respeito à liberdade.

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Na noite anterior à Parada LGBT, fui ao [SSEX BBOX] na Casa da Luz, evento que tem como objetivo gerar reflexão sobre gênero e sexualidade. Durante uma das palestras, fiquei comovida com uma história em especial. Era a de Daniela Andrade, mulher transexual que contou sua luta para sobreviver e ter seus direitos reconhecidos.

Eu e a Daniela no [SSEX BBOX]

Tive a honra de conhecer a Daniela no [SSEX BBOX]

Com duas formações acadêmicas, ela chegou a tentar uma terceira, em Psicologia. Mas, pasmem, foi durante este curso que ela sofreu algumas das maiores manifestações de preconceito de sua vida, vindas tanto de alunos como de professores. Faço então uma pausa rápida para lembrar a razão de existir da psicologia: estudar os fenômenos psíquicos e de comportamento do ser humano por intermédio da análise de suas emoções, suas ideias e seus valores (fonte). A frustração foi tanta que Daniela largou o curso.

Diante de um cotidiano marcado por preconceito, crimes de ódio e injustiça, a Parada LGBT é o grito de uma grande parcela da população que é marginalizada até pelo próprio sistema jurídico. Sim, esse mesmo que deveria assegurar os direitos plenos de todos os cidadãos. Parece até loucura pensar que algumas pessoas têm que sair às ruas para dizer algo tão básico como: “ei, estou aqui. Eu existo. Por favor, lembrem de mim e da minha família quando forem aprovar leis. Obrigado”.

As milhares de pessoas que estavam ali clamavam por visibilidade social – cada uma com sua motivação pessoal. É claro que, como na maioria das manifestações dos tempos hipermodernos, tem gente que vai só pra fazer selfie. Mas isso não tira o brilho de um dos atos políticos mais bonitos desse país. Ontem, tive a oportunidade de conhecer muitas histórias enquanto fotografava a Parada. Por exemplo, a de um jovem casal de lésbicas que planeja registrar conjuntamente o filho que está para nascer – uma delas está grávida de oito meses. Elas estavam ali para comemorar o casamento homoafetivo, direito que só foi reconhecido no Brasil em 2013.

Apesar dos “passos de tartaruga” da Justiça brasileira, a Parada LGBT é um capítulo muito importante na história do nosso país. Diante da grandiosidade do evento, deu até vontade de guardar a câmera e só assistir de camarote, como o senhor de suéter marrom. Mas bom mesmo é deixar a música inundar as ruas de São Paulo, caminhar para celebrar o amor e sorrir na cara do preconceito. A felicidade também é um ato revolucionário.

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Look: Estrelas e flores no Parque da Água Branca

Alguns meses atrás fiz uma produção no Parque da Água Branca, aqui em São Paulo, que acabou rendendo essas fotos. Quando terminamos o shooting, meu amigo e fotógrafo Rafael Sales fez os clicks, eu salvei aqui nos rascunhos e… esqueci de publicar! rs.

Na época, eu estava com tanto cabelo que ainda dava pra fazer coque. O clima ainda estava tão leve que ainda dava pra usar sandália. E como o dia ia ser de muito “estica e puxa”, fui de legging estrelada da Renner e camiseta larguinha FYI (que é pra não ter perigo de “dar brecha”).

Apesar de não usar tanto roupas coloridas, me apaixonei de cara por esse moletom floral da Cardigan. Adorei os detalhes azuis, que deixam a peça com mais cara de “street wear”.

Nos pés, optei pela sandália Melissa by Karl Lagerfeld que é um dos meus maiores xodós dos últimos meses. Além de linda (ela tem aplicações de “pérolas” na frente) ela é ultra mega power confortável. Se um dia já tive preconceito que Melissa machuca o pé, essa sandália me ajudou a mudar de opinião e voltar a amar a marca. <3

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Fotos: Rafael Sales

Look: Óculos de sol – Ray Ban Clubmaster | Casaco – Cardigan | Maxi regata – FYI | Colar – 25 de Março | Legging – Renner | Sandálias – Melissa by Karl Lagerfeld