Desenroladas


TV: O sucesso estrondoso de RuPaul’s Drag Race

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RuPaul (de vermelho) e as participantes da primeira temporada da série

Sabe quando você chega em casa super cansada após o fim do expediente e tudo que quer é assistir um seriado ou filme bem divertido para relaxar? Recentemente, meu antídoto para o stress se chama RuPaul’s Drag Race. Resisti um bom tempo em assistir ao seriado, mesmo recebendo indicações de muitas pessoas que comentavam o quanto o tema era “a minha cara” (né Karla Brito? rs). Sabia que se começasse a assistir um programa que une moda, drag queens e humor, não teria jeito: iria me viciar. O que de fato aconteceu.

Em pouco mais de um mês já estou na sexta temporada (sim, sou dessas que fazem maratonas nos fins-de-semana!) e não consigo cansar de ouvir pérolas como “shantay, you stay” ou “sashay away“.

Para quem nunca ouviu falar, RuPaul’s Drag Race é um seriado no estilo America’s Next Top Model – mas somente com drag queens. A cada episódio as candidatas a “next drag superstar” passam por desafios eliminatórios e apresentam looks “baphônicos” na passarela. As duas piores em cada tarefa são desafiadas a fazer “lip sync for your life” (quando as drag queens dublam canções) com garra e glamour. Como se não houvesse amanhã!

O idealizador e apresentador do programa é o norte-americano RuPaul, que ganhou fama mundial nos anos 90 com o hit “Supermodel” e tem as melhores “caras e bocas” da TV atual:

Polêmicas

Apesar de receber algumas críticas por reforçar estereótipos do meio LGBTT (o que concordo em parte), acredito que programas como esse são extremamente importantes para valorizar e mostrar a um público maior a cultura drag e suas maravilhosas artistas.

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A transex Carmen Carrera

 

Uma das participantes da terceira temporada do show, a modelo transexual Carmen Carrera comentou que “o programa abriu e educou as mentes de muitas pessoas que eram ignorantes a respeito do universo drag e fez da igualdade e do respeito uma possibilidade para os envolvidos, não apenas como semelhantes, mas como artistas fenomenais. Nós vivemos num novo mundo onde compreensão e aceitação estão em ascensão.” Mas a performer também alfineta o programa: “Drag Race deveria ser um pouco mais esperto a respeito dos termos que utiliza e compreender a luta por respeito que pessoas trans estão encarando a cada minuto hoje em dia. Eles deveriam usar sua plataforma para educar verdadeiramente sua audiência sobre todas as facetas da arte performática drag”, finaliza. Aqui, Carmen se refere especificamente a um episódio onde o programa usou o termo “shemale”, considerado bastante pejorativo nos EUA e que pode ser traduzido por “traveco” no Brasil. (Fonte)

Mesmo não correspondendo ao ideal, a verdade é que o programa por si só já é uma porta para que uma cultura antes considerada “estigmatizada” ganhe uma voz, um mega fone e muito lip sync! Enquanto a realidade cotidiana ainda está longe de ser inclusiva, acredito que iniciativas como essa podem ajudar a quebrar barreiras e preconceitos. Além disso, o programa mostra como a moda e a estética desempenham papel ímpar na concepção artística, nos inspirando e inovando a cada episódio.

Que venham mais temporadas e, melhor ainda, menos preconceito!

“Quando você se torna o retrato da sua própria imaginação, essa é a coisa mais poderosa que você jamais fará.” (RuPaul)