Desenroladas


Belém do Pará: Dicas de lugares exuberantes para quem ama natureza e gastronomia

A capital do Pará é um desses lugares que inspira a gente.  Mesmo com seus mais de 1 milhão de habitantes, Belém tem um ar de interior com uma calmaria raramente vista em grandes centros urbanos. Por exemplo, a cidade tem pescador chegando no início da madrugada com peixes e frutos do mar em suas jangadas, atracando ao lado do tradicional mercado Ver-O-Peso, no cruzamento da Av. Portugal com a Castilhos França. É tanta gente reunida que os carros mal passam por lá nesse horário.

Cidade Velha - Belém

Banhada pela baía do Guajará, Belém é quase uma ilha: água por todos os lados, assim como flores, plantas e animais, parques ecológicos para um passeio à tardinha, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré (um dos maiores eventos católicos do mundo), culinária rica e exótica, ruas e prédios históricos lindos e um povo simpático. Aliás, os belenenses em geral gostam de falar e fazer amizade como nós, do Ceará.

Ficou com vontade de conhecer? Fui à cidade recentemente e fiz uma lista de 7 lugares para você visitar quando for à Belém – seja para matar a vontade de comer tacacá, para conhecer a história dos seus 401 anos ou para admirar suas belezas.

1. Mangal das Garças
O parque naturalístico foi criado pelo Governo do Estado em 2005 e abrange fauna e flora férteis. Andando por lá, é inevitável esbarrar com as garças, que vivem livres e não dão nome ao local à toa: cerca de 60 aves visitam regularmente o Viveiro, atraídas por um lago artificial, criado especialmente para que elas se integrem ao local. A equipe do parque alimenta e cataloga todos os animais: lagartos, flamingos, beijas-flores e borboletas, que vivem no Borboletário – uma atração à parte.
Em seu mirante, é possível admirar as margens do Rio Guamá. Ao lado do Mirante do Rio, está o Restaurante Manjar das Garças, famoso pelos deliciosos pratos e pela vista exuberante.
No parque também é possível visitar o Memorial Amazônico de Navegação, o Farol de Belém, os lagos Cavername e da Ponta, a fonte de Caruanas e o Armazém do Tempo, um espaço permanente de exposições.

Endereço: Passagem Carneiro Rocha, s/nº, na Cidade Velha. Funcionamento: terça a domingo, de 9h00 às 18h00. Entrada gratuita.

Belém-Pará-Brasil

2. Mercado Ver-O-Peso
O nome vem da prática de antigos funcionários, que conferiam o peso exato dos produtos vendidos no mercado e cobravam os impostos para a coroa portuguesa.
Com recém-comemorados 390 anos, o mercado a céu aberto mais tradicional da cidade, Ver-O-Peso é uma mistura de aromas (nem tão cheirosos assim), boxes de roupas, acessórios e itens de cozinha, bagunça e pessoas famintas. O visual pode não agradar a todos (o mercado é sujo, não se engane), mas reúne uma variedade de temperos e comidas que fazem turistas de todos os lugares pedirem mais. Um passeio bom para se fazer pela manhã.

Endereço: Boulevard Castilhos França, 1040. Funcionamento: abre durante o ano inteiro, exceto no dia do Círio de Nazaré (em outubro).

Belém Pará Brasil 28

3. Box da Lúcia
Passeou pelo Ver-O-Peso e bateu a larica? O Box da Lúcia é a melhor parada – e você vai passar por ele logo que entrar! O peixe Dourada, um dos mais pedidos, já foi eleito o melhor prato da cidade. O restaurante é pequeno e simples, com mesas de plástico, mas com uma culinária de fazer qualquer um babar. Dizem até que o chef Alex Atala vez ou outra aparece por lá pra aprender um quitute novo com a Dona Lúcia…

Endereço: Mercado Ver-O-Peso, box 37. Funcionamento: segunda a sábado, de 8h00 às 15h00.

4. Estação das Docas
Restaurada, a Estação das Docas está localizada ao lado do Ver-o-Peso, no antigo porto fluvial de Belém, desde 2010. Com 500 metros de extensão voltados para a orla, o espaço é formado por três grandes armazéns de ferro inglês, distribuídos em 32 mil metros quadrados.
O restaurante Amazon Beer, que vende pratos típicos, como o pato no tucupi, e as cervejas artesanais mais saborosas que já provei (experimente a witbier de taperebá, fruto da cajazeira, uma delícia!) e o Lá em Casa, com vendinha de feijão manteiguinha de Santarém e uma salada incrível feita com molho de tucupi preto, são ótimas escolhas para uma refeição enquanto se observam os barcos e os transeuntes chegando.
Na Estação tem exposições, cinema, lojas de artesanato e guloseimas (os doces Bombom do Pará são bem típicos e boa lembrança para os amigos aficionados por cupuaçu), casais apaixonados e sorvete Cairu. Não tem erro.

Endereço: Boulevard Castilhos França, s/nº. Funcionamento: todos os dias, de manhã até o início da madrugada.

Estação das Docas

5. Passeio de barco pela Baía
Também dentro da Estação das Docas, a empresa de turismo Valeverde oferece passeios de barco. Fiz uma viagem curta pela orla de Belém, por uma hora e trinta minutos, com direito a guia turístico, que apresenta fatos históricos, música e danças ao vivo, ao som do carimbó e do brega paraense, tapioca e cafézinho – mas há opções para outros destinos, com preços e durações variadas. Não importa o que você escolha, é tudo bonito demais.

6. Museu Paraense Emílio Goeldi
O zoólogo suíço Emílio Goeldi catalogou mamíferos e aves brasileiras e, ao chegar em Belém, promoveu significativas mudanças institucionais a partir de suas coleções científicas, da publicação de trabalhos e da educação no Estado. Também foi responsável pela criação do jardim zoológico e do horto botânico, atraindo a população para conhecer a instituição, fundado em 1896.
O local abrange um centro zoobotânico, com plantas e animais brasileiros, com atenção especial aos espécimes locais, um museu e um centro de estudos voltado aos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia.
Curiosidade: aprendi que o Pau-rosa, uma das árvores acolhida pelo museu, fornece seu extrato para a produção de um dos mais conhecidos perfumes, o Channel nº 5. Vale a pena conhecer.

Endereço: Av. Magalhães Barata, 376, São Braz. Funcionamento:  9h às 17h, todos os dias. Ingressos: R$ 3.

7. Restaurante Remanso do Bosque
Comandado pelos chefs Thiago e Felipe Castanho, o restaurante, próximo ao Bosque Rodrigues Alves, pede uma visita, principalmente para quem quer se entregar, com um toque mais refinado, às gostosuras do Pará. Jambu, pirarucu fresco, maniçoba, farinha d’água, tapioca: tudo o que você imaginar está presente no cardápio. A decoração é uma graça, com mesas de madeira maçica belíssimas reaproveitadas, decoração moderna e atendimento atencioso.
Por restrições alimentares, pedi a Moqueca Vegetariana e raspei o prato. Meus acompanhantes escolheram o filé de Filhote (foto abaixo), peixe nobre da culinária amazônica, e, para adocicar o paladar, um crumble de banana de sobremesa. Falaram que foram ao céu e acreditei. Vou ter que voltar para experimentar.
Na lojinha dentro do restaurante, é possível comprar comidinhas e doces feitos na região – por um preço mais caro que nos mercados, claro.

Endereço: Travessa Perebebui, 2350. Fecha às segundas-feiras.

Ah, não esqueça de pôr um guarda-chuvas na mala. A cidade é bastante úmida e quente, com chuva todos os dias. Com o item, indispensável, você não se molha e, na hora do sol à pino, ainda se protege do forte calor.

Agora é hora de programar a próxima viagem!